segunda-feira, 23 de julho de 2012

Evangelho (Mateus 12,38-42)

12 38 Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: "Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre".
39 Respondeu-lhes Jesus: "Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas:
40 do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.
41 No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.
42 No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho


1. “Show da Fé”
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
O evangelho nos mostra de onde vem a Fé enquanto espetáculo, de milagres assombrosos que atraem cada vez mais “clientes” que trazem o seu rico Dízimo, pagando prá ver se é mesmo verdade tais milagres. Foram os mestres da lei e Fariseus que pediram a Jesus a realização de um sinal. E se Jesus aceitasse o desafio e fizesse tal prodígio, esses Doutores da Lei e Fariseus já iam comercializá-lo e garantir a ele sucesso e prestígio. Jesus se tornaria um produto valioso nas mãos desses gananciosos, qualquer semelhança com as ricas igrejas da pós-modernidade, é mera coincidência, pois há ainda hoje multidões que buscam, não a Jesus, o Filho de Deus, nosso Senhor e Salvador em quem nossas vidas são transformadas, mas apenas os milagres que ele realiza, tal como os Doutores da Lei e Fariseus.
Os milagres que Jesus fez por aquele tempo, e que hoje também, de acordo com os desígnios de Deus, ainda continua fazendo, são apenas sinais e não podem ser maiores e mais importantes que o Reino, pois as profecias anunciavam que o Messias viria para curar as enfermidades, ressuscitar os mortos, e libertar os cativos, abrir os olhos aos cegos, fazer andar os paralíticos, mas tudo isso não como fim, mas como meio e apontam para aquele que é o maior de todos os milagres: a Ressurreição!
O milagre é a antecipação da Vida Nova em sua plenitude, por isso Jesus coloca como prefiguração da ressurreição o fato do Profeta Jonas permanecer três dias no ventre de uma baleia, mas não foi isso que converteu os habitantes de Nínive, mas sim o fato de ouvirem e darem créditos á sua pregação e a partir daí terem feito a penitência buscando a conversão sincera.
Jesus supera e é maior do que todos os Porta-Vozes do Antigo Testamento, ele não é mais um emissário de Deus, ele é o próprio Deus, encarnado na história dos homens. Então a conclusão do evangelho é óbvia: quanto mais milagres eu suplico e exijo de Deus, menos compromisso tem na vivência da minha Fé. Pois um Cristão comprometido com a Palavra de Deus, e os valores do evangelho, não fica muito a espera do milagre, mas o faz acontecer!
2. A fé na presença de Jesus
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
Esta passagem foi apresentada de maneira mais breve pelo evangelho de Marcos, antes de Mateus. Lá é feita a referência ao judaísmo, simplesmente, como "esta geração", e Jesus, sumariamente, nega o pedido de sinal. Em Mateus a referência é feita com a expressão "uma geração perversa e adúltera". Aos escribas e fariseus que lhe falam, Jesus apresenta o "sinal do profeta Jonas". E, em seguida explica o sinal: "o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra". A tradição judaica sabia que depois de três dias e três noites nas entranhas de um peixe grande, Jonas foi vomitado por ele em terra firme. Temos aqui uma interpretação pós-pascal, da tradição de discípulos de origem judaica, aplicando esta imagem à sepultura e ressurreição de Jesus.
A fé na presença de Jesus ressuscitado nas comunidades que vivem o amor dispensa quaisquer outros sinais.
Oração
Pai, dá-me simplicidade de coração para reconhecer que Jesus é teu Filho, enviado ao mundo para nos salvar. E que jamais eu exija sinais além dos que ele já realizou.
3. A RECUSA DO MESSIAS
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
O pedido dos escribas e fariseus tinha como objetivo exigir de Jesus as credenciais da condição divina de sua missão. Que sinais haveriam de convencê-los, considerando os inúmeros milagres já realizados? Existiria um, diante do qual os adversários do Mestre deveriam curvar-se e reconhecer sua condição messiânica? Não!
Sendo uma "geração má e adúltera", eles careciam das disposições mínimas para captar os apelos de Deus, expressos nas palavras e gestos do Messias Jesus. Faltava-lhes sintonia com o projeto divino. Portanto, não estavam em condições de interpretar, de maneira conveniente, os milagres de Jesus, e deles tirar as devidas conseqüências.
Embora se defrontassem com quem era "maior do que Jonas" e "maior do que Salomão", mostravam-se inferiores aos habitantes de Nínive e à rainha do Sul. Estes, apesar de pagãos, tiveram sensibilidade para perceber a veracidade da pregação do profeta, e a sublimidade da sabedoria do grande rei, e dar ouvido a um e a outro.
Os escribas e fariseus, ao invés, mesmo presenciando feitos superiores àqueles do passado, permaneciam fechados em sua incredulidade, recusando-se a acolher o Messias Jesus. Seu destino seria um julgamento severo, por serem, evidentemente, responsáveis por essa obstinada falta de fé. Eles mesmos se fechavam para a salvação!
Oração
Espírito de bondade e fidelidade, tira do meu coração tudo quanto me impede de reconhecer, no testemunho de Jesus, os sinais de sua condição divina.

