segunda-feira, 30 de abril de 2012

Evangelho (João 10,1-10)


Naquele tempo, disse Jesus: 10 1 "Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
2 Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem.
4 Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz.
5 Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos".
6 Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar.
7 Jesus tornou a dizer-lhes: "Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.
8 Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram.
9 Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem.
10 O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho


1. "Só o Bom Pastor tem a Senha"(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Se o coração de cada ovelha fosse um arquivo, poderíamos dizer em uma linguagem atual, que só o Bom Pastor que é Jesus Cristo, tem a senha ou a palavra chave para comunicar-se com suas ovelhas. Os Maus pastores de Israel, e os maus pastores de hoje, seriam os Hackers que só têm segundas intenções com as ovelhas. A estes Jesus chama de Ladrões e mercenários, justamente porque não têm a senha, não sabem o segredo para passar pela porta da vida das ovelhas, mas pulam a janela e as ovelhas não os conhecem, por isso não o seguem.

O texto traz uma dura crítica aos líderes religiosos daquele tempo, que conduziam mal o rebanho, usando das ovelhas em benefício próprio. A inspiração vem do Profeta Ezequiel que usou muito bem essa comparação nos tempos em que, aqueles que Deus colocou á frente do seu povo, para guia-los, protegê-los e defendê-los dos perigos, fizeram tudo ao contrário, deixaram o Povo dispersar e cair nas mãos de um povo estranho ( exílio da Babilônia).

Vendo a resistência á sua pessoa e missão, manifestada pelas lideranças do Judaísmo, preocupados em não perder seus privilégios e regalias, por conta das funções desempenhadas na religião de Israel, de maneira hipócrita se apegam á tradição e rejeitam a Jesus. E o povo começa a comparar a atuação de Jesus e a dos líderes religiosos, a ponto de um dos evangelhos dizer que "Jesus ensinava com autoridade, e não como os Doutores da Lei e Fariseus".

Eu fiquei pensando na importância de uma porta em nosso dia a dia, para entrar na casa dos outros é preciso passar por uma porta, mas sem autorização fica difícil. Hoje em dia temos os interfones e até a câmera que mostra quem é que está querendo entrar. Antigamente batia-se palmas e gritava "Ô de casa!" e alguém respondia "Vá entrando....". Quem entra passa a fazer parte, torna-se conhecido e íntimo do outro. Neste mundo nem todas as portas estão abertas para todos. Um site mais completo chama-se portal... Na internet também temos muitas portas, umas que levam para a vida, outras à morte.

Uma coisa é certa, a porta de Deus estava fechada para os homens e trancada por dentro, nenhum ser humano conseguiria abri-la, a não ser pelo lado de dentro. Jesus não era humano, mas abriu-nos essa porta e isso lhe custou caro: encarnou-se e assumiu nossa mísera natureza humana, despertando no coração do homem esse desejo e essa vontade de entrar na casa de Deus, coisa que só tornou-se possível a partir de Jesus Cristo, por isso, nesse evangelho ele diz "Eu sou a porta". Porta para entrar no coração de Deus Pai, mas também no coração das pessoas, é uma passagem de mão dupla, Nós vamos a Deus e em Jesus Deus vem até nós.

O pecado que é o mau uso da nossa liberdade nos faz fechar acidentalmente a porta por dentro impedindo o nosso acesso a Deus e o acesso Dele a nós, entretanto, como está fechada por dentro, só ele consegue abrir. De nossa parte é preciso apenas bater... Não com o nó dos dedos, mas do coração que o busca com toda sinceridade, porque simplesmente não Vive sem ELE...

2. A porta do redil(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)

Em complemento ao tema fundamental do evangelho, que é o dom da vida eterna, João apresenta um tema eclesial sob a forma de uma parábola: o redil das ovelhas.

Jesus dirige a parábola a alguns fariseus que lhe estavam próximos, após a cura de um cego. Jesus, de início, se afirma como sendo a porta do redil. É através dele que entram os verdadeiros pastores e as ovelhas, formando a autêntica comunidade. Os fariseus, rejeitando Jesus, estão desqualificados como pastores. É também uma advertência aos fiéis das comunidades para não retornarem às práticas e observâncias tradicionais, das quais foram libertados por Jesus. A sentença final exprime todo o sentido da encarnação: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância".

Oração
Pai, torna-me um discípulo dócil de Jesus, o verdadeiro pastor que arriscou a própria vida para me salvar. Somente ele poderá conduzir-me para ti.

3. Advertência à Comunidade
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).

Em complemento ao tema fundamental do Evangelho, que é o dom da vida eterna, João apresenta este tema eclesial: o redil das ovelhas. E versa sobre a responsabilidade dos líderes de comunidades diante da missão de serem testemunhas deste dom da vida eterna. Jesus é a porta para os pastores, e também para as ovelhas. Há aqueles que vêm apenas para roubar, matar e destruir as ovelhas. É uma alusão aos chefes religiosos que se apegam à Lei, ultrapassada, e não recebem Jesus. Trata-se ainda de uma advertência aos fiéis das comunidades para não retornarem as práticas e observâncias tradicionais, das quais foram libertados por Jesus. Quem entrar por Jesus encontrará pastagem, isto é, alimento para a vida. É a vida em abundância, a vida eterna.

São José Benedito Cottolengo

Hoje, lembramos São José Benedito Cottolengo que nasceu em Bra, na Itália, onde desde de pequeno demonstrou-se inclinado à caridade. Com o passar do tempo e trabalho com sua vocação, tornou-se um sacerdote dos desprotegidos na diocese de Turim.
Quando teve que atender uma senhora grávida, que devido à falta de assistência social, morreu em seus braços; espantado, retirou-se em oração e nisso Deus fez desabrochar no seu coração a necessidade da criação de uma casa de abrigo que, mesmo em meio às dificuldades, foi seguida por outras. Esse grande homem de Deus acolhia pobres, doentes mentais, físicos, ou seja, todo tipo de pessoas carentes de amor, assistência material, físico e espiritual.
Confiando somente nos cuidados do Pai do Céu, estas casas desde a primeira até a verdadeira cidade da caridade que surgiu, chamou-se "Pequena Casa da Divina Providência". Diante do Santíssimo Sacramento, José Cottolengo e outros cristãos, que se uniram a ele nesta experiência de Deus, buscavam ali forças para bem servir aos necessitados, pois já dizia ele: "Se soubesses quem são os pobres, os servirias de joelhos!".
Entrou no Céu com 56 anos.
São José Benedito Cottolengo, rogai por nós!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Evangelho (Marcos 16,15-20)


Naquele tempo, 16 15 disse Jesus aos seus onze discípulos: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.
16 Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
17 Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas,
18 manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados".
19 Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.
20 Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho

1. "Os sinais que acompanharão os que crerem..."
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
___ São Marcos, aproveitando que hoje é a sua festa na liturgia da nossa querida Igreja, a gente tem uma pergunta que está "entalada" aqui, é sobre os sinais miraculosos que deverá acompanhar os que crêem...
Marcos ___Bom, primeiramente vejam o objetivo do evangelho que escrevi, e assim será mais fácil de entender o conteúdo de cada um dos escritos.
___Então há uma intenção por trás de cada relato?
Marcos ___Claro que sim, no meu evangelho sempre tive a intenção de mostrar que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, as palavras e as frases sempre giram em torno dessa proclamação...
___ Ué, mas isso não é óbvio São Marcos?
Marcos - Hoje para vocês do segundo milênio sim, mas para as primeiras comunidades tudo era muito vago e ninguém tinha certeza de nada. Havia muitas heresias em torno de Jesus Cristo, e nós tínhamos que mostrar a Verdade e essa era a principal delas "Jesus é o Filho de Deus".
___Ah, agora lembrei de uma coisa, que lá na morte de Jesus no calvário, no seu evangelho um Centurião aos pés da cruz dá um bonito testemunho quando diz "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus".
Marcos - Pois é, e esta afirmativa é o cume do meu evangelho, ele fecha com chave de ouro todas as narrativas desde o Batismo de Jesus, seus ensinamentos e milagres, até a sua morte na cruz...
___ São Marcos, e essa história de continuar com a missão de Jesus, foi isso mesmo?
Marcos - Sim, pois continuar com a missão não foi uma decisão dos discípulos, mas uma obediência ao mandato de Jesus "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura..."
____Ah bom... Estamos começando a entender, não se trata de um projeto e de uma iniciativa humana...
Marcos ___Claro que não! Se fosse assim, as coisas jamais teriam dado certo e vocês aí do segundo milênio não teriam recebido o evangelho exatamente do modo como anunciamos lá no início...
___ Puxa vida... A entrevista chegou ao fim e não conseguimos falar da nossa principal dúvida: esses sinais miraculosos eu confesso que a gente não tem em nossas comunidades, exorcizar demônios, falar novas línguas, meter a mão em serpente, beber veneno mortal e não morrer, curas milagrosas. Não é este o perfil de nossas comunidades... Tem algumas coisas fora do normal aqui e ali, mas em geral não é assim...
Marcos ____Olhe! Cada ação dessa citada no evangelho, como parte do mandato missionário, tem um simbolismo muito forte para as primeiras comunidades: eram sinais evidentes de que Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, acompanhava a missão dos apóstolos justamente para confirmar a autenticidade da Palavra anunciada que é poderosa.
____Ah então quer dizer que os tais sinais miraculosos são em função do anúncio e para confirmar a Palavra, e não ações isoladas em um outro contexto?
Marcos - Lógico que não, a Palavra anunciada liberta o homem das forças do demônio, coloca em sua boca a nova linguagem do amor, que todos entendem, e a questão de pegar em serpentes ou tomar veneno mortal e sair ileso, nos remete ao Genesis, onde uma serpente tentou a Eva e a envenenou com o mal do pecado. Podemos reler em Marcos exatamente isso, de que apesar de expostos ao Mal presente no mundo, o discípulo fiel seguidor de Jesus Cristo, jamais será contaminado porque ele contém a Vida e a Graça que Jesus concedeu junto com a missão.
2. Anunciar a Boa-Nova na confiança da presença de Jesus nesta missão
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
Este texto é um acréscimo tardio ao evangelho de Marcos. Indica já uma incipiente prática institucional do batismo, com uma imatura intolerância. A fé é associada a sinais extraordinários. Há uma aproximação das fontes de Lucas, o qual em Atos narra o episódio em que uma serpente prende-se à mão de Paulo sem que ele nada sofra. A narrativa da ascensão de Jesus também é exclusiva de Lucas.
O texto reflete a prática missionária nas comunidades provavelmente do fim do primeiro século. Notam-se o empenho em "anunciar a Boa-Nova por toda parte" e a confiança na presença de Jesus, com o conforto que proporcionava aos discípulos.
Hoje se compreende que a prática missionária não é condenatória nem marcada por fatos extraordinários. E esta prática é exercida com a certeza da presença viva de Jesus de Nazaré entre nós. O sinal por excelência da missão é o amor misericordioso. É a descoberta, a valorização e o cultivo dos sinais de vida nas comunidades, entre todos os povos.
Oração
Senhor Jesus, contemplando tua ascensão para junto do Pai, assumo a tarefa de levar, ao mundo inteiro e a toda criatura, a mensagem do teu Evangelho.
3. O EVANGELHO DE MARCOS
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
A tradição identifica o autor deste Evangelho com São Marcos, que foi com Barnabé, seu primo, e com Paulo para a primeira viagem missionária a partir de Antioquia (At 13,2.5). Seria também o filho de Maria, em cuja casa Pedro se abrigou em Jerusalém (At 12,12). Marcos escreveu seu Evangelho provavelmente no ano 65, sendo depois, nas décadas de 80 e 90, seguido pelos Evangelhos de Mateus, Lucas e João. Marcos, em seu texto, resgata as memórias históricas de Jesus de Nazaré, abandonadas pela visão cristológica que se concentrava no Jesus ressuscitado (Cristo). Seu Evangelho termina com a narrativa das mulheres que encontram o túmulo de Jesus vazio e são avisadas pelo anjo de que "Jesus, de Nazaré, o crucificado... vos precede na Galiléia...". As narrativas de aparições do ressuscitado (Mc 16,9-20) são acréscimos posteriores, feitos pela Igreja estruturada, provavelmente já no segundo século, a qual achou por bem reforçar neste Evangelho a dimensão do Cristo glorioso.

São Marcos Evangelista

Celebramos com muita alegria a vida de santidade de um dos quatro Evangelistas: São Marcos. Era judeu de origem e de uma família tão cristã que sempre acolheu aos primeiros cristãos em sua casa: "Ele se orientou e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma numerosíssima assembléia a orar" (Atos 12,12).
A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim como dia de Pentecostes, onde "inaugurou" a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma.
São Marcos na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não teve fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo. Por isso, evangelizou no poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou comunidades. Ficou conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária, que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.
São Marcos, rogai por nós!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Evangelho (João 6,30-35)

Naquele tempo, 6 30 perguntaram eles: "Que milagre fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Qual é a tua obra?
31 Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: ´Deu-lhes de comer o pão vindo do céu´".
32 Jesus respondeu-lhes: "Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu;
33 porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo".
34 Disseram-lhe: "Senhor, dá-nos sempre deste pão!"
35 Jesus replicou: "Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho


1. "Manjare... Manjare, camina sempre..."
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Meu saudoso Pai sempre dizia essa frase, em seu italiano caipira, para nos dizer da necessidade de comer, para poder caminhar. Há no antigo testamento uma bonita prefiguração da Eucaristia, em uma passagem com o Profeta Elias, quando tendo vencido os deuses dos cananeus, e sofrendo dura perseguição e ainda jurado de morte pela perversa Rainha Jezabel, o profeta a caminho do Horeb, deitou-se em baixo de uma árvore disposto a ficar por ali, tal era o eu cansaço e desânimo. Mas o anjo lhe apresenta um pedaço de pão e uma jarra de água o exortando "Levanta-te e come, o caminho é longo..."
Jesus se apresenta como pão enquanto um alimento especial, que os conduzirá para longe, onde a travessia do deserto era "fichinha". Para os seus interlocutores, o maior sinal fora o de Moisés, que havia dado aos seus pais no deserto um maná que os alimentou todos os dias até que terminassem a travessia. A visão dos seus interlocutores, e também do homem da pós-modernidade, não consegue vislumbrar nada além desta vida terrena. Parece que todos os objetivos e metas a serem alcançadas se limitam a esta vida terrena.
Ao se apresentar como o Pão verdadeiro que dá a Vida ao mundo, Jesus está ensinando que o Maná foi apenas um meio que Deus providenciou para que o Povo alcançasse uma Vida Nova na terra prometida, mas o Pão que é Cristo, ele próprio é a Vida que Deus dá aos homens. Não é um alimento apenas para a alma e nem apenas para o corpo, mas para o homem em sua integridade, como Filho de Deus, destinado a chegar á Plenitude da Vida em uma terra que não se limita mais a uma região geográfica, como foi com o Povo da Antiga Aliança, mas algo que como aquele povo nem conseguimos vislumbrar, mas que se tornou uma esperança Viva no Novo Moisés que é Jesus Cristo, aquele que caminha á nossa frente, e que nos conduzirá a esta terra onde corre leite e mel, onde não tere4mos mais nenhuma limitação.
2. No pão, Jesus comunica sua missão
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
O tema central deste capítulo seis do evangelho de João é o "pão", apresentado como expressivo símbolo da pessoa de Jesus. Após o gesto de Jesus de partilhar o pão com a grande multidão, João apresenta um longo diálogo seu, já em Cafarnaum, com a multidão que o procura, com os judeus e os discípulos. A partir do pão, Jesus comunica o sentido de sua missão e de sua vida.
Em seu evangelho, João não fala em "milagres". Os gestos de Jesus são "sinais" de uma realidade maior revelada pelo Pai, através dele. O grande sinal recente foi o da partilha dos pães. Os sinais apontam para as obras de Jesus, que é o pão que desce do céu. Estas obras consistem em fazer a vontade do Pai, que é dar vida, e vida eterna, ao mundo.
Os que ouvem Jesus pedem deste pão para sempre. Eles pensam no pão que é o simples alimento do dia a dia. Jesus se revela como o pão da vida. Ir a ele é alimentar-se deste pão. Jesus foi todo ele doação, serviço e amor a todos. Na comunhão com Jesus e com os irmãos encontramos a vida eterna.
Oração
Pai, dá-me sensibilidade para perceber que a presença de Jesus, na nossa história, é a grande obra que realizaste: dar-nos a vida eterna.
3. EU SOU O PÃO DA VIDA
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
Continua o diálogo entre Jesus e a multidão que o seguiu até Cafarnaum após a partilha dos pães. Ela não havia entendido o sinal da partilha. Mesmo percebendo que Jesus propõe algo novo, pede-lhe um sinal celestial para crer. Talvez sinais espetaculares como os de Moisés no deserto, conforme a tradição de Israel. Querem um messias poderoso, mesmo que seja opressor e explorador. Jesus diferencia-se de Moisés. O sinal de Jesus é o dom de si mesmo, como pão que alimenta, no resgate e no cultivo da vida. É a transformação das pessoas, que, acolhendo seu amor, passam a ser também fonte de vida para outros. O "pão", pão do céu e pão da vida, é mencionado seis vezes neste diálogo. Antes, Jesus oferecera à samaritana a fonte de água viva que jorra para a vida eterna, e a samaritana lhe pede dessa água. Agora, a multidão pede desse pão descido do céu, que dá vida ao mundo. Jesus identifica-se com o próprio pão que alimenta a vida eterna em nós. Ir a Jesus, pão da vida, e crer é encontrar em Deus a vida e a paz.

São Fidélis (Fiel) de Sigmaringa


O santo de hoje nasceu em Sigmaringa (Alemanha) no século XVI. Seu nome de batismo era Marcos Rei. Era dotado de grande habilidade com os estudos. Marcos era um cristão católico, tornando-se mais tarde um conhecido filósofo e advogado. Porém, havia um chamado que o inquietava: a consagração total a Deus, a vida no ministério sacerdotal.
Renunciando a tudo, entrou para a família franciscana, para os Capuchinhos. Enquanto noviço, viveu um grande questionamento: se fora do convento ele não faria mais para Deus, do que dentro da vida religiosa. Buscou então seu mestre de noviciado que, no discernimento, percebeu que era uma tentação.
Passado isso, ele se empenhou na busca pela santidade. Seu nome agora se tornou “Fidélis” ou “Fiel'. E buscou ser fiel à vontade de Deus. Estudou Teologia, foi ordenado e enviado à Suíça para uma missão especial com outros irmãos: propagar a Sã Doutrina Católica.
São Fidélis dedicou-se totalmente em iluminar as consciências e rechaçar as doutrinas que combatiam a Igreja de Cristo.
Depois de uma Santa Missa, com cerca de 45 anos, teve o discernimento de que estava próxima sua partida. Fez uma oração de entrega a Deus e, logo em seguida, foi preso e levado por homens que queriam que ele renunciasse à fé.
Fidélis deixou claro que não o faria, e que não temia a morte. Ajoelhou-se e rezou: “Meu Jesus, tende piedade de mim. Santa Maria, Mãe de Deus, assisti-me”. Recebeu várias punhaladas e morreu ali, derramando seu sangue pela Verdade, por amor a Cristo e Sua Igreja.
São Fidélis, rogai por nós!

domingo, 22 de abril de 2012

Evangelho (Lucas 24,13-35)

24 35 Os dois discípulos, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão.
36 Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco!"
37 Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito.
38 Mas ele lhes disse: "Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações?
39 Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho".
40 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.
41 Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: "Tendes aqui alguma coisa para comer?"
42 Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado.
43 Ele tomou e comeu à vista deles.
44 Depois lhes disse: "Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos".
45 Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo:
46 "Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
47 E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
48 Vós sois as testemunhas de tudo isso".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho

1. "VÓS SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS!"
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
Certa vez um amigo solicitou minha ajuda para atuar como testemunha a seu favor em um processo trabalhista, antes tive de passar pelo advogado, que sendo um ótimo profissional quis saber em detalhes tudo o que eu iria dizer diante do juiz, caso fosse necessário. Um bom testemunho é feito com firmeza, convicção e clareza de ideia, pois naquele momento a palavra é dele, e o advogado, promotor, juiz, júri, e as partes envolvidas, apenas o ouvem, uma palavra errada ou mal colocada, poderá por a perder todo o processo.
O papel de uma testemunha é convencer quem não presenciou o fato, de que o ocorrido é verdadeiro e não há nenhuma outra interpretação, por isso, se Jesus fosse como um advogado altamente profissional e rigoroso, nem os discípulos e muito menos nós, seríamos constituídos suas testemunhas.
No evangelho desse terceiro domingo de páscoa, para início de conversa o confundiram com um fantasma, e olhe que já era praticamente a terceira aparição do Senhor, à comunidade. Os dois que iam para Emaús o confundiram com um forasteiro, na comunidade, as duas primeiras reuniões foram com as portas fechadas, por medo dos judeus, e ele já tinha aparecido uma vez, no evangelho de hoje, mesmo ouvindo o depoimento dos discípulos de Emaús, e vendo Jesus aparecer diante deles, ficaram assustados e cheios de medo. Jesus falou com eles, mostrou as mãos e os pés, deixou-se tocar, ainda assim não acreditaram, a ponto do próprio Senhor lhes censurar porque estavam preocupados e tinham dúvidas no coração.
Em uma audiência diante de um tribunal, essas testemunhas seriam no mínimo desastrosas, dá até para imaginar o diálogo “Vocês viram Jesus ou não?”. “Não sabemos Meritíssimo, se realmente era ele, parecia um fantasma, a gente o viu e o tocou, ele até comeu um peixe assado, pode ser que seja ele mesmo”. Que “belo testemunho”, não afirma e nem confirma...
No final do evangelho, Lucas afirma que Jesus abriu a inteligência dos discípulos, para entenderem as escrituras. O pensamento humano tem uma tampa, um limite aonde chega a lógica humana depois de investigar e estudar muito alguma questão; dali para frente, há um mistério que só pode ser compreendido por aquele que crê, ou seja, ler as escrituras apenas com a nossa inteligência, fechada no horizonte humano, não vamos entender coisa alguma. Mas se as lermos na perspectiva de Jesus de Nazaré, sua vida, sua história, sua morte e ressurreição, iremos compreender o sentido da vida, porque nele encontramos o nosso verdadeiro DNA, a nossa origem e o nosso fim, em Cristo mergulhamos ao encontro daquele que é a Vida em toda sua plenitude, pois nele fomos recriados, mudou-se a referência.
Herdamos sim, o pecado original de Adão e Eva, mas agora já sabemos a verdade, não há possibilidade de a serpente nos enganar, pois conhecemos aquele que é mais Poderoso e Sábio do que a serpente, nós conhecemos aquele que esmagou o mal com a sua morte e ressurreição, não há duas alternativas, só uma e apenas uma, para quem desejar a Salvação: Jesus Cristo, o Filho de Deus!
Adão e Eva não sabiam o que iria lhes acontecer, não tinham ainda uma referência. Nós temos: Jesus é alguém da Trindade que se fez homem, que se faz ouvir, que se deixa tocar, que senta conosco em uma mesa e faz uma refeição, coloca todas as cartas na mesa, abre o jogo, nada esconde como o tentador e enganador. Joga às claras, ele é a luz do mundo, o único caminho e a única verdade, Ele só não pode decidir por nós, por isso o seu reino e o seu projeto de vida nos são apresentados como uma proposta, cabendo a nós usarmos o livre arbítrio para aceitá-lo ou recusá-lo.
É esse Jesus Cristo Alfa e Ômega, princípio e fim, Senhor absoluto da História e Salvador do Homem, que nos congrega como Igreja, que nos lava de nossas culpas e nos redime dos nossos pecados, que faz de nossas comunidades um pedacinho do céu prometido, mais ainda, conhecendo nossas fraquezas e limites, sabendo que temos muitas dúvidas no coração, nos alimenta com a eucaristia, fala em sua santa palavra, abrindo a nossa inteligência com o seu espírito que vem do alto.
Embora não sejamos confiáveis para serem suas testemunhas, ele mesmo nos qualifica: nossas palavras nunca caem no vazio, pois é ele próprio que fala, e nós, tocados pela graça da eucaristia, conseguimos superar os limites na nossa relação com o próximo, e se quisermos, o nosso amor será sem limites como o de Jesus, basta aceitar e querer. Isso se chama santidade de vida, que permite o entrelaçamento em nós, do humano e divino, aquele que é santo, aceita participar da nossa vida, mesmo com os seus limites e fragilidades.
Uma vez encarnado em Maria de Nazaré, Jesus se encarna de novo em cada homem, e em cada mulher, que esteja disposto a acolhê-lo, para fazê-lo nascer nos corações de outros homens e mulheres, que ainda não o conhecem, é aí que acontece o testemunho, onde o amor é imprescindível!
“Nisso reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Qualquer outro testemunho ou revelação, que não trouxer a exigência do amor a Deus e ao próximo, é falso e não será digno sequer de atenção.
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail
cruzsm@uol.com.br
2. Um mundo de amor e paz é possível
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
A narrativa dos discípulos de Emaús é exclusiva de Lucas (cf. 11 abr.). A estrutura da narrativa assemelha-se à estrutura celebrativa da Eucaristia: a escuta da palavra e a partilha do pão, na qual se reconhece a presença de Jesus.
Os dois discípulos retornam a Jerusalém para contar o que havia acontecido no caminho, e comunicam aos apóstolos reunidos o reconhecimento de Jesus na partilha do pão. Quando estão falando, o próprio Jesus aparece no meio deles. O encontro com Jesus é o encontro com a paz. É a paz em plenitude, a paz da participação da vida eterna do Pai, que Jesus traz a todos.
Mesmo depois da crucifixão de Jesus, os discípulos continuavam com dúvidas sobre o sentido de sua vida. Agora se evidencia que Jesus não foi destruído pela morte e sua missão de anunciar a conversão para participar da vida eterna deve ser continuada pelos discípulos em todas as nações. Jesus tem a vida eterna. Ele continua vivo. Não se trata de um espírito, como era admitido aos mortos em várias culturas e religiões, mas continua vivo em sua corporalidade. É o próprio Jesus de Nazaré, com o qual os discípulos conviveram por alguns anos.
Este texto de Lucas tem um sentido catequético para as comunidades de cristãos de origem judaica, as quais devem reler as escrituras sob a ótica da ressurreição, para perceberem a plenitude da vida de Jesus, e o distinguirem do tradicional messias glorioso esperado por Israel. O equivoco desta tradicional expectativa messiânica fica em evidência na fala de Pedro aos "homens de Israel", diante do Templo de Jerusalém, declarando que eles mataram Jesus, o qual, contudo, foi ressuscitado por Deus (primeira leitura).
As comunidades de discípulos devem viver na paz, conscientes da presença de Jesus. A paz é aspiração de todos os povos e religiões. Quem faz a guerra contra a paz são os poderosos na conquista de mais riqueza e poder. A paz pode ser encontrada em Jesus, que tem a vida eterna e a comunica a todos.
O anúncio da conversão para o perdão dos pecados tem sua origem na pregação de João Batista. Jesus a assume e a aponta como o caminho para a vida eterna. Trata-se da conversão à prática da justiça, na plenitude do amor, pela qual o pecado é removido do mundo. Na observância da palavra de Jesus, o amor de Deus é plenamente realizado (segunda leitura).
Os discípulos de Jesus, em todos os tempos e povos, são convocados a testemunhar que um mundo novo onde reinem a paz e o amor, revestido de eternidade, é possível.
Oração
Senhor Jesus, que tua paz aconteça na minha vida e na vida das comunidades cristãs, para sermos, assim, testemunhas da tua Ressurreição.
3. REALIDADE DA RESSURREIÇÃO
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
Após o encontro do túmulo vazio pelas mulheres, Lucas narra as aparições do ressuscitado aos discípulos de Emaús, e, agora, aos onze apóstolos e companheiros. Este texto, exclusivo de Lucas, tem um sentido catequético. As comunidades de cristãos de origem judaica devem reler as escrituras sob a ótica da ressurreição, para perceberem a plenitude da vida de Jesus e o distinguirem do tradicional messias glorioso esperado por Israel. O núcleo da narrativa é a comunicação da paz, a afirmação da realidade corpórea do ressuscitado e o testemunho missionário. As comunidades de discípulos devem viver na paz, conscientes da presença de Jesus. A paz é aspiração de todos os povos e religiões. Quem faz a guerra contra a paz são os poderosos, para conquistar mais riqueza e poder. A paz só pode ser encontrada em Jesus, que tem a vida eterna e a comunica a todos. A vida eterna, ultrapassada a condição temporal, como ressuscitados, envolve a totalidade da pessoa, corpo e alma, e não como um espírito desencarnado. O ressuscitado não é um espírito. Apresentando-se em "carne e osso", identifica-se com o próprio Jesus de Nazaré. É o Jesus que partilhou o pão com o povo, que trouxe paz a todos e que continua presente na comunidade. Agora, os discípulos devem testemunhar a todas as nações a conversão à justiça para a remoção dos pecados (primeira leitura). A conversão à prática da justiça leva à construção de um mundo de paz, liberto do pecado, assumido por Deus. A conversão à justiça é a prática do mandamento do amor (segunda leitura). E pelo amor se entra em comunhão com Deus em sua vida eterna.

