domingo, 15 de dezembro de 2013

Comentário do evangelho - A alegria da vinda do Messias

  
      Neste 3º Domingo do Advento, a Igreja nos apresenta a pessoa, a figura, a missão e o profetismo de João Batista. Não podemos falar do caminho do Messias, da presença de Jesus no meio de nós, sem dizermos – e apontarmos – o papel que teve João Batista para preparar o caminho do Senhor.
 
     João era um profeta. Foi o último dos profetas do Antigo Testamento e o profeta que abriu as portas para o tempo novo, o tempo da graça, o tempo da chegada do Messias.  Nós sabemos, pelos relatos evangélicos, que João era um homem de vida ascética. Era um homem que vivia a disciplina, o rigor, se preparando espiritualmente para Aquele que viria. João foi santificado ainda no ventre de sua mãe, Isabel. O nascimento dele foi anunciado pelo Arcanjo Gabriel, o mesmo que anunciou a Maria que ela seria a Mãe do Salvador.
 
     João foi preparado para o Céu – desde o ventre da sua mãe – com uma missão muito específica: nos mostrar o caminho e a direção do Senhor. João não era a “Palavra”, mas era a “voz”, que nos mostra qual é a verdadeira Palavra de Deus. João não era o “Caminho”, mas era a “seta”, que nos mostra a direção do caminho do Senhor.
 
     Nós precisamos, nos dias de hoje, nas nossas casas, famílias, igrejas, nos grupos, na sociedade, de muitos homens como João Batista! Sim! Homens imbuídos desse espírito profético, que tenham a coragem e a audácia de não apontarem para si mesmos, mas apontarem para Jesus e dizer: “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30). A Igreja, hoje, precisa de muitos homens como João Batista! Homens e mulheres que apontem quem é o Messias, quem é o Salvador.
 
     Nós não podemos tomar o lugar de Jesus. Nós não podemos ser o “salvador” e o “libertador”. Nós não podemos fazer de ninguém – padre, pastor, pregador, cantor – o Messias e o Salvador, porque nenhum de nós não é digno nem sequer de desatar as correias sandálias do Senhor! (cf. Jo 1, 27c). Nós somos apenas as “setas”, aqueles que devem mostrar ao mundo quem é Jesus.
 
     Que o Senhor tenha misericórdia e compaixão de nós por todas as vezes em que aparecemos mais do que Ele! Que a nossa única missão seja esta: apontar para o mundo, para as pessoas, que só existe um Salvador, que só existe um Caminho e uma Vida.
     A Vida, o Caminho, a Luz do Mundo é Jesus, nosso Senhor e Deus.
 
Pe Roger Araújo
Comunidade Canção Nova

Santo do dia - Santa Virgínia Centurione Bracelli


   Virgínia, riquíssima, filha de um doge da República de Gênova, nasceu em 2 de abril de 1587. O pai, Jorge Centurioni, era um conselheiro da República. A mãe, Leila Spinola, era uma dama da sociedade, católica fervorosa e atuante nas obras de caridade aos pobres. Propiciou à filha uma infância reservada, pia e voltada para os estudos.
 
 
          Mesmo com vocação para a vida religiosa, Virgínia teve de casar, aos quinze anos, por vontade paterna, com Gaspar Grimaldi Bracelli, nobre também muito rico. Teve duas filhas, Leila e Isabela. Esposa dedicada, cuidou do marido na longa enfermidade que o acometeu, a tuberculose. Levou-o, mesmo, para a Alexandria, em busca da cura para a doença, o que não aconteceu. Gaspar morreu em 1607, feliz por sempre ter sido assistido por ela.

