domingo, 3 de maio de 2015

Santo do dia - São Filipe e Tiago

A comemoração conjunta dos dois apóstolos tem origem numa tradição: as relíquias dos dois mártires teriam sido levadas de Hierápolis e de Jerusalém a Roma, para repousar na igreja dos Santos Apóstolos.

      Filipe, nascido em Betsaida, aparece sempre em quinto lugar no elenco dos apóstolos. O evangelho de João, no qual é citado três vezes, oferece-nos um interessante perfil desse apóstolo, deduzido de duas respostas que ele dá a pergunta formulada por Jesus.

      Primeiramente, quando da miraculosa multiplicação dos pães, em face da bem conhecida pergunta: "Onde compraremos pão?...". Após ter passado os olhos pela multidão, Filipe refletiu de modo prático: "nem duzentas moedas seriam suficientes...".

      Durante a última ceia, quando Jesus menciona o mistério da Santíssima Trindade,Filipe intervém bruscamente: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta!...”. Diante do mistério, ele - como Tomé - deseja tocar com a mão ou, melhor dizendo, ver com os próprios olhos, "aquilo que o olho humano não é capaz de ver" sem o lumen gloriae, de que nos falam os teólogos.

      Foi quando, pela última vez, o apóstolo se fez presente. Segundo a Tradição - que, em traços sumários, relata seu perfil -, depois de Pentecostes, Filipe se consagrara a pregar o Evangelho na Ásia Menor até que, chegando aos 87 anos (época do imperador Domiciano), foi crucificado como Cristo.

      São Tiago - denominado o "Menor", para distingui-lo do homônimo, irmão de João - é primo de Jesus e autor de uma epistola dirigida a todas as comunidades cristãs. Emerge daí a figura de um homem austero e de poucas palavras.

    Com efeito, é ele quem nos admoesta sobre o comedimento no falar, pois devemos dar contas a Deus de cada palavra supérflua! Com o recuo dos séculos, suas palavras constituem um sinal: “... Ó ricos, clama contra vós os bens de que privastes os trabalhadores...".

      Sobre o martírio desse apóstolo, que foi bispo de Jerusalém (após o martírio do outro Tiago), temos notícias de primeira mão transmitidas pelo historiador judeu Flávio Josefo. Segundo este, Tiago Menor, foi apedrejado em 62, após uma tentativa de precipitá-lo do pináculo do templo. A condenação foi decretada pelo sumo sacerdote Ananias II,que se aproveitou do vácuo de poder que se seguiu à morte do procurador romano Festo.
 
São Filipe e Tiago, rogai por nós!

Fonte: Portal Paulinas


sábado, 2 de maio de 2015

Evangelho do dia - João 14, 7 - 14


    

“Se me conhecestes, conhecereis também o meu Pai. Desde já o conheceis e o tendes visto”. Filipe disse: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta”. Jesus respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai'? Não acreditais que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras. Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei”. 
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor!

 

Comentário do evangelho - Mostra-nos o Pai!


          O diálogo com os discípulos torna-se mormente delicado quando Filipe, falando em nome dos demais, pede a Jesus: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta!" Pedido ousado, se considerarmos que a piedade bíblica excluía qualquer possibilidade de alguém ver Deus e permanecer vivo. Por isso, todos os relatos de manifestação de Deus – teofania  – revelam que a pessoa que contempla a glória divina fica tomado de pavor, diante da possibilidade de morrer. Como, então, os discípulos de Jesus ousavam querer ver o Pai?

             O Mestre procura levá-los a pensar a questão de maneira correta, numa perspectiva nova. Os discípulos esperavam uma teofania, no melhor estilo das teofanias do Antigo Testamento. Jesus, porém, intervém com algo muito mais simples. Coloca-se a si próprio como mediação da visão do Pai: "Quem me viu, viu o Pai! Você não acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim?"