Santa Brígida


A santa de hoje nasceu na Suécia, no ano de 1302. Ela foi entregue em casamento a um jovem chamado Wulfon, príncipe de Nerícia.

Ao casar-se com Wulfon, Santa Brígida assumiu, com orações e sacrifícios, a missão de lutar pela conversão de seu esposo, um homem entregue aos vícios e paixões desregradas.

Santa Brígida alcançou esta graça. E, juntamente com seu esposo (agora convertido) numa vida com muitas práticas de piedade, foram a diversas peregrinações, até que aos 32 anos Wulfon veio a falecer.

Agora viúva e mãe de 8 filhos, Santa Brígida dedicou-se inteiramente ao serviço dos mais necessitados, cuidando dos enfermos (dentro de um hospital fundado por ela mesma e por seu esposo). E tudo isto sem perder de vista a formação cristã de seus filhos.

Devota do Sagrado Coração de Jesus e da Santíssima Virgem, Santa Brígida passava horas em adoração a Jesus Sacramentado. Inspirada pelo Espírito Santo, fundou uma Ordem feminina e outra masculina. Consagrou-se na vida religiosa, e em meio a sofrimentos e inspirações reveladoras do próprio Jesus, aprofundou-se no mistério do Cristo crucificado, até que mergulhasse definitivamente neste mistério, quando em Roma, aos 71 anos, entrou na eternidade.

Santa Brígida, rogai por nós!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Evangelho (Mateus 9,9-13)

9 9 Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: "Segue-me". O homem levantou-se e o seguiu.
10 Como Jesus estivesse à mesa na casa desse homem, numerosos publicanos e pecadores vieram e sentaram-se com ele e seus discípulos.
11 Vendo isto, os fariseus disseram aos discípulos: "Por que come vosso mestre com os publicanos e com os pecadores?"
12 Jesus, ouvindo isto, respondeu-lhes: "Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes.
13 Ide e aprendei o que significam estas palavras: 'Eu quero a misericórdia e não o sacrifício'. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores."
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho


1. “..............”
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
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2. Jesus inaugura um novo mundo
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
Os grupos típicos marginalizados pelo sistema religioso-político do Templo e das sinagogas eram os publicanos, prostitutas, gentios e doentes, enquadrados como impuros e pecadores, e excluídos pela Lei. O publicano, humilhado por este sistema, agindo como instrumento de coleta de impostos, na realidade era um explorado pelas elites abastadas, que o usavam como instrumento de enriquecimento.
Os inúmeros critérios de exclusão servem para afirmar a superioridade e garantir privilégios de um grupo de poder. Jesus vem remover estas barreiras libertando e promovendo estes marginalizados.
Os impuros e pecadores, com os quais Jesus comia, eram absolutamente excluídos da mesa dos fariseus e demais chefes religiosos. O "estar à mesa", isto é, a refeição partilhada, é um gesto profundo de comunhão e intimidade entre as pessoas. Com a referência ao profeta Oseias, "misericórdia é que eu quero, e não sacrifícios" (Os 6,6), Jesus vai inaugurando e consolidando sua prática renovadora para um mundo novo onde a fraternidade, o amor e a paz prevaleçam.
Oração
Pai, coloca-me sempre junto àqueles que mais carecem de tua salvação, e liberta-me de toda espécie de preconceitos que contaminam o meu coração.
3. QUERO MISERICÓRDIA!
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
A censura dos fariseus por Jesus se ter sentado à mesa com os cobradores de impostos e os pecadores serviu de ocasião para explicitar um aspecto fundamental de sua ação missionária: no trato com as pessoas, buscava ser o máximo misericordioso, não se deixando levar por preconceitos, nem se desesperando quanto à possibilidade de conversão de seus interlocutores. Exatamente o contrário da atitude dos fariseus!
Como a missão de Jesus consistia em colocar-se a serviço dos pecadores, nada mais conveniente do que ser misericordioso para com eles. Sendo o Messias, podia dar-se ao luxo de assumir uma postura de juiz e condená-los desapiedadamente. Ou então, mantendo-se à distância, denunciar-lhes o pecado e tentar arrancá-los do mundo pecaminoso em que viviam. A opção de Jesus vai numa outra direção. Coloca-se no meio daqueles aos quais veio anunciar a salvação, exercendo sua missão mediante a partilha de vida. Este é o canal pelo qual o amor de Deus atinge aqueles que o preconceito religioso relegou à condição de malditos e condenados. Jesus salva pela misericórdia!
Sua ação pauta-se por uma lógica irrefutável: coloca-se entre os pecadores, por ter vindo para eles. Assim como os médicos vão em busca de pessoas doentes, Jesus vai ao encalço de quem, de fato, necessita ser salvo. Portanto, longe de estar agindo de maneira censurável, seu gesto é cheio de sentido divino.
Oração
Espírito de acolhimento, torna-me sensível e misericordioso, sobretudo, para com aqueles aos quais a salvação deve ser anunciada.

Santa Maria Goretti


A Igreja, neste dia, celebra a virgem e mártir que encantou e continua enriquecendo os cristãos com seu testemunho de "sim" a Deus e "não" ao pecado. Nascida em Corinaldo, centro da Itália, era de família pobre, numerosa e camponesa, mas muito temente a Deus.
Com a morte do pai, Maria Goretti, com os seus, foram morar num local perto de Roma, sob o mesmo teto de uma família composta por um pai viúvo e dois filhos, sendo um deles Alexandre. Aconteceu que este jovem por várias vezes tentou seduzir Goretti, que ficava em casa para cuidar dos irmãozinhos. E por ser uma menina temente a Deus, sua resposta era cheia de maturidade: "Não, não, Deus não quer; é pecado!"
Santa Maria Goretti, certa vez, estava em casa e em oração, por isso quando o jovem, que era de maior estatura e idade, tentou novamente seduzi-la, Goretti resistiu com mais um grande não. A resposta de Alexandre foram 14 facadas, enquanto da parte de Goretti, percebemos a santidade, na confidência à sua mãe: "Sim, o perdôo... Lá no céu, rogarei para que ele se arrependa... Quero que ele esteja junto comigo na glória eterna".
O martírio desta adolescente, de apenas 12 anos, foi a causa da conversão do jovem assassino, que depois de sair da cadeia esteve com as 400 mil pessoas, na Praça de São Pedro, na ocasião da canonização dessa santa, e ao lado da mãe dela, que o perdoou também.
Santa Maria Goretti manteve-se pura e santa por causa do seu amor a Deus, por isso na glória reina com Cristo.
Santa Maria Goretti, rogai por nós!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Evangelho (Mateus 9,1-8)

