segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Evangelho do dia - (Lucas 12,13-21)

Naquele tempo, 12 13 disse-lhe então alguém do meio do povo: "Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança". 14 Jesus respondeu-lhe: "Meu amigo, quem me constituiu juiz ou árbitro entre vós?" 15 E disse então ao povo: "Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas". 16 E propôs-lhe esta parábola: "Havia um homem rico cujos campos produziam muito. 17 E ele refletia consigo: 'Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita'. 18 Disse então ele: 'Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores; neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens. 19 E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te'. 20 Deus, porém, lhe disse: 'Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão?' 21 Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus".
                   
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - A riqueza vã

 

        A cobiça consome um pouco de todos nós. São poucos os que escapam dessa busca obsessiva da sobrevivência, que é a base instintiva da cobiça. Mas Jesus nos convida a dar um salto qualitativo em nossa humanização. No fundo, e na superfície, Deus basicamente nos convida e chama a sermos mais humanos. Esse salto nós o damos quando compreendemos que a sobrevivência está precisamente em dar a mão ao irmão, dividir o que temos e trabalhar juntos para melhorar a vida no planeta. Então as forças se multiplicam, a esperança cresce e a vida é recriada.
       
       
        Jesus deve ter percebido a mentalidade de muitas pessoas exageradamente preocupadas em adquirir e acumular bens. Se os discípulos desejassem ser fiéis ao Reino, deveriam precaver-se contra atitudes deste gênero. Daí a preocupação do Mestre em alertá-los.
 
        Tudo, na vida do rico, gira em torno do próprio eu: "meus celeiros", "meu trigo", "meus bens". Em sua vida, não existe espaço para Deus e para o próximo. Tudo é pensado em função de sua satisfação pessoal: "Ó minha alma, descansa, come, bebe, regala-te, pois tens bens acumulados para muitos anos". Solidariedade, partilha, misericórdia são palavras banidas de seu vocabulário. Sua avareza impede-o de sensibilizar-se diante das necessidades do próximo.
 
        Todavia, como não somos feitos só para esta vida, a morte confronta-nos com outra realidade: a vida eterna. Aqui, só têm valor os gestos de fraternidade, a bondade para com o excluídos e carentes, a capacidade de fazer-se próximo de quem sofre. Este é o verdadeiro tesouro a ser acumulado durante a vida terrena. Os bens materiais, quando partilhados, podem ser instrumentos para adquirir este tesouro eterno. Acumulá-los significa torná-los infrutíferos, ou seja, inúteis.
 
        O discípulo do Reino, por ter seu coração centrado em Deus e no próximo, sabe ser generoso com quem necessita de seu ajuda fraterna.
 
Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
Oração
Espírito de partilha fraterna, afasta para longe de mim toda avareza, porque ela me impede de manifestar meu amor ao próximo, partilhando com ele os meus bens.

Santo do dia - Santa Úrsula

Úrsula nasceu no ano 362, filha dos reis da Cornúbia, na Inglaterra. A fama de sua beleza se espalhou e ela passou a ser desejada por vários pretendentes (embora Úrsula tenha feito um voto secreto de consagração total a Deus). Seu pai acabou aceitando a proposta de casamento feita pelo duque Conanus, um general de exército pagão, seu aliado.
 
        Úrsula fora educada nos princípios cristãos. Por isso ficou muito triste ao saber que seu pretendente era pagão. Quis recusar a proposta mas, conforme costume da época, deveria acatar a decisão de seu pai. Pediu, então, um período de três anos para se preparar. Ela esperava converter o general Conanus durante esse tempo, ou então, encontrar um meio de evitar o casamento. Mas não conseguiu nem uma coisa, nem outra.
 
        Conforme o combinado, ela partiu para as núpcias, viajando de navio, acompanhada de onze jovens, virgens como ela, que iriam se casar com onze soldados do duque Conanus. Há lendas e tradições que falam em onze mil virgens, ao invés de onze apenas. Mas outros escritos da época e pesquisas arqueológicas revelaram que foram mesmo onze meninas.
 