             A visão do Pai era a coisa mais desejada pelos discípulos. Bastaria dar um salto de qualidade para descobrir, na pessoa de Jesus, o rosto do Pai. E, para isso, era mister nutrir por Jesus fé idêntica à dedicada ao Pai. Sem uma fé verdadeira eles estariam privados da visão do Pai, ou continuariam a querer vê-lo, mas de uma maneira totalmente incorreta. A única forma de ver Deus Pai consiste em contemplá-lo na pessoa de Jesus.
Pe Jaldemir Vitório
   
Oração
Pai, que eu saiba reconhecer-te na pessoa de Jesus, expressão consumada de teu amor misericordioso por todos os que desejam estar perto de ti.

Santo do dia - Santo Atanásio


Atanásio nasceu em Alexandria, no Egito, em 296. No ano de 325, deu-se o I Concílio Ecumênico, em Niceia, para definir a doutrina autêntica contra a heresia tão capciosa dos arianos, a qual fazia de Jesus uma criatura inferior a Deus Pai. Atanásio participou do Concílio na qualidade de assessor do seu bispo, embora fosse somente diácono na época.
 
      O Arianismo foi condenado e deu-se a definição solene do Credo, o qual nós rezamos até hoje. A atuação de Atanásio foi primorosa tanto pela lucidez de sua doutrina quanto pela argumentação bíblica apresentada. Os erros dos arianos foram por ele refutados com tanto brilho, clareza e evidência, que causou admiração a todos.
 
      Atanásio foi o sucessor do bispo de Alexandria, embora tivesse apenas 31 anos, e dirigiu a Igreja de Alexandria por 46 anos, período de muito sofrimento e perseguição. Os arianos não lhe deram descanso e, com o apoio do imperador, espalharam muitas calúnias contra Atanásio, que por cinco vezes teve de fugir de sua sede episcopal.
 
      Refugiava-se no deserto onde conheceu e conviveu com o grande Santo Antão. Durante cinco anos ficou lá escondido, saindo somente à noite para dirigir sua igreja e consolar seus fiéis. Atanásio foi firme e inquebrantável com seus numerosos escritos. Manteve viva a fé no Verbo Encarnado.
 
      Faleceu reconhecido por toda a Igreja, com 77 anos. E como reconhecimento de seu trabalho, fidelidade e fundamentais obras escritas para a Santa Igreja foi declarado Doutor da Igreja.
 
Santo Atanásio, rogai por nós!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Evangelho do dia - João 14, 1 - 6

    

Jesus disse: “Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fosse assim, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também. E para onde eu vou, conheceis o caminho”. Tomé disse: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?”. Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.
 
- Palavra da Salvação!
- Glória a vós, Senhor!



Comentário do evangelho - Vou preparar-vos um lugar

Jesus não é o nosso guia, ele é o Senhor do Caminho, porque ele é o único que tem nas mãos o caminho da humanidade, e o dá, o oferece. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Esse é o Projeto de Deus para a salvação da humanidade. E para a humanidade alcançar sua divinização é necessário passar por esse Caminho, aplicar esse Método e pôr em prática esse Projeto. Jesus é a Verdade, porque ele é a fidelidade do Pai. Ele realizou tudo o que o Pai lhe pediu. Foi fiel à missão que o Pai lhe confiou. Foi fiel a todo o povo que Deus entregou em suas mãos.
 

             Embora convocasse os discípulos para se empenharem na prática do amor e da justiça, Jesus lhes descortinava, também, um horizonte para além dos limites da História. Ele lhes propunha uma meta a ser alcançada no fim da peregrinação terrena: a casa do Pai, com muitas moradas, espaço de acolhida para todos.

             As palavras do Mestre visam estimular os discípulos a seguirem em frente, sem se deixarem abater pelas adversidades. Mas, seria injusto considerá-las como incentivo à passividade e à alienação. Elas só têm sentido para o discípulo que se lança à ação.

             A meta da caminhada dos discípulos é a comunhão plena e eterna com o Pai. Comunhão esta preparada pela morte e ressurreição de Jesus que, desta forma, os precede e lhes promete ter para sempre consigo, na casa paterna.