        Ficou viúva aos vinte anos de idade. Assim, jovem, entendeu o fato como um chamado direto de Deus. Era vontade de Deus que ela o servisse através dos mais pobres. Por isso conciliou os seus deveres do lar, de mãe e de administradora com essa sua particular motivação. O objeto de sua atenção, e depois sua principal atividade, era a organização de uma rede completa de serviços de assistência social aos marginalizados. O intuito era que não tivessem qualquer possibilidade de ofender a Deus, dando-lhes condições para o trabalho e o sustento com suas próprias mãos.

        Desenvolvia e promovia as "Obras das Paróquias Pobres" das regiões rurais conseguindo doações em dinheiro e roupas. Mais tarde, com as duas filhas já casadas, passou a dedicar-se, também, ao atendimento dos menores carentes abandonados, dos idosos e dos doentes. Fundou uma escola de treinamento profissional para os jovens pobres. Numa fria noite de inverno, quando à sua porta bateu uma menina abandonada pedindo acolhida, sentiu uma grande inspiração, que só pôs em prática após alguns anos de amadurecimento.

        Finalmente, em 1626, doou todos os seus bens aos pobres, fundou as "Cem Damas da Misericórdia, Protetoras dos Pobres de Jesus Cristo" e entrou para a vida religiosa. Enquanto explicava o catecismo às crianças, pregava o Evangelho. As inúmeras obras fundadas encontravam um ponto de encontro nas chamadas "Obras de Nossa Senhora do Refúgio", que instalou num velho convento do monte Calvário. Logo o local ficou pequeno para as "filhas" com hábito e as "filhas" sem hábito, todas financiadas pelas ricas famílias genovesas. Ela, então, fundou outra Casa, depois mais outra e, assim, elas se multiplicaram.

        A sua atividade era incrível, só explicável pela fé e total confiança em Deus. Virgínia foi uma grande mística, mas diferente; agraciada com dons especiais, como êxtases, visões, conversas interiores, assimilava as mensagens divinas e as concretizava em obras assistenciais. No seu legado, não incluiu obras escritas. Morreu no dia 15 de dezembro de 1651, com sessenta e quatro anos de idade, com fama de santidade, na Casa-mãe de Carignano, em Gênova. A devoção aumentou em 1801, quando seu túmulo foi aberto e seu corpo encontrado intacto, como se estivesse apenas dormindo. Reavivada a fé, as graças por sua intercessão intensificaram-se em todo o mundo.

        Duas congregações distintas e paralelas caminham pelo mundo, projetando o carisma de sua fundadora: a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, com sede em Gênova; e a Congregação das Filhas de Nossa Senhora do Monte Calvário, com sede em Roma.

        Virgínia foi beatificada em 1985. O mesmo papa que a beatificou, João Paulo II, declarou-a santa em 2003. O seu corpo é venerado na capela da Casa-mãe da Congregação, em Gênova, com uma festa especial no dia de sua morte. Mas suas "irmãs" e "filhas" também a homenageiam no dia 7 de maio, data em que santa Virgínia Centurione Bracelli vestiu hábito religioso.
 
Santa Virgínia Centurione Bracelli, rogai por nós!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Evangelho do dia - Mateus 11, 16 - 19

    


“Com quem vou comparar esta geração? É parecida com crianças sentadas nas praças, gritando umas para as outras: ‘Tocamos flauta para vós, e não dançastes. Entoamos cantos de luto e não chorastes!’ Veio João, que não come nem bebe, e dizem: ‘Tem um demônio’. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘É um comilão e beberrão, amigo de publicanos e de pecadores’. Mas a sabedoria foi reconhecida em virtude de suas obras.”
 
- Palavra da Salvação!
- Glória a vós, Senhor!

Comentário do evangelho - Os sinais do tempo


Jesus tem algo importante a dizer. Mas vê que não o escutam. O povo está agarrado ao que lhe interessa. Existem infinidades de razões para não sair da vida ordinária, normal, para continuar igual. Jesus sente pena. Mas não pelo que diz e sim por essas pessoas. Estão perdendo a oportunidade máxima de sua vida. Agora, o Evangelho se dirige a nós. É nossa oportunidade. É nosso tempo que Jesus nos convida a abrir os ouvidos, a deixar-nos tocar o coração, a mudar nossa vida porque o que ele tem a nos dizer, a mensagem do Reino,
vale a pena.