        Foram navegando pelo rio Reno e chegaram a Colônia, na Alemanha. A cidade havia sido tomada pelo exército de Átila, rei dos hunos. Eles mataram toda a comitiva, sobrando apenas Úrsula, cuja beleza deixou encantado ao próprio Átila. Ele tentou seduzi-la e lhe propôs casamento. Ela recusou, dizendo que já era esposa do mais poderoso de todos os reis da Terra, Jesus Cristo. Átila, enfurecido, degolou pessoalmente a jovem, no dia 21 de outubro de 383. Em Colônia, uma igreja guarda o túmulo de Santa Úrsula e suas companheiras.
 
        Durante a Idade Média, a italiana Ângela de Mérici, fundou a Companhia de Santa Úrsula, com o objetivo de dar formação cristã a meninas. Seu projeto foi que essas futuras mamães seriam multiplicadoras do Evangelho, catequizando seus próprios filhos. Foi um avanço, tendo em vista que nesta época a preocupação com a educação era voltada apenas para os homens. Segundo a fundadora, o nome da ordem surgiu de uma visão que ela teve.
 
        Atualmente as Irmãs Ursulinas, como são chamadas as filhas de Santa Ângela, estão presentes nos cinco continentes, mantendo acesas as memórias de Santa Ângela e Santa Úrsula.
 
Santa Úrsula, rogai por nós! 

domingo, 20 de outubro de 2013

Mensagem: CRER E TRANSMITIR A FÉ


O Domingo das Missões é celebrado hoje em toda a Igreja Católica. Como de costume, o Papa fez uma bela Mensagem, para lembrar que todos os cristãos e católicos formam a "Igreja missionária"; somos o "corpo missionário de Cristo" desde as origens, quando Ele enviou os discípulos em missão com estas palavras: "ide pelo mundo inteiro, anunciai o Evangelho a toda criatura".
 
          Neste Ano da Fé, de maneira especial, lembramos que a fé professada hoje pela Igreja é a mesma que foi anunciada e professada desde as origens, há quase 2 mil anos! A Igreja perseverou na fé, transmitida pelos Apóstolos; mas essa fé só chegou até nós porque houve, nas gerações que nos precederam, um esforço missionário contínuo e perseverante.
 
          Hoje somos devemos continuar fazendo a mesma coisa; se batizarmos os filhos e lhes transmitirmos a fé, se os introduzirmos na vida da Igreja, a comunidade de fé, então poderemos estar certos de que, no futuro, ainda vai ter fé e vida da Igreja no mundo. Sobretudo, podemos estar em paz com nossa consciência pois cumprimos nosso dever. Se não fizermos nossa parte e deixarmos de ser missionários, as novas gerações deixarão de crer e não participarão mais da vida da Igreja Católica. Sempre me impressiono com a passagem da figueira do Evangelho, que Jesus amaldiçoou porque procurou frutos nela e não encontrou: no dia seguinte, ela estava seca! Deus espera que façamos a nossa parte na transmissão da fé.
 
          Em julho deste ano, tivemos a realização da Jornada Mundial da Juventude no Brasil. Foi um tempo de graça, sobretudo para os jovens. O papa Francisco apontou para todos o caminho da fé e nos confirmou na fé da Igreja Católica. Continuemos agora a apoiar os jovens na vivência da sua fé para que eles, por sua vez, a transmitam no futuro. Neste Domingo das Missões, somos convocados a fazer um gesto de generosidade e de apoio à obra missionária da Igreja em "lugares de missão". Ainda há muito por fazer! Por isso, em todas as Missas deste fim de semana, em todas as nossas igrejas, é feita a Coleta para as Missões.
 