9 1 Jesus tomou de novo a barca, passou o lago e veio para a sua cidade.
2 Eis que lhe apresentaram um paralítico estendido numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: "Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados."
3 Ouvindo isto, alguns escribas murmuraram entre si: "Este homem blasfema."
4 Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, perguntou-lhes: "Por que pensais mal em vossos corações?
5 Que é mais fácil dizer: 'Teus pecados te são perdoados', ou: 'Levanta-te e anda?'
6 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: Levanta-te - disse ele ao paralítico -, toma a tua maca e volta para tua casa."
7 Levantou-se aquele homem e foi para sua casa.
8 Vendo isto, a multidão encheu-se de medo e glorificou a Deus por ter dado tal poder aos homens.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho


1. “...”
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
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2. O perdão dos pecados
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
No bloco de dez milagres coletados por Mateus, nos capítulos 8 e 9 de seu evangelho, temos, hoje, a narrativa de cura de um paralítico. Mateus resume a narrativa de Marcos, rica em pitorescos detalhes. No texto se percebe que o essencial é o perdão dos pecados, sendo a cura apenas o seu sinal.
As elites religiosas das sinagogas e do Templo humilhavam e mantinham o povo submisso, imputando-lhes o caráter de "pecador" por não observarem as centenas de preceitos da Lei.
A própria doença era considerada como fruto do pecado. A libertação do pecado só poderia ser feita no Templo, mediante ofertas, em nome de Deus. Agora, o homem paralítico, considerado pecador, está libertado por Jesus, pode mover-se e ter iniciativas. Em Jesus, Deus dá aos humanos o poder de libertar-se dos pecados, e no amor e na prática da justiça, transformar o mundo.
Oração
Pai, que minha fé ilimitada em teu Filho Jesus seja penhor de perdão e cura. Que o poder de Jesus me cure a partir do meu interior.
3.PODER DIVINO DADO À HUMANIDADE
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
Os mestres da Lei foram incapazes de compreender as ações de Jesus. Fidelíssimos à tradição, sabiam distinguir claramente entre ação divina e ação humana, ou seja, aquilo que só a Deus compete fazer, e aquilo que é permitido ao ser humano operar.
Contudo, aplicado a Jesus, este esquema era insuficiente. Sem titubear, ele realizava o que não compete ao ser humano: perdoar os pecados e curar. Ao perdoar os pecados, colocava-se no lugar do próprio Deus, a quem se ofende com as ações pecaminosas. Ao curar, restituía a vida, dom divino para a humanidade, sobre o qual somente Deus tinha poder.
No julgamento apressado dos mestres da Lei, a ação de Jesus tinha a conotação de blasfêmia. Era um insulto a Deus e uma usurpação de seu poder. Nada mais digno de censura!
As multidões, talvez menos viciadas pelo rigorismo da tradição teológica, estavam mais abertas para compreender o que se passava com Jesus. E glorificavam a Deus por ter dado à humanidade um tal poder. Isto significava reconhecer a divindade da ação de Jesus, embora sendo ele um ser humano. E mais, reconheciam que Deus não se atinha aos esquemas nos quais os mestres da Lei queriam enquadrá-lo. Ele estava agindo, no seio da humanidade, por meio de Jesus. Por isso, era possível identificar nas ações do Mestre o amor de Deus atuando na história humana. Era isso exatamente o que os mestres da Lei recusavam-se a aceitar.
Oração
Espírito de abertura para o Senhor, liberta-me da rigidez teológica que me impede de reconhecer, nos gestos de Jesus, o amor de Deus derramando-se na nossa história.