     Jesus compara as pessoas do seu tempo como crianças que brincam e se desentendem. São caprichosas e fazem birra. Refere-se aos dois grupos que se dividem entre o João penitente e austero, e, Jesus, liberal, a quem catalogam de beberrão, comilão, amigo de pessoas de má fama. João é criticado por não comer, nem beber. Jesus é criticado por comer e beber. E entre estes, há os que não querem brincar nem de uma forma, nem de outra. E Jesus fala de “resultados”. Resultados que a sabedoria de Deus revela. Numa palavra: são as ações concretas que revelarão os verdadeiros discípulos de Jesus.

Oração
Pai, que eu não me deixe bloquear pelas críticas, quando minha vida for um testemunho de serviço ao Reino, expressão de minha adesão a teu Filho Jesus.


Santo do dia - Santa Luzia ou Lúcia

    Somente em 1894 o martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV.

         Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.

         Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.

         Luzia pertencia a uma rica família napolitana de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo.

         Entretanto quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.

         Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.
 
Santa Luzia ou Lúcia, rogai por nós

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Evangelho do dia - Lucas 1, 39 - 47



Naqueles dias, Maria partiu apressadamente dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre. Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!”. Maria então disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.
 
- Palavra da Salvação!
- Glória a vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Santificada pelo amor


       A assunção de Maria ao céu deve ser entendida no contexto da totalidade de sua vida. Sem este enraizamento histórico, correr-se-á o risco de divinizá-la, a ponto de esquecer que o desfecho de sua vida está em perfeita sintonia com sua caminhada terrena. E mais: deve ser entendida como o reconhecimento divino de sua plena adesão ao desígnio que Deus tem reservado para cada ser humano. Maria soube viver com radicalidade este projeto.
     
 
          Refletindo sobre a visita de Maria a Isabel, é possível detectar o elemento centralizador de sua existência: o amor entranhado pelo próximo, caminho de santificação.
 
          Ao saber da gravidez da prima Isabel, Maria pôs-se, apressadamente, a caminho. Sem medir esforços nem intimidar-se pelos eventuais perigos que poderia encontrar ao longo do caminho, ela se sentiu no dever de colocar-se a serviço da parenta. Assim, durante três meses, a "humilde escrava do Senhor" tornou-se a "humilde serva de Isabel". O serviço à prima era uma forma de desdobramento do serviço a Deus. Ou então, o serviço a Deus concretizava-se no serviço à sua parenta.
 
          Este testemunho de amor gratuito e generoso não constituiu um fato isolado na vida de Maria. Ela se dispôs a servir a Isabel, e sempre esteve disponível para servir também a quantos dela precisassem. Por isso, mereceu ser acolhida na plenitude do amor de Deus.
 
 Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração
Espírito de amor gratuito e generoso, coloca-me no mesmo caminho de santificação trilhado por Maria, colocando-me sempre a serviço de quem carece de minha ajuda.

Santo do dia - Nossa Senhora de Guadalupe

        Como toda aparição de Nossa Senhora, a que é venerada hoje é emocionante também. Talvez esta seja uma das mais comoventes, pelo milagre operado no episódio e pela dúvida lançada por um bispo sobre sua aparição a um simples índio mexicano.

Tudo se passou em 1531, no México, quando os missionários espanhóis já haviam aprendido a língua dos indígenas. A fé se espalhava lentamente por essas terras mexicanas, cujos rituais astecas eram muito enraizados. O índio João Diogo havia se convertido e era devoto fervoroso da Virgem Maria. Assim, foi o escolhido para ser o portador de sua mensagem às nações indígenas. Nossa Senhora apareceu a ele várias vezes.