             O caminho para se chegar à casa do Pai é o próprio Jesus, que se definiu "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Jesus é o Caminho na medida em que é a Verdade pela qual a Vida é comunicada a quem o escolhe para chegar ao Pai. A casa do Pai é alcançada na medida em que o discípulo pauta seu agir pela Verdade proclamada por seu Mestre. E assim usufrui a Vida cuja plenitude encontra-se no término do Caminho, que é o mesmo Jesus. Importa apenas que o discípulo siga fielmente esse Caminho que é guia seguro para se chegar à casa do Pai.
 
Pe Jaldemir Vitório   
 
Oração  Pai, meu coração anseia por estar em comunhão contigo, em tua casa, lugar que Jesus preparou para mim. Que eu persevere sempre no caminho que me leva a ti.

Santo do dia - São José Operário

Basta traçar um paralelo entre a vida cheia de sacrifícios de são José, que trabalhou a vida toda para ver Nosso Senhor Jesus Cristo dar a vida pela humanidade, e a luta dos trabalhadores do mundo todo, pleiteando respeito a seus direitos mínimos, para entender os motivos que levaram o papa Pio XII a instituir a festa de "São José Trabalhador", em 1955, na mesma data em que se comemora o dia do trabalho em quase todo o planeta.

      Foi no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que os patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinqüenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia.

      São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade.

      Proclamando são José protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos seres humanos, aquele que aceitou ser o pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.

      Muito acertada mais esta celebração ao homem "justo" do Evangelho, que tradicional e particularmente também é festejado no dia 19 de março, onde sua história pessoal é relatada.
 
São José Operário, rogai por nós!

Encontro do Papa Francisco com cursilhistas no Vaticano

     O Papa Francisco encontrou na tarde desta quinta-feira (30/04) na sala Paulo VI, o Movimento dos Cursilhos de Cristandade, reunidos em Roma para celebrar a Ultreya Europeia nos 70 anos de difusão do movimento no mundo e para concluir o 50º aniversário de sua presença em Itália. O Pontífice intercalou seu discurso com respostas de improviso à diversas perguntas colocadas por alguns cursilhistas no início do encontro.
 
       O Papa iniciou desculpando-se pela mudança de horário no encontro, previsto para se realizar na sexta-feira, dizendo que o Papa “é infalível somente nas questões dogmáticas, mas isto é só de vez em quando, raramente”, mas que também tem “defeitos” . E elogiou o movimento, por não fazer proselitismo - ressaltando, que a “igreja cresce pelo testemunho e não pelo proselitismo” – exortando os participantes “a traduzirem e não traírem o carisma, mas adaptá-lo à realidade local”.
 
       Justamente “o ardente desejo de amizade com Deus” dos cursilhos – ressaltou o Papa - ajudou milhares de pessoas em todo o mundo a “crescer na vida de fé”: “O método de evangelização dos Cursilhos nasce justamente deste ardente desejo de amizade com Deus, do qual brota a amizade com os irmãos. Desde o início se entendeu que somente dentro das relações de amizade autêntica era possível preparar e acompanhar as pessoas em seu caminho, um caminho que parte da conversão e passa através a descoberta da beleza de uma vida vivida na graça de Deus e chega até à alegria de tornar-se apóstolos na vida cotidiana”.
 
      Francisco destacou que no contexto moderno do anonimato e de isolamento típico das nossas cidades, é importante a dimensão acolhedora, familiar, à medida do homem, que os encontros do Cursilho oferecem, e acrescentou: “A estas pequenas reuniões de pequenos grupos é importante criar momentos que favoreçam a abertura a uma dimensão social e eclesial maior, envolvendo também quem veio em contato com o vosso carisma mas não participa habitualmente de um grupo. A Igreja, de fato, é uma ‘mãe de coração aberto’ que nos convida às vezes de ‘diminuir o passo’, a ‘colocar de lado a ansiedade para olhar nos olhos e escutar’, a ‘renunciar às urgências para acompanhar quem permaneceu ao largo da estrada”.
 