São Crescente

Nasceu em Mira, na Ásia Menor. Crescente chorou muitas vezes quando percebia pessoas que se entregavam a religiões politeístas, de muitas divindades, longe daquele que é o único Senhor e Salvador: Jesus Cristo.
Seu esforço era o de levar a sua experiência. Primeiro, através de uma oração de intercessão constante pela conversão de todos.
Certa vez, numa festa pagã aos deuses, ele se fez presente e movido pelo Espírito Santo, começou a evangelizar. Inimigos da fé cristã o levaram a um juiz, que propôs que ele "apenas" expressasse exteriormente o culto às divindades pagãs, com o objetivo de preservar sua vida.
Crescente desprezou a proposta, e foi martirizado por não negar a Jesus Cristo.
São Crescente, rogai por nós!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Evangelho (Lucas 24,35-48)


3 31 "Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a todos.
32 Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o seu testemunho.
33 Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro.
34 Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele concede o Espírito sem medidas.
35 O Pai ama o Filho e confiou-lhe todas as coisas.
36 Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários ao Evangelho


1. "Fé, um Elo com aquilo que somos de fato..."
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Há pessoas que acham que esse negócio de Fé, é apenas mais uma opção de vida, uma questão de opinião, e nesse caso trata-se de algo que não é essencial e ter ou não ter, não faz nenhuma diferença. Na verdade quem pensa dessa forma comete um equívoco terrível e que no final da história será desastroso. Não porque Deus irá castigar quem não têm Fé, mas porque a Fé é esse Elo com aquilo que realmente nós somos e não tê-la assume-se o risco de viver a esmo sem saber para onde estamos caminhando...
Faltando-lhe a Fé o homem tenta se apoiar em ideologias humanas, Filosofias de Vida, racionalismo e tudo mais que lhe apresente um sentido para o existir. Acontece que todas essas coisas até ajudam, mas haverá um momento em nossa vida, que nenhuma delas dará resposta aos nossos anseios.
Tudo que o homem vai desvendando á Luz da ciência vai também perdendo seu encanto e nada há neste mundo que não possa ser explicado, entretanto, a Fé implica no Mistério de Deus e esse será sempre inacessível a quem não crê. Neste evangelho Jesus fala em coisas opostas para explicar que realmente são coisas diferentes, porém interligadas pela Fé. Aquele que vem da Terra e aquele que vem do Céu... Falam de coisas diferentes, e o conhecimento humano nunca conseguirá abarcar a Fé, mas esta consegue envolver o conhecimento humano, aprimorá-lo e conduzi-lo além, pois quando há da parte do homem essa abertura necessária, Deus se permite encontrar e se Revela.
Jesus Cristo seu Filho foi quem iniciou essa experiência, Ele é de fato Aquele que veio do Céu, que nos trouxe as coisas do céu falando abertamente sobre elas, mas por outro lado se encarnou entre nós tornando-se, portanto, um de nós, e sendo também aquele que veio da terra e por isso o seu testemunho é autêntico e verdadeiro, porque veio de cima, mas fala a nossa linguagem, sendo um de nós.
Na verdade a chave da Vida está em Jesus Cristo, só Nele chegaremos a compreensão de quem somos, de onde viemos e para onde caminhamos, pois o Pai confiou-lhe todas as coisas, inclusive a Vida de cada homem e cada mulher. Por isso quem Nele crer se apossará dessa chave que permitirá abrir a porta que se abre para um Novo Horizonte, nunca dantes imaginado pelo Homem. Mas todo ato de Fé deve sempre partir da Liberdade humana, prova de que Deus nos ama, porque nos permite escolher e tomar decisões, ainda que sejam contrárias ao seu desígnio, claro que daí o homem tem de arcar com as consequências, se decidir descartar definitivamente a Fé de sua Vida.
2. Originalidade e a autenticidade do testemunho de Jesus
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
Embora o evangelho de João tenha, aproximadamente, a mesma extensão que o de Mateus e de Lucas, o seu vocabulário é bem menor do que o destes dois evangelhos. Isto porque João costuma repetir as palavras-chave, com retomadas dos temas fundamentais. João o faz com didática e harmonia, a fim de aprofundar estes temas.

