Este é um evangelho daqueles bem desconcertantes, porque em
tempo em que se cometem crimes horrendos que chocam a opinião pública,
praticados por bandidos cruéis, há no coração do povo um sentimento de vingança.
Um pouco pela própria natureza humana, que diante de uma agressão pensa na
vingança como forma de punir o agressor, mas este sentimento é também calcado no
coração das pessoas pela mídia sensacionalista que mistura indignação, ódio e
vingança, enfiando tudo goela abaixo do povo que a toma como uma verdade
absoluta sendo que a proposta é sempre a mesma: eliminar a árvore, porém sem
mexer em sua raiz, eliminar o efeito sem se preocupar com a causa. “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam,
abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam”
Para muitos cristãos este evangelho é difícil de ser praticado e então o empurram para baixo do tapete, como fazemos com aquela “sujeirinha” inoportuna, quando não queremos fazer uma faxina pra valer em nossa casa. Primeiramente é bom que se esclareça algo muito importante: Jesus não fez esse ensinamento a toda multidão, mas apenas aos que o ouviam, isto é, aos seus discípulos, os mesmos para os quais já havia dito no sermão da planície, a frase revolucionária “Feliz os pobres porque deles é o Reino de Deus”.
Para muitos cristãos este evangelho é difícil de ser praticado e então o empurram para baixo do tapete, como fazemos com aquela “sujeirinha” inoportuna, quando não queremos fazer uma faxina pra valer em nossa casa. Primeiramente é bom que se esclareça algo muito importante: Jesus não fez esse ensinamento a toda multidão, mas apenas aos que o ouviam, isto é, aos seus discípulos, os mesmos para os quais já havia dito no sermão da planície, a frase revolucionária “Feliz os pobres porque deles é o Reino de Deus”.
Mas afinal de contas quem é o nosso inimigo? É todo que nos faz
ou nos deseja algum tipo de mal, de pequenas ou de grandes proporções. A
inimizade existe em todo lugar, escola, trabalho, família, vizinhança, esporte,
e até em lugar onde ela nunca deveria existir: na comunidade, entre ministros,
agentes pastorais, dirigentes, coordenadores e obreiros. Diante desse evangelho,
imediatamente pensamos nas situações críticas da sociedade onde assistimos a
confronto de classes, chacinas, extermínios, atos de violência explícita no
confronto entre nações. Então um sentimento de impotência nos domina e achamos
que nada há para se fazer a não ser rezar.
Mas a coisa mais importante que devemos fazer, de maneira bem
prática, é olharmos mais perto, para o nosso quotidiano onde nos relacionamos
com as pessoas. Que sentimentos alimentamos com nossos gestos, palavras e
atitudes? A quem devemos ouvir e dar razão: ao mundo que propõe a vingança e o
extermínio de quem pratica o mal, ou ao evangelho de Cristo, que nos ensina o
amor, o perdão e a misericórdia?
Jesus não condena uma pessoa que quer justiça e vingança contra
alguém que lhe fez mal. Esta é uma reação humana, perfeitamente compreensível e
natural, de acordo até com um ensinamento bíblico do Antigo Testamento, de que
se deve fazer o bem a quem nos faz o bem, e o mal a quem nos deseja o mal, é a
lei do talião, olho por olho e dente por dente, fato que acontece com o melhor e
mais santo dos cristãos. Somos homens desta terra, descendentes e Adão e irmão
de Caim, que cometeu o primeiro crime da história ao matar seu próprio irmão
Abel por ciúmes e inveja.
Porém, lembra-nos o apóstolo Paulo na segunda leitura, o
Espírito vivificante nos transformou em Homens celestiais a partir da graça que
Jesus nos concedeu, dom imerecido que nos santifica e nos configura ao próprio
Cristo, portanto capacitados para viver na relação com o próximo, aquele único e
verdadeiro amor com o qual Deus nos ama em seu Filho Jesus.
A proposta desse jeito novo de se relacionar é apenas para os
discípulos do Senhor que hoje são todos os que crêem e são batizados, vivendo em
comunidade com os irmãos e irmãs. É aí que devemos trabalhar no sentido de
superarmos na graça de Deus, qualquer sentimento de ódio, mágoa ou vingança,
contra alguém que nos fez o mal.
Da comunidade vamos para a família e desta para o nosso
ambiente de trabalho, é isso que Jesus pede de nós nesse evangelho, pois somente
nos exercitando no amor, na misericórdia e no perdão, com as pessoas com quem
convivemos, é que teremos a coragem de anunciar o evangelho falando o contrário
do que o mundo nos ensina.
Somente assim estaremos sendo Filhos do Altíssimo, imagem e
semelhança do Pai de Misericórdia que em Jesus nos ama, jamais nos tratando
segundo as nossas faltas. Na próxima quarta feira terá início mais uma quaresma,
tempo oportuno para reconhecermos que somos imperfeitos, ainda uma imagem muito
distorcida de Deus que é todo perfeição e santidade. Dado este primeiro passo, a
graça transbordante do Senhor, em um processo dinâmico de conversão, nos
configurará a Cristo, imagem perfeita do Amor de Deus vivido com os irmãos.
(Diácono José da Cruz - Paróquia Nossa Senhora Consolata)
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