      O Papa deu aos cursilhistas uma tarefa de casa: estudar as obras de misericórdia, corporal e espiritual, para serem colocadas em prática.
 
      Entre os fundadores dos Cursilhos, o Papa citou Eduardo Bonnin Aguilo e o Bispo de  Mallorca, Dom Juan Hervas y Benet, que acompanhou o crescimento do movimento: “foram autênticos missionários. Não hesitaram em tomar a iniciativa e corajosamente se aproximaram das pessoas, envolvendo-as com simpatia e acompanhando-as no caminho da fé com respeito e amor”.
 
     Ao longo de seu pronunciamento, o  Papa fez vários convites aos cursilhistas de hoje: “Como é necessário sair, sem nunca se cansar, para encontrar os assim chamados ‘afastados’!”. Mas para ajudar os outros a crescer na fé, “é necessário experimentar em primeira pessoa a bondade e a ternura de Deus”. “Ele não nos pede nada em troca, pede somente para ser acolhido, porque o amor de Deus é gratuidade, puro dom”.

     “É bonito ajudar a todos, também aqueles que tem dificuldade em viver a própria fé, a permanecer sempre em contato com esta mãe, sempre próximos a esta grande família acolhedora que é a Igreja”. “Vos encorajo a seguir “sempre além”, fieis ao vosso carisma!”. “A atingir os distantes” (...) “a sair da própria comodidade e ter a coragem de chegar a todas as periferias”.
                                                           Cidade do Vaticano (RV) –
 
 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Evangelho do dia - João 13, 16 - 20



    

Em verdade, em verdade, vos digo: o servo não é maior do que seu senhor, e o enviado não é maior do que aquele que o enviou. Já que sabeis disso, sereis felizes se o puserdes em prática. Eu não falo de todos vós. Eu conheço aqueles que escolhi. Mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: “Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar”. Desde já, antes que aconteça, eu vo-lo digo, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou. Em verdade, em verdade, vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor!

Comentário do evangelho - Servo e enviado


             Os discípulos relutavam em aceitar que o Mestre Jesus lhes lavasse os pés. Este gesto foi interpretado como uma quebra de hierarquia e esvaziamento da autoridade. É que eles pensavam a sociedade organizada em camadas sociais, sobrepostas segundo a importância de cada uma, num sistema de precedências e privilégios.

             Jesus recusou-se a pactuar com esta mentalidade, oferecendo-lhes pistas para compreenderem a realidade de maneira diferente. Ele parte do princípio que "o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou". Isto vale tanto para o Mestre quanto para os discípulos.

             Entretanto, trata-se de saber que senhor é aquele que enviou Jesus, segundo a  afirmação do Mestre. Sem dúvida, ele está falando do Pai, que fez de Jesus servo e enviado, e que acolhe também os discípulos do Filho como servos e os envia em missão. Se é possível falar em hierarquia, convém saber que só existe uma: a que sobrepõe Deus ao ser humano, o Criador à sua criatura. Além desta, qualquer tentativa de classificar as pessoas em mais ou em menos importantes será sem cabimento. Quem se imagina superior aos demais está usurpando o lugar de Deus. Só ele é o Senhor; todos nós somos irmãos e irmãs.

             Nesta perspectiva, o gesto de humildade de Jesus é perfeitamente compreensível. Ele agiu como servo, por ser servo. E, como ele, todos devem agir, pois também são servos. Portanto, o gesto de Jesus só é incompreensível para quem não pensa como Deus.
 
Pe Jaldemir Vitório    
 
Oração: Pai, inculca no meu coração a certeza de que só tu és Senhor, e que entre os seres humanos deve reinar igualdade e solidariedade, sem opressão.