          Com a ajuda generosa de todos nós, podem os missionários continuar a fazer o seu trabalho, mesmo em situações precárias e difíceis, onde eles dependem totalmente da nossa ajuda. E rezemos muito pela Igreja, para que ela se renove na missão e seja sempre missionária; rezemos pelos missionários, que deixaram sua família, pátria e conforto para se dedicarem às missões. Eles contam com nosso apoio material e espiritual.

                    Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

Evangelho do dia - (Lucas 18,1-8)


18 1 Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. 2 "Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma. 3 Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: 'Faze-me justiça contra o meu adversário'. 4 Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: 'Eu não temo a Deus nem respeito os homens; 5 todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar". 6 Prosseguiu o Senhor: "Ouvis o que diz este juiz injusto?"7 Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los? 8 Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Virtudes e Esperança

          Já vi escrito em muito para-choque de caminhão, que “O pobre vive de teimoso”, uma frase que embora irônica tem um fundo de verdade, pois teimosia nesse caso, é sinônimo de perseverança, paciência e esperança, virtudes que são na verdade o tempero da nossa fé, porque a fé que não persevera, que não é paciente e não traz no coração a esperança, é morta, pois segundo São Tiago, a Fé deve ser sempre vivenciada e transformada em obras.
 
         No olhar do pobre encontramos um brilho de esperança, basta ver as filas em busca de algum benefício nos bancos ou em repartições públicas, ou até mesmo em fila de liquidação nas grandes lojas, o pobre é capaz de varar o dia, a noite e a madrugada, para guardar um lugar, sempre esperançoso de alguma melhora ou benefício.
 
          Não se quer dizer que estas virtudes sejam exclusivas do pobre, mas é que o rico não tem muita paciência e perseverança e nem seria necessário, uma vez que o dinheiro compra tudo nesta vida, fazendo com que o rico coloque toda sua segurança em seu patrimônio e no dinheiro e, portanto, essas virtudes sempre nascem e são cultivadas no coração do pobre por causa da sua necessidade, que o leva a pedir. É esse o caso dessa viúva que aparece no evangelho desse domingo, pois naquele tempo não havia leis que protegiam e davam garantias à mulher, no caso do falecimento do esposo e a viuvez, junto com a orfandade, era sinônimo de desamparo e abandono, já que o parente mais próximo do falecido, apossava-se de todos os seus bens sobrando para a viúva a triste sina de viver de esmola, pois a mulher não tinha direito de propriedade.
 
          Na lógica humana a viúva não tinha outra alternativa se não a de resignar-se com a sua sorte, pois o juiz dificilmente iria lhe fazer justiça, já que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Conformismo e resignação parecem fazer parte da índole do nosso povo, que deixa o destino da nação nas mãos de certos homens inescrupulosos, sem se importar com os rumos da política ou da economia, tornando-se uma perfeita “Vaquinha de presépio”, engolindo tudo que é sapo, ignorando a sua cidadania e seus direitos essenciais. Mas não é esse o caso da viúva, ela não se conformou com o abandono e a exploração da quais as viúvas eram vítimas e resolveu “virar a mesa” indo à luta por aquilo que considerava justo. Não se sabe quantas vezes ela bateu à porta desse juiz, mas a se julgar pelo temor do magistrado, não deve ter sido só duas ou três e nem foi tão pacífica assim. Claro que exercício de cidadania não deve ser confundido com arruaça e vandalismo.
 
          Os maus governantes sempre tremem na base, quando o povo toma consciência de seus direitos e vai à luta por eles, foi o que aconteceu com esse juiz, que não temia a Deus e nem respeitava homem algum, mas que diante da insistência e da teimosia da mulher, acabou cedendo e atendeu o seu desejo fazendo-lhe justiça contra seu adversário, que certamente queria ficar com seus bens. O evangelho nos mostra a qualidade da verdadeira oração, que não pode ser “imediatista” e onde se quer que Deus atenda o pedido “pra ontem”, as demoras de Deus requer do verdadeiro crente a paciência e confiança.
 