Santo Antônio Maria Zaccaria


O santo de hoje foi um grande apaixonado por Jesus Eucarístico e pela Virgem Maria, por isso, santificado e "santificador" de muitos. Antônio Maria, nasceu em Cremona, no norte da Itália em 1502 e, ao perder o pai muito cedo teve de sua mãe o grande gesto de amor que consistiu em dedicar-se somente para sua educação, tanto assim que, com apenas 22 anos, já era médico.
Ele fazia de sua profissão um apostolado, por isso não cuidava só do corpo, mas também da alma dos seus pacientes que eram tratados como irmãos deste médico corajoso, pois viviam em um ambiente impregnado pelo humanismo sem Deus.
Chamado por Cristo, ampliou seu apostolado ao ser ordenado sacerdote e, desta forma, pôde testemunhar Jesus e a unidade da Igreja num tempo em que as ciências de fundo pagão, a decadência das ordens religiosas, do clero, pediam não uma Reforma Protestante, mas sim uma santidade transformadora.
Fundador dos Clérigos Regulares de São Paulo e, com a ajuda de uma condessa, da Congregação das Angélicas de São Paulo, Antônio viveu, comunicou vida num dos períodos mais difíceis da Igreja de Cristo. Depois de muito propagar a devoção a Jesus Eucarístico, por ter trabalhado demais, veio com 37 anos "dormir" nos braços de sua mãe terrestre e acordar nos braços de sua Mãe Celeste.
Santo Antônio Maria Zaccaria, rogai por nós!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Evangelho (Mateus 8,28-34)

8 28 No outro lado do lago, na terra dos gadarenos, dois possessos de demônios saíram de um cemitério e vieram ao encontro de Jesus. Eram tão furiosos que pessoa alguma ousava passar por ali.
29 Eis que se puseram a gritar: "Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?"
30 Havia, não longe dali, uma grande manada de porcos que pastava.
31 Os demônios imploraram a Jesus: "Se nos expulsas, envia-nos para aquela manada de porcos".
32 "Ide", disse-lhes. Eles saíram e entraram nos porcos. Nesse instante toda a manada se precipitou pelo declive escarpado para o lago, e morreu nas águas.
33 Os guardas fugiram e foram contar na cidade o que se tinha passado e o sucedido com os endemoninhados.
34 Então a população saiu ao encontro de Jesus. Quando o viu, suplicou-lhe que deixasse aquela região.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho


1. “O Reino chega além-fronteira”
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Para ser possível entendermos esse milagre relatado por São Mateus e assim fazer a nossa reflexão, vamos fazer um corte no evangelho. De um lado temos a Galiléia e toda a região onde Jesus anuncia o Reino, e que não é muito extensa. O lago é o elemento divisor, não só geograficamente, mas teologicamente, assim como o Rio Jordão que aparece constantemente nos evangelhos.
De um lado Jesus, seus seguidores, o ideal do Reino pregado, que visa a salvação do homem, entendida na libertação plena de tudo o que possa oprimir o ser humano, inclusive as enfermidades, em sua grande maioria atribuídas a possessão demoníaca, porque a medicina era precária e não conseguia dar conta de explicar e combater essas enfermidades.Então, as coisas nessa área da saúde, que não se conseguia explicar, atribuía-se á Força demoníaca, um pouco parecido com o que hoje se vê nas igrejas neo-pentecostalistas onde alimenta-se o poder dos supostos “ministros de Deus”, com a expulsão dos demônios.
O que temos do outro lado, nessa terra dos Gadarenos? Exatamente o contrário, lá as pessoas paganizadas não conhecem os profetas, a Lei de Moisés, nem imaginam quem é Jesus e nem querem dele saber, sendo ele um intruso, um estranho no ninho e por conta disso, o ser humano é escravo e possesso do mal, do pecado e do egoísmo nele presente.
O evangelho nos apresenta o confronto entre esses dois mundos tão diferentes: o do Reino de Deus, que traz Vida e Liberdade para todos, e o Reino do Mal, que aprisiona e esmaga o homem dentro de si mesmo, no submundo das trevas, da ignorância, arrogância e prepotência, distantes de Deus e longe desse Reino Novo. Qualquer semelhança com a pós-modernidade, será mera coincidência.
“Que tens a ver conosco, Filho de Deus?”. O que Deus tem a ver com a nossa vida, com a Família, Vida conjugal, vida social, política e economia? A nossa Igreja, portadora do anúncio da Salvação, é constantemente rechaçada na pós-modernidade, quando fala em questões de ética, moral, defesa da Vida, da Família e da Dignidade humana. As ideologias contrárias aos princípios cristãos, vem de encontro á Igreja, para questioná-la com a mesma arrogância e prepotência dos demônios que possuíam esses dois infelizes relatados no evangelho ”Que tens a ver conosco, Jesus, Filho de Deus, viestes nos atormentar?”. De fato, para a Força do mal presente na sociedade, o anúncio do evangelho é um tormento porque questiona, gera discernimento e nos leva a tomar decisão contrária aos interesses do mal.
Com respeito a manada de porcos, faço, por minha conta uma ponte com o evangelho de Lucas onde na parábola do Filho Pródigo, este acaba sendo um limpador de chiqueiro de porcos. Despojado da sua dignidade, o homem escravo do pecado, acaba se submetendo á força do mal, da qual torna-se um servidor, como no caso do Filho Pródigo que era “cuidador de porcos”.
Os demônios imploram a Jesus que querem ir para os porcos, pois diante dele o Mal reconhece o seu lugar. E por fim, a manada de porcos se precipita ao lago do alto de um penhasco perecendo afogados. Lago e mar têm o mesmo significado no evangelho: é o domínio das forças do mal, de monstros como Leviantã, potência máxima do Mal.
2. O grande poder de Jesus
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
Mateus reproduz aqui uma narrativa de milagre que Marcos já incluíra em seu evangelho, alguns anos antes. Embora mencione dois possessos, e não um, Mateus resume a narrativa de Marcos e a inclui no bloco de dez milagres, em seguida ao milagre da tempestade no mar acalmada. Com estes milagres, Mateus prepara o envio dos doze e o discurso missionário.
Enquanto em Marcos a narrativa destaca a dimensão amorosa e libertadora de Jesus em face dos vários sistemas opressores, tanto na área de influência judaica como em território gentílico, em Mateus o destaque é o grande poder de Jesus. O seu poder é sobre a natureza e sobre os demônios. Assim revestido de poder, Jesus é apresentado com os traços do messias esperado pelo judaísmo.
Percebem-se, assim, as diferenças de enfoques sob os quais é visto Jesus: por um lado, Jesus libertador e amoroso, por outro lado, Jesus poderoso.

Oração
Pai, coloca-me bem junto de teu Filho Jesus, para que as forças do mal não prevaleçam contra mim nem me mantenham prisioneiro de seu poder opressor.
3.A VITÓRIA SOBRE O MAL
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
O incidente com a vara de porcos, em território pagão, esconde uma temática teológica, retrabalhada pelo evangelista a partir de um motivo folclorístico, com traços de comicidade: o Filho de Deus venceu o mal, libertando a humanidade do poder demoníaco.
Os espíritos malignos, tendo-se apoderado dos dois gadarenos, tornaram-nos refratários a Jesus, levando-os a rejeitar sua presença. Insociáveis e violentos, esses homens viviam no mundo da morte, pois moravam nos sepulcros, seu lugar de habitação, tendo sido reduzidos a um estado de total desumanização.
A presença de Jesus reverteu este quadro. Era impossível que ele ficasse impassível diante de uma situação tão deplorável! Sua atitude imediata foi libertar os gadarenos, ordenando aos demônios que voltassem para o mundo da impureza, simbolizada pelos porcos presentes nas imediações. Foi deles a iniciativa de pedir para serem mandados para lá. Afinal, os homens tinham sido recuperados para a vida, libertados do mal.
Os habitantes de Gadara não foram capazes de reconhecer o poder de Jesus. Um misto de medo, confusão e ressentimento pela perda dos porcos apoderou-se deles. Por isso, pediram que ele se retirasse de seu território.
Em todo caso, doravante os dois homens miraculados seriam um símbolo vivo do poder libertador do Messias Jesus.
Oração
Espírito que liberta do mal, purifica meu coração de tudo quanto me desumaniza e me impede de viver em comunhão com meus semelhantes.