       A primeira vez, quando o índio passava pela colina de Tepyac, próxima da Cidade do México, atual capital, a caminho da igreja. Maria lhe pediu que levasse uma mensagem ao bispo. Ela queria que naquele local fosse erguida uma capela em sua honra. Emocionado, o índio procurou o bispo, João de Zumárraga, e contou-lhe o ocorrido. Mas o sacerdote não deu muito crédito à sua narração, não dando resposta se iria, ou não, iniciar a construção.

       Passados uns dias, Maria apareceu novamente a João Diogo, que desta vez procurou o bispo com lágrimas nos olhos, renovando o pedido. Nem as lágrimas comoveram o bispo, que exigiu do piedoso homem uma prova de que a ordem partia mesmo de Nossa Senhora.

       Deu-se, então, o milagre. João Diogo caminhava em direção à capital por um caminho distante da colina onde, anteriormente, as duas visões aconteceram. O índio, aflito, ia à procura de um sacerdote que desse a unção dos enfermos a um tio seu, que agonizava. De repente, Maria apareceu à sua frente, numa visão belíssima. Tranqüilizou-o quanto à saúde do tio, pois avisou que naquele mesmo instante ele já estava curado. Quanto ao bispo, pediu a João Diogo que colhesse rosas no alto da colina e as entregasse ao religioso. João ficou surpreso com o pedido, porque a região era inóspita e a terra estéril, além de o país atravessar um rigoroso inverno. Mas obedeceu e, novamente surpreso, encontrou muitas rosas, recém-desabrochadas. João colocou-as no seu manto e, como a Senhora ordenara, foi entrega-las ao bispo como prova de sua presença.

        E assim fez o fiel índio. Ao abrir o manto cheio de rosas, o bispo viu formar-se, impressa, uma linda imagem da Virgem, tal qual o índio a descrevera antes, mestiça. Espantado, o bispo seguiu João até a casa do tio moribundo e este já estava de pé, forte e saudável. Contou que Nossa Senhora "morena" lhe aparecera também, o teria curado e renovado o pedido. Queria um santuário na colina de Tepyac, onde sua imagem seria chamada de Santa Maria de Guadalupe. Mas não explicou o porquê do nome.

        A fama do milagre se espalhou. Enquanto o templo era construído, o manto com a imagem impressa ficou guardado na capela do paço episcopal. Várias construções se sucederam na colina, ampliando templo após templo, pois as romarias e peregrinações só aumentaram com o passar dos anos e dos séculos.

       O local se tornou um enorme santuário, que abriga a imagem de Nossa Senhora na famosa colina, e ainda se discute o significado da palavra Guadalupe. Nele, está guardado o manto de são João Diego, em perfeito estado, apesar de passados tantos séculos. Nossa Senhora de Guadalupe é a única a ser representada como mestiça, com o tom de pele semelhante ao das populações indígenas. Por isso o povo a chama, carinhosamente, de "La Morenita", quando a celebra no dia 12 de dezembro, data da última aparição.

       Foi declarada padroeira das Américas, em 1945, pelo papa Pio XII. Em 1979, como extremado devoto mariano, o papa João Paulo II visitou o santuário e consagrou, solenemente, toda a América Latina a Nossa Senhora de Guadalupe.
 
Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Evangelho do dia - Mateus 11, 28 - 30


    

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”

- Palavra da salvação!
- Glória a vós, Senhor!

Comentário do evangelho - Um convite de Jesus


Na preparação para o nascimento de Jesus, ele nos pede: "Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis repouso para as vossas almas” (v. 29). Ao meditarmos sobre este convite de Jesus, sentimo-nos animados, porque ele está disposto a nos acolher e nos aliviar o peso da cruz de cada dia. Mas será que poderíamos nos apropriar destas maravilhosas palavras de Jesus para as dirigir aos nossos filhos, à esposa ou o ao esposo? Se não pudermos repeti-las é urgente recebermos a doutrina de Jesus.
 