          A oração também não deve ser uma forma de se forçar Deus a fazer a nossa vontade, realizando coisas, ou consertando certas situações que são de nossa única responsabilidade. A viúva soube unir oração e ação, com uma fé consciente e responsável, que crê, persevera, insiste, persiste, espera e vai à luta, para mudar o placar adverso Deus é a força e a teimosia do pobre pois ouve sempre seu clamor e jamais deixará de atendê-lo. Aquela fé mágica e comodista, de quem só quer vento a favor e espera sempre um milagre de Deus, sem mover uma só palha, é uma fé que nada constrói e nem agrega nessa vida: QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER!
 
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
ORAÇÃO
Pai, faze-me pobre e simples diante de ti, de modo que minhas súplicas sejam atendidas, pois jamais deixas de atender a quem se volta para ti na humildade de coração.
                   

Santo do dia - São Pedro de Alcântara


"Aqueles que são de Cristo crucificaram a própria carne com os seus vícios e concupiscências" (Gal 5,24)
 
          Esta Palavra do Senhor se aplica muito bem a São Pedro de Alcântara, o qual lembramos hoje, pois soube vencer o corpo do pecado através de muita oração e mortificações. Pedro nasceu em Alcântara, na Espanha, em 1499.
 
          Menino simples, orante e de bom comportamento, estudou na universidade ainda novo, mas soube, igualmente, destacar-se no cultivo das virtudes cristãs, até que, obediente ao Mestre, o casto e caridoso jovem entrou para a Ordem de São Francisco, embora seu pai quisesse para ele o Direito. Pedro foi ordenado sacerdote e tornou-se modelo de perfeição monástica e ocupante de altos cargos, o qual administrou até chegar, com vinte anos, a superior do convento e, mais tarde, eleito provincial da Ordem.
 
          Franciscano de espírito e convicção, era sempre de oração e jejum, poucas horas de sono, hábito surrado, grande pregador e companheiro das viagens. Como provincial, visitou todos os conventos da sua jurisdição, promovendo uma reforma de acordo com a regra primeira de São Francisco, da qual era testemunho vivo. Conhecido, sem desejar, em toda a Europa, foi conselheiro do imperador Carlos V e do rei João III, além de amigo dos santos e diretor espiritual de Santa Teresa de Ávila; esta, sobre ele, atestou depois da morte do santo: "Pedro viveu e morreu como um santo e, por sua intercessão, conseguiu muitas graças de Deus".
 
          Considerado um dos grandes místicos espanhóis do séc. XVI e dos que levaram a austeridade até um grau sobre-humano, entrou no Céu com 63 anos, em 1562, após sofrer muito e receber os últimos Sinais do Amor (Sacramentos), que o preparou para um lindo encontro com Cristo.
 
São Pedro de Alcântara, rogai por nós! 

sábado, 19 de outubro de 2013

Evangelho do dia - (Lucas 12,8-12)

 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12 8 "Todo o que me reconhecer diante dos homens, também o Filho do Homem o reconhecerá diante dos anjos de Deus; 9 mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus. 10 Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem obterá perdão, mas aquele que tiver blasfemado contra o Espírito Santo não alcançará perdão. 11 Quando, porém, vos levarem às sinagogas, perante os magistrados e as autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de falar em vossa defesa, 12 porque o Espírito Santo vos inspirará naquela hora o que deveis dizer".
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - A favor ou contra Jesus

        Jesus sabia que a perseguição e as dificuldades iam chegar. Para ele e para os discípulos.
         Atualmente em nosso país não sofremos perseguição expressamente por causa de nossa fé, porém isso não significa que a fé não seja posta em discussão. A sociedade no seu viver não vai contra o Evangelho? Não continuam sendo excluídos da mesa comum os pobres marginalizados? Não nos deixamos levar pelos critérios deste mundo e deixamos o Evangelho estacionado? Também nossa fé, aqui e hoje, é desafiada e questionada... Quando daremos nós uma valente resposta?
 