No evangelho de hoje, João, a partir das oposições céu e terra, crer e não crer, afirma a originalidade e a autenticidade do testemunho de Jesus em revelar a Boa-Nova de Deus. Aquele que vem do céu, Jesus, foi enviado para anunciar as palavras de Deus e dar o espírito sem medida. Ele está acima de todos. Quem é da terra, sejam profetas, discípulos ou adversários, só entende segundo suas tradições terrenas. Jesus, enviado por Deus, fala das coisas do céu. Porém, ele dá o espírito sem medida, que inspira a fé e a compreensão das coisas do alto. O auge da revelação é o dom da vida eterna a todo aquele que crê em Jesus, Filho de Deus. E a vida eterna é conhecer a Deus (Jo 17,3), no amor fraterno vivido na comunidade acolhedora e aberta ao mundo.
Oração
Pai, faze-me dócil e acolhedor diante do testemunho de Jesus que nos revela a tua Palavra, empenhando-me a levar cada ser humano a entrar em profunda comunhão contigo.
3. A BOA NOVA DE DEUS
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
O Evangelho de João, de maneira admirável, une a didática, a poética e o simbolismo. Recorrendo freqüentemente à repetição dos temas e palavras-chave principais da revelação de Jesus, seu Evangelho apresenta um vocabulário bem mais reduzido do que os Evangelhos sinóticos.
Neste texto de hoje, a partir das oposições céu e terra, crer e não crer, são afirmadas a originalidade e a autenticidade do testemunho de Jesus em revelar a Boa-Nova de Deus. Aquele que vem do céu, Jesus, foi enviado para anunciar as palavras de Deus e dar o espírito sem medida. Ele está acima de todos. Quem é da terra, sejam profetas, discípulos ou adversários, só entende segundo suas tradições terrenas.
Jesus, enviado por Deus, fala das coisas do céu. Porém, ele dá o espírito sem medida, que inspira a fé e a compreensão das coisas do alto. O auge da revelação é o dom da vida eterna a todo aquele que crê em Jesus, Filho de Deus. E a vida eterna é conhecer a Deus (17,3), no amor fraterno vivido em comunidade, na missão de resgatar a vida e a dignidade humana no mundo.

Santa Ema


Por parte de sua mãe, não existia testemunho e nem incentivo à santidade. O chamado que ela tinha no coração era ao Matrimônio. Então casou-se com o Conde Ludgero e teve um filho, o qual se abriu à vocação que Deus o chamava, e iluminado pelo testemunho da sua mãe Ema, tornou-se sacerdote e depois bispo.
Ao ficar viúva, Ema discerniu e decidiu consagrar sua viuvez ao Senhor, numa vida de oração expressa na caridade. Muitos conventos e abadias foram construídas através de sua generosidade, porém, ela viveu no meio da sociedade, administrando seus bens para o beneficio do próximo.
Santa Ema passou os últimos momentos de sua vida numa abadia, após 40 anos de dedicação a Deus, falecendo em 1045.
Depois de muito tempo abriram seu túmulo, e encontraram o seu corpo todo em pó, exceto a sua mão direita estava intacta. Aquela mão que ela mais dava. Um sinal de que a santidade passa pela caridade.
Santa Ema, rogai por nós!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Evangelho (João 3,16-21)


3 16 Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
18 Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus.
19 Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
20 Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários do Evangelho

1. "A Vocação para o amor... Essência da Vida Humana"
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Todo Ser humano deve abrir-se para esta vocação comum a que foi chamado por Deus para essa existência. O sentido da Vida do homem está no amor. Portanto, Jesus, o Filho de Deus não veio para "forçar a barra" obrigando o homem a reconhecer a Deus. O ato de amor supremo que Deus manifestou no seu Filho Jesus é um convite para o homem olhar para si mesmo, sua vocação a viver um amor da plenitude, olhando para Jesus e o conhecendo melhor, o Ser humano olha para si mesmo e se reconhece como imagem e semelhança de Deus, com uma vocação natural para o amor. Crer em Jesus não é um projetar-se para fora, mas para dentro, não o aceitá-lo, não acreditar Nele é contrariar a própria natureza humana, é tirar de si mesmo a Dignidade própria de ser também Filhos de Deus e portanto, irmãos no Senhor.
O homem está inserido dentro de Deus, Ele é a realidade que nos envolve, estamos no útero de Deus, sendo gestados nesta vida para a Plenitude a que Deus nos criou e nos predestinou e que não é um mundo estranho, pois Jesus, que tem em si esses dois mundos e as duas naturezas, a Humana e a Divina, veio até nós e está entre nós. Jesus, Nosso Deus e Senhor, é o Elo com tudo o que somos realmente, segundo o Desígnio Divino.
Por esta razão no evangelho de hoje Jesus nos é apresentado como o Fiel da Balança, o sentido da Vida, a nossa realização como pessoa, depende da nossa Crença Nele, e quem não crer em Jesus já está condenado, a viver uma existência sem nenhuma perspectiva, onde é proibido sonhar com algo de promissor em uma outra Vida, quem não crer em Jesus está negando a Vocação natural para o amor que impulsiona a Vida.
E a Vida de quem não crê, perde então o seu sentido verdadeiro, as dúvidas e incertezas são constantes, muda-se a todo o momento de caminho e no final da jornada descobre-se horrorizado que todos os caminhos percorridos pela mera razão, não conduziram a lugar nenhum. Por isso João contrapõe Luz e Trevas, pois quem descobriu o sentido da Vida que está em Cristo, encontrou respostas para mil perguntas sobre a existência humana, encontrou, portanto a Luz da Verdade que iluminará suas decisões e irá requalificar todas suas obras tornando-as obras da Luz.
Cada dia, cada hora e cada momento desta vida, é uma oportunidade valiosa que Deus nos concede para fazermos essa descoberta. Essa possibilidade termina com a morte biológica, quando devemos estar prontos para plenificar a nossa existência e seguir em frente...
2. Em Jesus o Pai manisfesta seu amor
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
A revelação de Jesus, na continuidade do diálogo com Nicodemos, atinge seu auge nesta sua conclusão. Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho, enviando-o pela sua concepção no ventre de Maria, na encarnação. O novo Adão, Jesus, já é a realidade da nova humanidade: é o homem que, na condição de Filho de Deus, já é divino e eterno.
O fruto do amor não é a condenação, mas a salvação, que é realizada por Deus, com o dom gratuito da vida eterna, e alcançada pela fé. Jesus, a luz do mundo, vem como dom e prova do amor de Deus. Sua glória, que é a glória do Pai, é a comunicação deste amor.
Contudo, afastam-se da luz aqueles que amam as trevas. Estes, escravos da riqueza e do poder, praticam a injustiça e a violência, promovem a guerra, semeando a miséria e a morte.
Entram em comunhão de vida eterna com Jesus todos aqueles que praticam a verdade e a justiça, empenhados na promoção da vida plena para todos.
Oração
Senhor Jesus, conduze-me sempre pelos caminhos da vida. E ensina-me a ser grato ao Pai por seu grande amor à humanidade.
3. CRER EM JESUS
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
João, ao longo de seu Evangelho, retoma e aprofunda os temas anunciados no Prólogo (1,1-18). A encarnação é fruto do amor de Deus ao mundo. E este amor consiste em conceder a vida eterna a quem crer em Jesus. Em oposição à Lei que fixa o pecado e condena, Jesus vem para libertar e dar vida. Crer nele é converter-se. A adesão de fé a Jesus e a conversão resultam do acolher o seu testemunho e as suas palavras. Ele é a luz do mundo. Após anunciar a luz no Prólogo, João o repete com insistência em seu Evangelho. A luz é a transparência, a compreensão, a verdade e o bem que geram a vida. As trevas são as ambigüidades, o engodo, a mentira e o mal que procuram sufocar a vida. Quem se recusa a sair das trevas para caminhar na luz vai tendo sua própria vida sufocada. Porém, a luz tem o poder de invadir as trevas. Assim também Jesus, com seu amor, invade os corações e os atrai para si.