          Jesus fala de "cargas pesadas", traduzidas também como “jugo”. Não só os animais, mas também os homens carregavam o jugo, símbolo de escravidão, dependência. Originalmente, o jugo é uma peça de madeira, pesada, que se encaixa por cima do pescoço de dois animais (em geral dois bois) e ligada a um arado ou a um carro. É figura da escravidão e da opressão (1Rs 12,4). Estar sob o jugo de alguém é estar sob seu domínio. Ao contrário do “jugo” pesado da lei (Gl 5,1), o jugo de Jesus é fácil de suportar.
 
 
Pai, dá-me disposição para pôr em prática as exigências do Reino, assumidas como expressão de minha fé sincera em teu Filho Jesus. Que elas sejam para mim um jugo suave!

Santo do dia - São Dâmaso I

    Dâmaso era espanhol, mas não se descarta que ele possa ter nascido em Roma, no ano 305. Culto e instruído, ocupou o trono da Igreja de 366 a 384. Foi considerado um dos mais firmes e valentes sucessores de Pedro. Sem temer as ameaças e protecionismos imperiais, demitiu de uma só vez todos os bispos que mantinham vínculo com a heresia ariana, trazendo estabilidade à Igreja através da unidade, da obediência e respeito ao papa de Roma.

       Sua eleição foi tumultuada por causa da oposição. Houve até luta armada entre as facções, vitimando cento e trinta e sete pessoas. Mas, ao assumir, o então papa Dâmaso I trouxe de volta a tradição da doutrina à Igreja, havendo um florescimento de ritos, orações e pregações durante seu mandato. Devem-se a ele, por exemplo, os estudos para a revisão dos textos da Bíblia e a nova versão em latim feita pelo depois são Jerônimo, seu secretário.

       Em seu governo, a Igreja conseguiu uma nova postura e respeito na sua participação na vida pública civil. Os bispos podiam escrever, catequizar, advertir e condenar. Esse papa sabia como ninguém fazer-se entender com os impérios e reinados e conseguia paz para que a Igreja se autogerisse. Foi uma figura digna do seu tempo, pois conviveu com grandes destaques do cristianismo, como os santos: Ambrósio, Agostinho e Jerônimo, só para citar alguns.

       Além de administrador, era, também, um poeta inspirado pelas orações e cânticos antigos e um excelente arqueólogo. Graças a ele as catacumbas foram recuperadas, com o próprio papa percorrendo-as para identificar os túmulos dos mártires e dar-lhes as devidas honras. Nesse mesmo local exaltou os mártires em seus famosos "Títulos", ou seja, epigramas talhados nas pedras pelo calígrafo Dionísio Filocalo, com os lindos poemas que escrevia especialmente para cada um.

      Dâmaso I escolheu, pessoalmente, o túmulo no qual gostaria que fossem depositados seus restos mortais. Na cripta dos papas, localizada nas Catacumbas de São Calisto, ao término dos seus escritos em honra deles, deixou registrado: "Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem depositados meus espólios. Mas temo perturbar as piedosas cinzas dos mártires".

       Ao morrer, em 384, com quase oitenta anos, foi sepultado num solitário e humilde túmulo na via Andreatina, que ele, discreto, preparara para si. Santo papa Dâmaso I é venerado no dia 11 de dezembro.
 
São Dâmaso I, rogai por nós!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Evangelho do dia - Mateus 18, 12 - 14


    


“Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos morros, para ir à procura daquela que se perdeu? E se ele a encontrar, em verdade vos digo, terá mais alegria por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequenos.”
 