 
        A comunidade cristã tem como tarefa testemunhar publicamente sua fé. Este testemunho acontece no seio de um mundo hostil, nem sempre disposto a acolher mensagem do Reino.
 
        E o discípulo encontra-se, muitas vezes, em situações nas quais sua fé é posta em xeque. É, então, o momento de se decidir a favor ou contra Jesus. É sua vida que está em jogo: renegá-lo significa sobreviver, tomar partido em favor dele significa morrer.
 
        Evidentemente, a decisão fica por conta do discípulo. Se tiver uma fé robusta e coragem suficiente para suportar as conseqüências de sua opção, será capaz de declarar sua fé. Se, pelo contrário, tiver uma fé inconsistente e um caráter frágil, negará sua condição de discípulo de Jesus, declarando não conhecê-lo.
 
        A exortação do Mestre chama a atenção dos seus seguidores para as  conseqüências mais radicais de sua decisão. Mais do que a vida física e a segurança material, na decisão está implicada sua sorte eterna. Quem se colocar a favor de Jesus nesta vida, pode estar certo de tê-lo a seu favor no momento do juízo divino. Quem o negar publicamente, não o terá como defensor, quando for julgado por Deus.
Nos momentos difíceis, o discípulo deve contar com a ajuda do Espírito Santo. É ele quem lhe dará forças para proclamar, com destemor, sua fé.
 
Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
Oração
Espírito que fortalece para o testemunho, vem em meu auxílio com tua força, nos momentos de dificuldade, para que eu possa dar um testemunho corajoso de minha fé.

Santo do dia - São Paulo da Cruz


Nasceu em Ovada (Itália) em 1694, de piedosos pais, que muito educaram o filho no Cristianismo. Foi o segundo de 16 filhos. Quando jovem de oração e contemplativo, fez uma aliança com colegas, a fim de meditarem a Paixão e morte de Jesus.
 
        De início, trabalhou com o pai e não sentia o chamado ao sacerdócio, mas, ao apostolado. Aos 19 anos, ouvido uma exortação do pároco, sentiu-se profundamente comovido e resolveu entregar-se inteiramente ao serviço de Deus. Assim, partilhou com um Bispo, o impulso de propagar a devoção à Paixão e morte daquele que morreu por amor à humanidade e salvação de cada um.
 
        Enviado pelo Bispo, tornou-se instrumento de conversão para milhares, até que o Bispo ordenou-o sacerdote e, mais tarde, o Papa deu a licença para aceitar candidatos em seu Noviciado.
 
        Nasceu desta maneira a Congregação dos Padres Passionistas, com a finalidade de firmar nos corações dos fiéis um grande amor à Paixão e morte de Nosso Senhor, através das missões populares. Além da Congregação dos Passionistas, fundou também um instituto feminino de estrita clausura: as Irmãs Passionistas.
 
        Profundo devoto da Sagrada Paixão, o fundador São Paulo da Cruz desde que começou o apostolado sozinho não abandonou o hábito preto, a cruz branca e as duras penitências, como se alimentar de pão e água e dormir no chão. Depois de muito evangelizar (também através de seus muitos escritos) e alcançar milagres para o povo, associou-se à Cruz e à Nossa Senhora das Dores, para entrar como vitorioso no Céu em 1775, somando 81 anos de idade. O Papa Pio IX canonizou-o em 1867. O seu corpo venera-se na basílica dos santos João e Paulo.
 