Santo do dia - São José Benedito Cotolengo



José Benedito Cotolengo nasceu em Brá, na província de Cuneo, no norte da Itália, no dia 3 de maio de 1786. Foi o mais velho dos doze filhos de uma família cristã muito piedosa. Ele tinha apenas cinco anos quando sua mãe o viu medindo os quartos da casa com uma vara, para saber quantos doentes pobres caberiam neles. Dizia que, quando crescesse, queria encher sua casa com esses necessitados, fazendo dela "seu hospital". O episódio foi um gesto profético. Na cidade de Brá, ainda se conserva tal casa.

      Com dezessete anos, ingressou no seminário e, aos vinte e cinco, se ordenou sacerdote na diocese de Turim. Seu ministério foi marcado por uma profunda compaixão pelos mais desprotegidos, esperando sempre a hora oportuna para concretizar os ideais de sua vocação.

      Em 1837, padre José Benedito foi chamado para ministrar os sacramentos a uma mulher grávida, vítima de doença fatal. Ela estava morrendo e, mesmo assim, os hospitais não a internaram, alegando que não havia leitos disponíveis para os pobres. Ele nada pôde fazer. Entretanto, depois de ela ter morrido e ele ter confortado os familiares, o padre se retirou para rezar. Ao terminar as orações, mandou tocar os sinos e avisou a todos os fiéis que era chegada a hora de "ajudar a Providência Divina".

      Alugou uma casa e conseguiu colocar nela leitos e remédios, onde passou a abrigar os doentes marginalizados, trabalhando, ele mesmo, como enfermeiro e buscando recursos para mantê-la, mas sem abandonar as funções de pároco. Era tão dedicado aos seus fiéis a ponto de rezar uma missa às três horas da madrugada para que os camponeses pudessem ir para seus campos de trabalho com a Palavra do Senhor cravada em seus corações.

      Os políticos da cidade, incomodados com sua atuação, conseguiram fechar a casa. Mas ele não desistiu. Fundou a Congregação religiosa da Pequena Casa da Divina Providência e as Damas da Caridade ou Cotolenguinas, com a finalidade de servir os pequeninos, os deficientes e os doentes. Os fundos deveriam vir apenas das doações e da ajuda das pessoas simples. Padre José Benedito Cotolengo tinha como lema "caridade e confiança": fazer todo o bem possível e confiar sempre em Deus. Comprou uma hospedaria abandonada na periferia da cidade e reabriu-a com o nome de "Pequena Casa da Divina Providência".

      Diante do Santíssimo Sacramento, padre José Benedito e todos os leigos e religiosos, que se uniram a ele nessa experiência de Deus, buscavam forças para bem servir os doentes desamparados, pois, como ele mesmo dizia: "Se soubesses quem são os pobres, vós os servirias de joelhos!". Morreu de fadiga, no dia 30 de abril de 1842, com cinqüenta e seis anos.

      A primeira casa passou a receber todos os tipos de renegados: portadores de doenças contagiosas, físicas e psíquicas, em estado terminal ou não. Ainda hoje abriga quase vinte mil pessoas, servidas por cerca de oitocentas irmãs religiosas e voluntárias. A congregação pode ser encontrada nos cinco continentes, e continua como a primeira: sem receber ajuda do Estado ou de qualquer outra instituição. O padre José Benedito Cotolengo foi canonizado por Pio XI em 1934, e sua festa litúrgica ocorre no dia 30 de abril.
 
São José Benedito Cotolengo, rogai por nós!

Carta MCC Brasil - Maio 2015 – 177ª.


“Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: ‘Quem não quer trabalhar também não coma’. Ora, temos ouvido falar que, entre vós, há alguns vivendo desordenadamente, sem fazer nada, mas intrometendo-se em tudo. A essas pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo
                 que trabalhem tranquilamente e, assim, comam o seu próprio pão”. (2Ts 3, 10-12).

Caríssimos leitores e leitoras,


 É possível que, ao se deparar com o texto paulino acima algum leitor o ache estranho ou, pelo menos, fora de lugar. Na realidade seu objetivo é motivar uma reflexão sobre uma realidade fundamental da vida humana que é o trabalho. E, por quê? Porque, ao celebrar no dia Primeiro de Maio o DIA DO TRABALHO, dele podemos encontrar algumas repercussões durante todo o mês. Sua repercussão encontra eco no dia a dia de cada homem, da cada mulher na luta cotidiana pela própria vida e pela vida dos seus e da própria sociedade.