- Palavra da salvação!
- Glória a vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Ninguém deve se perder




      Jesus tinha consciência de ter sido enviado para todos e não apenas para um grupo de privilegiados. Esta consciência tornava-se ainda mais aguda, quando se tratava dos pecadores e das vítimas da discriminação social e religiosa, a quem destinava uma atenção especial
 
      Esta visão de Jesus contrastava com a mentalidade discriminatória, tanto dos fariseus e mestres da Lei, quanto de alguns de seus discípulos. Uns e outros não receavam descartar certas pessoas, ou mesmo, não se mostravam dispostos a ir em busca de quem se havia desviado do caminho do Reino.
 
      A parábola da ovelha desgarrada é um alerta contra este comportamento. As pessoas não devem ser consideradas sob o aspecto quantitativo. Neste caso, noventa e nove valem mais que uma. No projeto de Jesus, cada pessoa tem um valor infinito, e não é possível omitir-se diante de sua condição filho desgarrado. Embora fosse necessário deixar as noventa e nove ovelhas sozinhas, era mister ir em busca da que se tinha desgarrado. A motivação oferecida por Jesus é muito simples: é preciso agir assim, porque o Pai não quer a perda de nenhum ser humano. Por conseguinte, a comunidade cristã é chamada a imitar a bondade do Pai no trato com seus filhos, especialmente os mais fracos.

 Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração
Senhor Jesus, que eu esteja sempre disposto a ir em busca de quem se desviou de ti e do Reino, para reconduzi-lo ao bom caminho.

Santo do dia - São João Roberts

     A biografia de são John Roberts, para nós João Roberts, nos mostra um inglês profundamente católico que, fora de sua pátria, conseguia pregar e professar sua fé e sua religião. Mas bastava pôr os pés em sua terra natal, era preso. Várias vezes retornou à liberdade só por intervenção de estrangeiros importantes. Acabou se tornando o primeiro monge a ser executado na Inglaterra, logo após a coroação do rei Henrique VIII.

     João Roberts nasceu no condado de Merioneth, em 1576. Seus pais eram os nobres João e Ana Roberts, protestantes cujos antepassados foram príncipes de Gales. Estudou na famosa Faculdade de São João, em Oxford, mas saiu sem graduação. Depois, formou-se em direito, aos vinte e um anos, em Londres.

      Em 1598, estava estudando na faculdade inglesa de Valladoid, na Espanha. Já muito interessado no cristianismo, foi estudar na abadia dos beneditinos daquela cidade no ano seguinte. A conversão total aconteceu durante uma viagem a Paris, quando entrou para a Igreja de Roma pelas mãos de um cônego de Notre-Dame. Em 1600, finalmente, ingressou como noviço no Mosteiro beneditino de São Martinho de Compostela, Espanha.

      Na época, Roma determinou que uma missão beneditina fosse enviada à Inglaterra. João Roberts, que acabara seus estudos em Salamanca, passou a integrar as fileiras da missão. Bastou desembarcar na Inglaterra, foi imediatamente preso, sendo libertado quando o rei Jaime assumiu o poder, em 1603.

      Londres, no verão daquele ano, foi abalada pela epidemia da peste. João, então, trabalhou, incansavelmente, atendendo aos doentes. Tanto destaque teve durante esse período que foi preso novamente durante um ano, até 1606, em Gatehouse. Conseguiu a liberdade por intervenção de uma senhora espanhola, Luísa de Carvajal, muito influente na Corte inglesa, apesar de católica, por causa dos negócios existentes entre os dois países na época.

      Assim, João se exilou na Espanha. Depois, organizou o Mosteiro de São Gregório em Douai, na França, do qual foi o primeiro prior. Em outubro de 1607, João Roberts voltou à Inglaterra e foi preso novamente. Mais uma vez, escapou, mas foi recapturado e, dessa vez, só conseguiu a liberdade por intervenção do embaixador da França. Saiu do país, mas, quando voltou, foi preso outras duas vezes, sendo, finalmente, em 1610, conduzido à presença do bispo protestante Abbot e condenado à morte na fogueira.