São Paulo da Cruz, rogai por nós!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Evangelho do dia - (Lucas 10,1-9)

 
10 1 Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir. 2 Disse-lhes: "Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. 3 Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos. 4 Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho. 5 Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: 'Paz a esta casa!'  6 Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós. 7 Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.  8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.  9 Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: 'O Reino de Deus está próximo'".
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - A necessidade de operários

Hoje é a festa do evangelista Lucas. Basta ler seu Evangelho e neste dia e veremos que não é nenhuma novela de quatrocentas páginas. É necessário somente uma meia-hora de tranquilidade para escutar a mensagem de um evangelizador que nos diz que o Reino de Deus está próximo, para acolher aquele que nos traz a paz. Deixar que a Palavra nos chegue ao coração. E esquecer-nos de Lucas para encontrar-nos diretamente com Jesus. Essa é a melhor maneira de celebrar esta festa: abrir o coração para que a Palavra chegue ao nosso íntimo
e dê muito fruto!
 
       Confrontando-se com a grandiosidade da missão, Jesus reconhece a necessidade de contar com colaboradores, para poder levá-la adiante, a contento. Depois de ter enviado os doze apóstolos, o Mestre enviou, também, outros setenta e dois discípulos, com a tarefa de preparar as cidades e povoados para a sua passagem, ou seja, predispô-los para acolher a sua mensagem.
 
       Os discípulos são orientados a suplicar ao Pai - Senhor da messe - para enviar muitas outras pessoas, dispostas a assumirem a missão evangelizadora. É ele quem tem a iniciativa da vocação e da missão. Devem evitar qualquer pretensão humana de querer arrogar-se tais dons. Todos dependem de quem os chamou e enviou.
 
       Que tipo de operário requer-se para o serviço do Reino? É preciso que seja uma pessoa cheia de coragem, predisposta a viver na pobreza, capaz de adaptar-se a qualquer tipo de acolhida que lhe for oferecida, disposta a partilhar a vida de quem a acolhe, totalmente disponível para o serviço aos doentes e marginalizados, pronta a viver a experiência do fracasso, com otimismo, sem deixar-se abater.
 
       Quem tem estas disposições internas, deve estar atento. Pode ser que o Senhor queira enviá-lo para trabalhar na sua messe. Por que não dizer um sim corajoso e generoso?
 
 Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
Oração
Espírito de coragem e generosidade, predisponha-me para trabalhar na messe do Senhor, concedendo-me os pré-requisitos necessários para um serviço eficaz.

Santo do dia - São Lucas

Estamos em festa na liturgia da Igreja, pois lembramos a vida e o testemunho do evangelista São Lucas. Uma figura simpática do Cristianismo primitivo, homem de posição e qualidades, de formação literária e de profundo sentido artístico divino.
 
       Nasceu em Antioquia da Síria, médico de profissão foi convertido pelo apóstolo São Paulo, do qual se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Colaborador no apostolado, o grande apóstolo dos gentios em diversos lugares externa a alta consideração que tinha por Lucas, como portador de zelo e fidelidade no coração. Ambos fazem várias viagens apostólicas, tornando-se um dos primeiros missionários do mundo greco-romano. Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, resultando no Evangelho segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.
 
       No Evangelho segundo Lucas, encontramos o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, garante o Céu para o "bom" ladrão e conta as lindas parábolas do pai misericordioso e do bom samaritano.
 
       Nos Atos dos Apóstolos, que poderia também se chamar Atos do Espírito Santo, deparamos com a ascensão do Cristo, que promete o batismo no Espírito Santo, fato que se cumpre no dia de Pentecostes, e é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.
 
       Uma tradição – que recolheu no séc. XIV Nicéforo Calisto, inspirado numa frase de Teodoro, escritor do séc. VI – diz-nos que São Lucas foi pintor e fala-nos duma imagem de Nossa Senhora saída do seu pincel. Santo Agostinho, no séc. IV, diz-nos pela sua parte que não conhecemos o retrato de Maria; e Santo Ambrósio, com sentido espiritual, diz-nos que era figura de bondade. Este é o retrato que nos transmitiu São Lucas da Virgem Maria: o seu retrato moral, a bondade da sua alma.
 