       Desejo, pois, partilhar algumas ideias que já externei num artigo recente e que me parecem oportunas nesta ocasião na qual a Igreja propõe como modelo do trabalhador ninguém menos que o pai adotivo de Jesus, São José. São José Operário. Vamos partir de um tema abrangente para os que deixam iluminar suas vidas pela fé. Melhor, para os que querem ver a realidade com os olhos de Deus: o trabalho humano visto com os olhos de Deus. De fato, esta atitude convém aos que nEle creem e que com Seu projeto de amor querem modelar suas vidas.
Evidentemente, não é possível tratar aqui de todas as implicações sociais do trabalho e de suas consequências, a maioria das quais, de algum modo, experimentadas na própria pele por milhões de trabalhadores pelo mundo e – porque não? – aqui também no Brasil: injustiças, exploração e escravização de todos os tipos, desemprego cada vez mais acentuado, salários ainda que legais, mais absolutamente injustos e indignos, desrespeito à pessoa gerando revolta e, muitas vezes, até violência,

1. Trabalho e projeto de Deus na Bíblia. Ao entregar a terra às suas primeiras criaturas humanas, o Senhor deu-lhes o poder de submetê-la (cf. Gn 3,28). É o primeiro indício da lei do trabalho. Entretanto, na raiz do peso do trabalho estão a ingratidão e a desobediência dos nossos primeiros pais. Mas é nessa mesma raiz que vamos encontrar o projeto de Deus para suas criaturas: “Comerás o pão com o suor do teu rosto, até voltares ao solo do qual foste tirado” (Gn 3, 19. Assim, percorrendo o Antigo Testamento deparamo-nos com inúmeros textos referentes ao trabalho humano, ao seu peso, mas, também, à sua dignidade e ao seu valor.  A construção do Templo de Javé, em Jerusalém, das Sinagogas, o apascentar as ovelhas nos campos e montanhas, o cultivo da terra para que produza frutos para sustento das comunidades, etc.. Tudo enobrece o trabalho do povo eleito e Deus o acompanha e encoraja enviando o tempo favorável para colheitas abundantes e suficientes para todo o povo.

2. Jesus, operário como seu pai adotivo, São José: “Não é ele o filho do carpinteiro?” (Mt 12,55; cf. Mc 6,3). A pessoa e o testemunho de vida de Jesus, sobretudo nos seus primeiros trinta anos, santificaram o trabalho de suas mãos. Além do conhecido trabalho diário em Nazaré, supõem alguns historiadores que no tempo de Jesus, devido à construção, na Palestina, de uma cidade gigantesca chamada Séphora, recrutava-se mão de obra de todas as partes e que José e Jesus também teriam ali trabalhado por algum tempo.  Seria, mais ou menos, como na construção da nossa Brasília, para onde afluíam operários recrutados de todos os cantos do país – os famosos candangos. Jesus e José poderiam ter sido como “candangos” do seu tempo. O fundamental para nós é que, trabalhando arduamente na sua carpintaria ao lado seu pai adotivo, Jesus santificou o trabalho, dele fazendo não apenas uma obrigação imprescindível para o sustento da família mas, sobretudo, um precioso meio de santificação e de testemunho de solidariedade.


3. O trabalho nos Documentos do Magistério da Igreja.

Além de outros documentos, dois sobressaem pela importância e pelas orientações pastorais neles contidas. O primeiro é a Encíclica RERUM NOVARUM SOBRE A CONDIÇÃO DOS OPERÁRIOS, do Papa Leão XIII, de 15 de Maio de 1891, na qual o Papa manifesta sua preocupação tanto com as condições dos operários tratados quase como escravos como com as opressoras condições de trabalho a que eram obrigados para sobreviver, saindo de uma cultura agrícola para uma cultura totalmente nova, a da conhecida Revolução Industrial.