      Foi queimado no dia 10 de dezembro do mesmo ano, na praça pública de Londres. Na sua fala, pouco antes de morrer, lamentou o monstro da heresia, o rei dos ingleses, e rezou por todos. Alguns séculos depois, foi beatificado, em 1929. O papa Paulo VI canonizou são João Roberts em 1970. A sua homenagem litúrgica ocorre no dia de sua morte.
 
São João Roberts, rogai por nós!

Carta MCC Brasil – Dezembro 2013 (172ª.)


 
“Esta é a luz verdadeira, que vindo ao mundo a todos ilumina.
Ela estava no mundo, e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a reconheceu.  Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram. A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes o poder de se tonarem filhos de Deus: são os que creem em seu nome. Estes foram gerados não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1,9-12).

Muito amados irmãos e irmãs, leitores e leitoras assíduos em frequentar estas nossas Cartas mensais:

Nossa reflexão neste mês dezembro - como, aliás, acontece todos os anos -, tem como referência obrigatória dois acontecimentos: o primeiro, fim do Ano litúrgico e início de um novo ano com o Advento, importante tempo de preparação e expectativa, e o segundo, o Natal, celebração fundamental de nossa fé cristã.

1.    Advento. Reza um conhecido provérbio popular que “o melhor da festa é esperar por ela”. Se isto é verdade para qualquer acontecimento importante histórico ou pessoal, longa e ansiosamente esperado, o é, também, mas muito relativamente, com as celebrações cristãs do Natal. Pois, o importante aqui, é a festa do nascimento do Filho de Deus. Na liturgia católica há dois momentos significativos de expectativa e preparação, a saber, a Quaresma e o Advento. Alguns “olhares” que poderão ajudar-nos nesta preparação:
 
a)     Um olhar para o ano passado. Acabamos de viver o Ano da Fé, isto é, o Ano da Palavra. Ao lançarmos um olhar para nós mesmos, podemos nos perguntar se trabalhamos de verdade para o amadurecimento e aprofundamento de nossa fé: “A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes o poder de se tonarem filhos de Deus: são os que creem em seu nome”.
 
Como foi a sua fidelidade no seguimento dos passos de Jesus, isto é, da Palavra,  durante o ano que passou? E sua participação na sua Comunidade de fé? Lembremo-nos que sempre é tempo de exprimir a Jesus e à nossa comunidade de fé um pedido de perdão e, ao mesmo tempo, de imensa gratidão por todos os dons recebidos.
 
Passado este ano, quase como um questionamento pessoal, podemos lembrar algumas palavras de Bento XVI na Carta Apostólica Porta Fidei: “Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e anélito do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar conosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação”.

b)     Um olhar para o presente. O Advento é mais um tempo que Senhor nos concede para que renovemos nossa esperança à luz da fé. A esperança de um mundo novo querido e anunciado pelo Pai ao enviar seu Filho amado para caminhar conosco anunciando um Reino de amor, de fraternidade, de justiça, de perdão e de paz. À medida que esta esperança ilumina nossa vida, vamos comprometendo-nos para que, nos limites de nossas condições de vida, façamos acontecer o Reino de Deus ao nosso redor: na família, no trabalho, na vida de relações sociais, etc. Entramos, assim, num clima de renovação de nossa fé e de nossa esperança. Entretanto, não podemos deixar de lembrar o chamado, insistido e proclamado “espírito de natal” que uma cultura já semi paganizada visa a impor a uma sociedade declaradamente materialista, relativista e consumista. Por inútil deixo de me referir em detalhes a uma preparação paganizada para o natal. Isto é, uma preparação que já começou há meses visando, única e exclusivamente, ao consumo, à satisfação do ter e, infelizmente (quem sabe, até, inconscientemente?), ao culto de deuses estranhos à cultura cristã – papais noeis, trenós, lâmpadas pisca-piscas, etc.. A isto se insiste em chamar de “espírito de natal”! Nada mais é do que quase uma imposição para o consumo de charmosas inutilidades destinadas a preencher o vazio interior e a saciar a sede do ter que, quase sempre, leva ao esbanjamento próprio de quem não descobriu - ou se a descobriu dela se esqueceu – “uma fonte de água viva jorrando para a vida eterna”! (cf.Jo 4, 14).  É atitude típica daqueles que preferem sujeitar-se à escravidão das confortáveis leis do consumo do que viver plenamente a liberdade dos filhos de Deus concretizada no amor serviçal e doado. “Ela (a Palavra) veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram”.