Santa Isabel


Nasceu na Espanha no ano de 1270. Pertencia à família real de Aragão, que lhe concedeu uma ótima formação cristã.
Foi entregue em casamento ao rei Diniz, rei de Portugal, com apenas 12 anos de idade, e já dava testemunho de uma esposa cristã, uma mulher de oração e centrada na Eucaristia e ajudou a propagar a grande devoção à Nossa Senhora da Conceição.
Aos 20 anos teve seu filho Afonso IV, que viveu muitos conflitos com o pai. Isabel era mulher de caridade e reconciliadora, vivendo isso bem a partir de sua família.
Era rainha, mas nunca esqueceu que também era irmã dos mais necessitados.
Uma de suas últimas obras de caridade talvez, foi cuidar do seu próprio esposo. Dom Diniz que tanto a fez sofrer, agora precisava dos cuidados de Isabel, que se dispôs, quis cuidar dele. Ele ficou doente em 1324 e faleceu no ano seguinte.
Então Isabel deixou a sua condição de viver no palácio como rainha e recebeu o hábito como franciscana, clarissa.
Em 1336 saiu de Coimbra e foi ao encontro de seu filho, devido a um novo conflito familiar. Mesmo com 66 anos e enferma conseguiu chegar. Foi acolhida e ouvida por seu filho.
Ali ela faleceu, mas foi enterrada em Coimbra, como era seu desejo. Está enterrada em uma Igreja dedicado a ela.
Santa Isabel, rogai por nós!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Evangelho (João 20,24-29)


20 24 Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
25 Os outros discípulos disseram-lhe: "Vimos o Senhor". Mas ele replicou-lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!"
26 Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!"
27 Depois disse a Tomé: "Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé".
28 Respondeu-lhe Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!"
29 Disse-lhe Jesus: "Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!"
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho


1. “Ressurreição: mistério para se acolher e contemplar...”(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Hoje é Dia de São Tomé e o evangelho evidentemente não traz a ele uma crítica, antes, um elogiou e louvor pela sua atitude, pois ao contrário do que se pensa, São Tomé deixou-se levar pela Fé no Ressuscitado... Mas o modo como está relatado, parece que ele faltou na celebração e depois, ainda duvidou do anúncio e testemunho dos seus irmãos de comunidade. A atitude de Tomé é a do homem que se deixa levar pela Fé, permitindo que ela seja, a partir de agora, esse novo jeito de se relacionar com Jesus Ressuscitado. Claro que aqui se toma o exemplo de um, que é São Tomé, para falar da experiência de todos e principalmente das comunidades cristãs do primeiro século da Igreja, que fizeram essa experiência.
Sabemos que Jesus Ressuscitado vai á frente de todas nossas comunidades cristãs, mas não podemos vê-lo e nem tocá-lo, mas o vemos pela Fé ( sem precisar usar o nosso imaginário sobre o tipo físico de Jesus, do mesmo modo que, a sua presença real na Eucaristia não é fruto da nossa imaginação).
O testemunho da nossa Fé no Cristo Ressuscitado, só se torna mais consistente quando vivemos em comunidade onde celebramos aquilo que Cremos e quem não participa da comunidade não consegue crer na Ressurreição do Senhor. A Comunidade não se reúne de vez em quando, para matar a saudades de Jesus e ficar o recordando mas a cada oito dias se reúnem em torno da Palavra e do Pão.
E por fim uma observação importante, Jesus não vai dizer a Tomé, ao final do evangelho, “Credes porque me tocastes”, mas sim “Credes porque me vistes...”. Para fazer esta belíssima profissão de Fé, que ainda hoje podemos rezar solenemente diante da apresentação do Cordeiro, por parte do sacerdote, Tomé não precisou tocar nas marcas da paixão que o Senhor lhe apresentou (O evangelho não fala que ele tocou) E Jesus vai dizer que ele o viu “Credes porque me vistes...”.
Trata-se de um modo novo de olhar para Jesus, pois o Crucificado é o Ressuscitado, e agora a Fé, é o único modo de vê-lo, e sentir a sua presença na Igreja. Essa profissão solene de Fé, também é o ato de Fé das primeiras comunidades, que contrariando o poder do império romano, professava o Senhorio de Jesus, Único Deus e Senhor, e não o do Imperador, que tinha as prerrogativas divinas e exigia culto de adoração.
2. Bem-aventurados os que não viram e creram(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
Jesus continua presente entre seus discípulos, após a sua crucifixão. A humanidade de Jesus, o Filho de Deus, desde seu nascimento, está inserida na vida divina e eterna. As aparições não são fundamentais para a fé em Jesus, na sua divindade e na sua eternidade. O próprio evangelho de João narra como o discípulo que Jesus amava, vendo o túmulo vazio, teve fé, sem ver o Ressuscitado.
Os evangelhos de Mateus, Lucas e João narram aparições do Ressuscitado a algumas mulheres e apóstolos. Testemunhar ter visto, tocado e comido com o Ressuscitado pode ser um fator de convencimento do fato da ressurreição.
Porém, em continuidade ao movimento de Jesus, ao longo dos séculos, os discípulos creram sem ver o Ressuscitado. Esta narrativa de João acentua este aspecto. Se Tomé fez questão de tocar e ver para crer, não é exemplo para os demais. Bem-aventurados são os que não viram e creram.
Oração
Espírito de fé no Ressuscitado, a exemplo do discípulo amado, faze-me professar a fé no Senhor que está vivo e presente em nosso meio, sempre pronto a nos ajudar.
3.CRER SEM VER(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
Tomé é a tipologia do "ver para crer". A esta, Jesus contrapõe a bem-aventurança dos que creram sem ver.
Entre as primeiras comunidades vinculadas à comunidade de Jerusalém, surgiu a tradição do ver o ressuscitado como condição para as primeiras lideranças. A partir daí, somos chamados a crer nestas testemunhas, sem ver.
O episódio do Evangelho de hoje relativiza as narrativas de visões do ressuscitado. Na cena do encontro do túmulo vazio, o discípulo que Jesus amava creu sem ver o ressuscitado. Para crer não é necessário ver.
A fé brota da experiência de amor que os discípulos tiveram no convívio com Jesus, e da mesma experiência de amor que se pode ter, hoje, nas relações fraternas de acolhimento, de doação e serviço, de misericórdia e compaixão, na fidelidade às palavras do Mestre.

São Tomé

 
Pertenceu ao grupo dos doze apóstolos. O Senhor o chamou dentro de sua realidade, com suas fraquezas e até com suas crises de fé.
Nosso Senhor Jesus revelou a nós coisas maravilhosas através de São Tomé:
"Tomé lhe disse: 'Senhor, nós nem sabemos para onde vais, como poderíamos saber o caminho?' Jesus lhe disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6).
Tomé nunca teve medo de expor a realidade de sua fé e de sua razão, que queria saber cada vez mais e melhor. Quando Jesus apareceu aos apóstolos ao ressuscitar, Tomé não estava ali, e aí encontramos seu testemunho: "Oito dias depois, os discípulos encontravam-se reunidos na casa, e Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!” Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,26-28).
O Papa São Gregório Magno meditando essa realidade de São Tomé diz: "A incredulidade de Tomé não foi um acaso, mas prevista nos planos de Deus. O discípulo, que, duvidando da Ressurreição do Mestre, pôs as mãos nas chagas do mesmo, curou com isso a ferida da nossa incredulidade".
Segundo a Tradição, Tomé teria ido, depois de Pentecostes, evangelizar pelo Oriente e Índia onde morreu martirizado, ou seja, morreu por amor, testemunhando a sua fé.
São Tomé, rogai por nós!