O segundo Documento, tão importante quanto o primeiro - ou, quem sabe, até mais por sua atualidade - é a Encíclica LABOREM EXERCENS SOBRE O TRABALHO HUMANO NO 90º. ANIVERSÁRIO DA RERUM NOVARUM, do Papa São João Paulo II, de 14 de Setembro de 1981. Como motivação para a leitura de toda esta importante encíclica, reproduzo sua introdução: “É MEDIANTE O TRABALHO que o homem deve procurar-se o pão quotidiano e contribuir para o progresso contínuo das ciências e da técnica, e sobretudo para a incessante elevação cultural e moral da sociedade, na qual vive em comunidade com os próprios irmãos. E com a palavra trabalho é indicada toda a atividade realizada pelo mesmo homem, tanto manual como intelectual, independentemente das suas características e das circunstâncias, quer dizer toda a atividade humana que se pode e deve reconhecer como trabalho, no meio de toda aquela riqueza de atividades para as quais o homem tem capacidade e está predisposto pela própria natureza, em virtude da sua humanidade. Feito à imagem e semelhança do mesmo Deus no universo visível e nele estabelecido para que dominasse a terra, o homem, por isso mesmo, desde o princípio é chamado ao trabalho. O trabalho é uma das características que distinguem o homem do resto das criaturas, cuja atividade, relacionada com a manutenção da própria vida, não se pode chamar trabalho; somente o homem tem capacidade para o trabalho e somente o homem o realiza preenchendo ao mesmo tempo com ele a sua existência sobre a terra. Assim, o trabalho comporta em si uma marca particular do homem e da humanidade, a marca de uma pessoa que opera numa comunidade de pessoas; e uma tal marca determina a qualificação interior do mesmo trabalho e, em certo sentido, constitui a sua própria natureza”.
 
Ambas as encíclicas são orientadoras originais da Doutrina Social da Igreja, sobre a qual e com frequência, tratam alguns importantes documentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.
 
 
 4. Dia 1º. De Maio, Dia de São José Operário. Visando a imprimir um sentido mais evangélico e cristão ao Dia do Trabalho e a despertar a consciência da dignidade do trabalhador, a Igreja preocupou-se em dar a esse dia a oportunidade de uma reflexão e de um conteúdo mais elevado, apresentando o modelo de operário na pessoa de São José. Pio XII o declarou patrono dos trabalhadores e o Papa São João XXIII declarou São José patrono da Igreja. É assim que, no mesmo dia 1º. de Maio a Igreja Católica celebra o Dia de São José Operário.   Estas sábias iniciativas lembram que o trabalho não deve ser tratado, apenas, como um necessário e justo meio de sobrevivência ou, ainda, de mera acumulação de bens em detrimento de tantos milhões de empobrecidos ou somente como realização pessoal e profissional, mas, sobretudo, como meio de santificação e como instrumento de construção de uma sociedade mais justa e mais solidária.  
 
 
Oração: São José Operário, rogai por todos os operários deste nosso Brasil: pelos empregados e pelos milhões de desempregados; pelos injustiçados e pelos empobrecidos pelo salário indigno bem como por suas famílias e dependentes. E iluminai os empresários e empregadores para que se deixem conduzir pelos valores do Evangelho e não pela tentação da exploração da mão de obra de seus irmãos ou pela tentação do lucro fácil à custa do suor e das lágrimas de tantos!
 