Santo Apolônio

Santo do século II, era uma figura pública, um senador. Pôde assistir e se deixar tocar pelo testemunho de inúmeros mártires no tempo de Nero.
Ele percebia naqueles cristãos, que viviam dentro de um contexto pagão, o único e verdadeiro Deus presente naqueles martírios por amor a Cristo.
Já adulto, com a ajuda do Papa Eleutério, ele quis ser cristão e foi muto bem formado até chegar à graça do Batismo.
Apolônio, como muitos, ao se deparar com a lei de Nero, teve que se dizer, pois também foi denunciado.
Ele não renunciou a Jesus, mesmo ocupando uma alta posição na sociedade. Seu amor a Deus foi concreto.
Santo Apolônio é exemplo, para que sejamos testemunhas do amor de Deus, onde quer que estejamos, na profissão que exerçamos, com a idade que tenhamos.
Santo Apolônio, rogai por nós!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Evangelho (João 3,7-15)


Disse Jesus a Nicodemos: Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo.
8 O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito.
9 Replicou Nicodemos: Como se pode fazer isso?
10 Disse Jesus: És doutor em Israel e ignoras estas coisas!...
11 Em verdade, em verdade te digo: dizemos o que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas não recebeis o nosso testemunho.
12 Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais?
13 Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu.
14 Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem,
15 para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO


1. "Ainda sobre Nicodemos, um catequizando persistente..."


Muitos catequizandos e catequizandas desistem no meio do caminho, porque descobrem que a catequese não é um amontoado de conceitos religiosos e doutrinais, no decorrer dos encontros e com o passar dos dias percebem que a Palavra de Deus ali ensinada os obriga a rever sua vida e a abrir-se para um modo novo de viver, mudando algumas coisas. Daí muitos acabam desistindo, às vezes frequentam até o fim, mas logo após a Crisma somem das Comunidades...
Nicodemos não é desses, percebeu que a coisa era mais séria do que pensava, ele era um Doutor em Israel, como disse o próprio Jesus, mas não teve medo de demonstrar sua falta de conhecimento em relação às coisas profundas que Jesus lhe dizia. Acostumado a pensar e a se relacionar com o Deus da Aliança, através dos ritos, holocaustos no templo e o seguimento da Lei de Moisés, Nicodemos aprende que o importante é a Fé no Filho do Homem que é Jesus.
Jesus por seu lado, não foi arrogante, mas paciencioso, de maneira sábia e prudente, como deve ser um catequista, entrou no mundo de Nicodemos, tomando como exemplo alguém que ele admirava e lhe era de extrema importância em sua crença Judaica. Acho que foi naquele momento que Jesus conquistou o coração de Nicodemos, quando falou de Moisés, que levantou a serpente de bronze no deserto, bastando que quem tivesse sido picado pelas serpentes venenosas, olhasse para ela e já estaria salvo. Basta um olhar de Fé para Jesus e a salvação acontecerá na vida dá passos e ela passará a ter a Vida Eterna...
Com isso Jesus não fica só na teoria, mas esclarece que a Salvação é um processo dinâmico, todos os dias, nas mais diferentes situações, movidos pelo Espírito Santo, em nossas ações manifestamos nossa Fé e adesão a Jesus Cristo e vamos sendo curados de nossas dores e pecados, vamos morrendo com ele mas também ressuscitando...
É isso que significa nascer de novo, um fato que agora já era luz e certeza no coração daquele catequizando...

2. Traços de uma catequese batismal


Neste texto do evangelho temos a continuidade do diálogo de Jesus com Nicodemos. Pode-se pensar que o evangelista João, ao fazer sua narrativa, com as expressões: "nascer da água", "nascer do alto" e "nascer do espírito", faz uma alusão ao batismo. Percebem-se aí traços de uma catequese batismal. É o batismo de João, na água, assumido pelo Espírito, em Jesus. O Espírito sopra onde quer e as comunidades cristãs vão surgindo livres de critérios de raça ou tradição.
Nicodemos só entende a letra nas Escrituras e manifesta incompreensão do testemunho de Jesus, que fala do que conhece e do que viu "no céu". Não se abre à inspiração do Espírito. Jesus dá por encerrado o diálogo.
Na parte final do texto, com uma construção literária diferente do diálogo, João passa a esclarecer o caráter celestial de Jesus. Quem olhasse a serpente de bronze levantada por Moisés, não morreria das picadas venenosas. Assim, pela fé em Jesus, que vivendo a plenitude do amor foi levantado na cruz, alcança-se a vida eterna.
Oração
Pai, lança-me, cada dia, na aventura do Espírito, que me tira do comodismo e do abatimento e me faz superar meus próprios limites.