2.  Natal.   Ao mesmo tempo em que, agora, no Advento, tratamos de olhar para o passado e para o presente, o olhar para o Natal já daqui a poucos dias, reassume a ambos e descortina o olhar para o futuro.  Por quê?  Porque Jesus, aquele que vai nascer, aquele que esperamos no Natal de 2013 (2014 do Ano litúrgico), é aquele que já está conosco, já vive no meio de nós, é sensível às nossas dores e alegrias, deseja um mundo mais humano e mais digno para todos porque “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (Carta aos Hebreus 13,8).
 
Nunca, mas nunca mesmo nos esqueçamos de que Deus, por Jesus, começa a salvar e a libertar a humanidade a partir de sua encarnação no humano. Pobre e perseguido desde o nascimento, é assim, que Ele se identifica com suas criaturas; não a partir de cima, dos “altos céus” mas a partir dos pés no chão de nossas próprias debilidades e limitações humanas. É isso mesmo que nos lembra o
 
Papa Bento XVI: “A tradição patrística e medieval, contemplando esta «Cristologia da Palavra», utilizou uma sugestiva expressão: O Verbo abreviou-Se. «Na sua tradução grega do Antigo Testamento, os Padres da Igreja encontravam uma frase do profeta Isaías – que o próprio São Paulo cita – para mostrar como os caminhos novos de Deus estivessem já preanunciados no Antigo Testamento. Eis a frase: “O Senhor compendiou a sua Palavra, abreviou--a” (Is 10, 23; Rm 9, 28). (…) O próprio Filho é a Palavra, é o Logos: a Palavra eterna fez-Se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez--Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós». Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré”.  

Por isso, o Natal é tempo daquela alegria que ultrapassa todos os limites de outras alegrias superficiais e transitórias; é tempo daquelas luzes deslumbrantes que jamais se apagam aos olhos dos seguidores do Menino; é tempo daqueles cantos jubilosos entoados e cantados pelos anjos celestiais e ouvidos pelas comunidades orantes, mas, sobretudo, ouvido no segredo dos corações dos que amam e se identificam com o Menino da manjedoura: “Glória a Deus nos mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado” (Lc 2,14). Vamos, então, vibrando de alegria em mais um Natal, acolher a Palavra: “A quantos, porém, a acolheram (a Palavra), deu-lhes  poder de se tornarem filhos de Deus: são os que creem no seu nome...E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do seu Pai como filho único, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,12.14).

Não seria possível terminar nossa reflexão sem numa referência à Mãe do Menino, Maria. Nada mais oportuna, portanto, do que a palavra do mesmo Papa Bento XVI: “Contemplando na Mãe de Deus uma vida modelada totalmente pela Palavra, descobrimo-nos também nós chamados a entrar no mistério da fé, pela qual Cristo vem habitar na nossa vida. Como nos recorda Santo Ambrósio, cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é o fruto de todos. Portanto, o que aconteceu em Maria pode voltar a acontecer em cada um de nós diariamente na escuta da Palavra e na celebração dos Sacramentos”.
 
     A todos desejo um Santo Natal com a Virgem Maria e São José que nos acolhem à beira do presépio onde repousa o Menino que beijamos com todo o carinho do nosso coração.
 
Pe.José  Gilberto BERALDO
                 Equipe Sacerdotal do Grupo Executivo Nacional - MCC Brasil