 
5. Maio, mês mariano. Maria, a serva do Senhor. Maria, a Mãe do Filho de Deus encarnado. Maria, a bendita entre todas as mulheres. Maria, a sofredora ao pé da cruz, deixando que, por amor, uma espada lhe atravessasse o coração. Maria, a servidora da santa Família. Maria, a dona de casa perfeita: lavar, cozinhar, limpar, entregar-se ao serviço do Reino... Maria, exemplo de solidariedade na visita à sua prima Isabel. Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja, nossa Mãe: rogai por nós!
 Com meu carinhoso abraço, irmão e amigo,
Pe.José Gilberto BERALDO
Equipe Sacerdotal GE


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Evangelho do dia - João 12, 44 - 50



    

Jesus exclamou: “Quem crê em mim, não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. Quem me vê, vê aquele que me enviou. Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. Se alguém ouve as minhas palavras e não as observa, não sou eu que o julgo, porque vim não para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Quem me rejeita e não acolhe as minhas palavras já tem quem o julgue: a palavra que eu falei o julgará no último dia. Porque eu não falei por conta própria, mas o Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que devo dizer e falar. E eu sei: o que ele ordena é vida eterna. Portanto, o que eu falo, eu o falo de acordo com o que o Pai me disse”.
 
- Palavra da Salvação
- Glória a vós, Senhor!

Comentário do evangelho: Jesus, luz do mundo

             A presença de Jesus no mundo tem um objetivo bem preciso: ser luz para a humanidade mergulhada nas trevas do pecado. Portanto, presença de salvação! A missão de Jesus insere-se na longa história de relacionamento do ser humano com Deus – da criatura com o seu Criador –, história pontilhada de infidelidade e insensatez por parte da criatura, e de fidelidade e esperança de reconciliação, por parte do Criador. A correta compreensão da identidade de Jesus exige situá-lo no contexto das iniciativas salvíficas de Deus.

             Assim, torna-se compreensível por que a pregação de Jesus faz constantes referências ao Pai. Crer no Filho leva necessariamente à crer no Pai. A credibilidade de um enviado está em estreita relação com a credibilidade de quem o enviou. Foi por esta razão que Jesus afirmou: "As coisas que digo a vocês, eu as digo como o Pai mas disse a mim". E mais: quem o rejeita, na qualidade de enviado, será julgado por quem o enviou – o Pai –, já que sua missão consiste em salvar e não em condenar.

             O discípulo prudente deixa-se iluminar pelo Mestre, por saber-se iluminado por Deus. Caminhando como discípulo da luz, estará em condições de desmascarar as artimanhas do príncipe das trevas que insistem em fazê-lo desviar-se do caminho para o Pai.

             Quem, pelo contrário, rejeita a luz oferecida por Jesus, torna-se inimigo de Deus, pois se recusa a aceitar sua proposta de salvação. E caminhará para o julgamento!
 
Pe Jaldemir Vitório
      
Oração:  Pai, como discípulo da luz, quero deixar-me sempre guiar por teu Filho. Só, assim, as ciladas do demônio não prevalecerão sobre mim. Vem em meu auxílio!

Santo do dia - Santa Catarina de Sena, servia a Cristo e sua Igreja


Santa Catarina de Sena
Neste dia, celebramos a vida de uma das mulheres que marcaram profundamente a história da Igreja: Santa Catarina de Sena. Reconhecida como Doutora da Igreja, era de uma enorme e pobre família de Sena, na Itália, onde nasceu em 1347.
 
      Voltada à oração, ao silêncio e à penitência, não se consagrou em uma congregação, mas continuou, no seu cotidiano dos serviços domésticos, a servir a Cristo e Sua Igreja, já que tudo o que fazia, oferecia pela salvação das almas. Através de cartas às autoridades, embora analfabeta e de frágil constituição física, conseguia mover homens para a reconciliação e paz como um gigante.
 
      Dotada de dons místicos, recebeu espiritual e realmente as chagas do Cristo; além de manter uma profunda comunhão com Deus Pai, por meio da qual teve origem sua obra: “O Diálogo”. Comungando também com a situação dos seus, ajudou-o em muito, socorrendo o povo italiano, que sofria com uma peste mortífera e com igual amor socorreu a Igreja que, com dois Papas, sofria cisão, até que Catarina, santamente, movimentou os céus e a terra, conseguindo banir toda confusão. Morreu no ano de 1380, repetindo: “Se morrer, sabeis que morro de paixão pela Igreja”.
 
Santa Catarina de Sena, rogai por nós!