3. ALUSÃO AO BATISMO

Continua o diálogo de Jesus com Nicodemos, o qual exprime o impasse entre a incredulidade da sinagoga e a fé das comunidades cristãs no tempo de João. O nascer da água e do espírito é uma alusão ao batismo. Podemos ver aí traços de uma catequese batismal. É o batismo de João, na água, assumido pelo Espírito, em Jesus. O Espírito sopra onde quer e as comunidades cristãs vão surgindo livres de critérios de raça ou tradição.
Nicodemos só entende a letra nas Escrituras. Não se abre à inspiração do Espírito e não aceita o testemunho de Jesus, que fala do que conhece e viu "no céu". Com uma construção literária diferente do diálogo, o Evangelho de João passa a esclarecer o caráter celestial de Jesus. Quem olhasse a serpente de bronze levantada por Moisés não morreria das picadas das serpentes. Assim a fé no Filho do Homem exaltado na cruz leva à vida eterna.

Santo Aniceto

Seu Papado durou 11 anos. Isso no século II.

Deparou-se com a heresia do Gnosticismo, o racionalismo cristão, uma supervalorização do conhecimento, onde bastava isso para a Salvação. Com isso, os méritos de Cristo, os sacramentos e a graça do Senhor ficavam de lado.

Contou muito com a ajuda do filósofo cristão São Justino e do bispo Policarpo. Auxiliado por esses doutores e, com a graça de Deus, combateram esse racionalismo.

A fé e a razão são duas asas que nos levam para a Salvação, Jesus Cristo. Ele que é Caminho, Verdade e Vida. E a vida do santo de hoje demonstrou que aí está a fonte da felicidade.

Santo Aniceto, rogai por nós!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

153º Cursilho Masculino da Diocese de Leopoldina



Realizou-se nos dias 13 a 15 de abril, no Centro de Pastoral Dom Reis, em Leopoldina, MG, o 153º Cursilho Masculino da Diocese. O encontro foi repleto de êxitos. Cursilhistas e Responsáveis demonstram que o Espírito Santo se fez presença forte durante o Encontro. Que as bençãos do Pai e de sua Mãe Maria, nossa intercessora, desça sobre todos os Cursilhistas da Diocese.
Parabéns e Saudações Decolores!

Evangelho (João 3,1-8)


3 1 Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2 Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: "Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele".
3 Jesus replicou-lhe: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus".
4 Nicodemos perguntou-lhe: "Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?"
5 Respondeu Jesus: "Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
6 O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
7 Não te maravilhes de que eu te tenha dito: ´Necessário vos é nascer de novo´.
8 O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentários ao Evangelho


1. "Nicodemos entrou na Catequese..."
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Gosto de Nicodemos pois ele era um homem de grande importância entre os Judeus, pessoa da mais alta reputação, que representava toda a tradição de Israel. Sentiu-se atraído por Jesus, ouvia falar de seus milagres, de suas palavras e ensinamentos e começou a admirá-lo, quis entrar na catequese para aprender mais e foi á noite, porque receava ser descoberto pelos irmãos do Judaísmo, afinal tinha um nome a zelar...
Está certo que só isso já é razão para criticá-lo e dizer que hoje em dia tem muitos cristãos como ele, que têm medo e vergonha de professar a sua Fé. Mas temos que olhar o outro lado da questão, com medo ou não, Nicodemos começou naquela noite a abrir a sua vida e o seu coração para que Jesus entrasse.
Começou a aula dizendo que sabia quem era Jesus, mas demonstrava claramente o desejo de saber ainda mais, olha que bonita confissão de Fé "Rabi sabemos que és um Mestre vindo de Deus, pois ninguém pode fazer esses milagres que fazes se Deus não estiver com ele". Jesus como um bom catequista aproveita o entusiasmo e a abertura do novo catequizando e aprofunda a lição explicando que quem quiser entrar no Reino de Deus precisa nascer de novo...
Nicodemos era um aluno novo, recém, iniciado na Fé e não compreendendo o ensinamento não teve vergonha de colocar a sua dúvida. A verdadeira catequese é sempre dialogante, e quer levar o catequizando a fazer uma experiência profunda com Jesus. E Jesus retoma pacientemente a lição afirmando que se trata de um nascimento espiritual e não carnal, trata-se de uma Vida Nova que vem com o Batismo, dado pelo Espírito Santo que é a Força de Deus e, portanto, não dá para se manipular. Vem e vai, sopra onde quer, como vento, e o homem sente a sua ação, mas não consegue detê-lo ou controlá-lo. A iniciativa é totalmente de Deus.
Jesus na verdade está dizendo que, aquele que se abre á graça de Deus, permite que nele tenha início o processo de algo novo que ninguém conseguirá impedir que aconteça.
Nicodemos tinha tudo para ser como os outros e odiar a Jesus de Nazaré rejeitando sua pessoa, seu ensinamento e suas obras para condená-lo á morte, entretanto, naquela noite na primeira aula de catequese algo mudou dentro dele.
Vamos encontrá-lo no enterro de Jesus, junto com José de Arimatéia, agora na qualidade de discípulo porque mantendo a abertura para a Graça de Deus dada em Jesus, ele encontrara finalmente a Verdade e ela o libertou... Mas este processo não foi da noite para o dia, Nicodemos foi um bom catequizando...
2. Nascer de novo
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)
Em João, este diálogo com Nicodemos acontece durante a primeira visita de Jesus a Jerusalém, depois da expulsão dos comerciantes do Templo. Os sinais feitos por Jesus despertaram a fé em muitos. Jesus percebia que era uma fé superficial, misto de curiosidade e sinceridade.
Nicodemos representa o grupo dos fariseus. Encontra-se com Jesus, furtivamente, à noite. Reconhece que Deus está com Jesus, mas está apegado à expectativa do messias glorioso. Sua formação legalista não lhe permite entender a mensagem de Jesus, em sua linguagem simbólica. Não compreende o que é nascer do alto, nascer da água e do Espírito. Em lugar da rigidez da Lei carnal, é o Espírito que a todos conduz.
O nascimento do alto, a acolhida e a docilidade ao Espírito de amor completam a criação do homem e da mulher.
Oração
Pai, faze-me nascer de novo e renovar minha condição de discípulo de Jesus, totalmente confiado em ti, a serviço da construção do teu Reino.
3. NASCER DE NOVO
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).
Várias eram as interpretações sobre a identidade de Jesus. Este chefe dos judeus, Nicodemos, o considera um "rabi". Os rabis eram mestres da Lei que ensinavam a sua estrita observância, pela qual se antecipariam os tempos apocalípticos da manifestação da glória de Israel. Diante do engano de Nicodemos, Jesus, com sutileza, lhe apresenta o caminho da conversão: o nascer do alto. É a proposta da substituição da Lei pelo Espírito. Nicodemos, que representa a doutrina judaica, não o entende. O nascer do Espírito é a perfeição da criação, confere à carne o dom da eternidade e aos homens e mulheres, a filiação divina. A ação vivificante do Espírito não está atrelada a nenhum sistema religioso ou legal. O Espírito é livre, sopra onde quer, e assim também quem nasce do Espírito.