       O Evangelho de boa parte das Missas de Maria Santíssima é tomado de São Lucas, porque foi ele quem mais longamente nos contou a sua vida e nos descobriu o seu Coração. Duas vezes esteve preso São Paulo em Roma e nos dois cativeiros teve consigo São Lucas, "médico queridíssimo". Ajudava-o no seu apostolado, consolava-o nos seus trabalhos e atendia-o e curava-o com solicitude nos seus padecimentos corporais. No segundo cativeiro, do ano 67, pouco antes do martírio, escreve a Timóteo que "Lucas é o único companheiro" na sua prisão. Os outros tinham-no abandonado.
 
       O historiador São Jerônimo afirma que Lucas viveu a missão até a idade de 84 anos, terminando sua vida com o martírio. Por isso, no hino das Laudes rezamos: "Cantamos hoje, Lucas, teu martírio, teu sangue derramado por Jesus, os dois livros que trazes nos teus braços e o teu halo de luz". É considerado o Padroeiro dos médicos, por também ele ter exercido esse ofício, conforme diz São Paulo aos Colossenses (4,14): "Saúda-vos Lucas, nosso querido médico".
 
São Lucas, rogai por nós! 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Evangelho do dia - (Lucas 11,47-54)

 
Naquele tempo, disse o Senhor: 11 47 "Ai de vós, que edificais sepulcros para os profetas que vossos pais mataram. 48 Vós servis assim de testemunhas das obras de vossos pais e as aprovais, porque em verdade eles os mataram, mas vós lhes edificais os sepulcros. 49 Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, mas eles darão a morte a uns e perseguirão a outros. 50 E assim se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, 51 desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e o templo. Sim, declaro-vos que se pedirá conta disso a esta geração! 52 Ai de vós, doutores da lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar. 53 Depois que Jesus saiu dali, os escribas e fariseus começaram a importuná-lo fortemente e a persegui-lo com muitas perguntas, 54 armando-lhe desta maneira ciladas, e procurando surpreendê-lo nalguma palavra de sua boca".

- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Profetas de Deus


       Um Teólogo ajuda ou atrapalha á nossa caminhada de Igreja? Depende... Se ele for igual aqueles teólogos de Israel, nossos amigos Doutores da Lei e Fariseus, só atrapalham e muito, a caminhada do nosso Povo de Deus. Como conhecedores da Escritura e principalmente da Lei, eles tinham em mãos uma ferramenta maravilhosa, dada por Deus, que era o conhecimento para interpretarem a Lei e a Palavra, facilitando assim a compreensão do povão, ajudando e contribuindo de maneira decisiva, para o povo buscasse e vivesse na santidade a que foi chamado pelo próprio Deus.

      É essa a função de um teólogo, fazer o “meio de campo” preparando as jogadas, ajudando a defender, ou a atacar, quando for oportuno, no século quarto da História da Igreja tivemos um timão de ótimos teólogos, fiéis á missão, chamados Padres da Igreja, os pais de nossa Fé apostólica. Defendiam a Igreja contra as Heresias, orientavam, educavam, formavam e foram decisivos na preservação da Doutrina Católica.
  
     Postura bem diferente dos Teólogos de Israel, que sentindo-se donos do conhecimento e da cultura religiosa, aproveitavam para explorar e oprimir o povo, impondo-lhes leis, normas e práticas religiosas duríssimas. Deveriam ser os facilitadores para que a comunidade acolhesse Jesus, o Messias enviado por Deus, deveriam ser os primeiros a acolhê-lo, já que sabiam tanto á seu respeito. Mas queriam e pensavam em um Messianismo que lhes confirmasse como “iluminados e Justos”, dando-lhes ainda mais regalias e benefícios nos trabalhos do templo.

       Pareciam e muito, com alguns agentes pastorais do nosso tempo, que se julgam especialistas naquilo que fazem e não admitem interferência de ninguém, nem a ingerência do padre. Irmãos e irmãs que são acolhidos na pastoral, têm e devem passar primeiro pelo seu crivo, em tudo que fazem julgam-se absolutos. Poucos conseguem escapar desse nefasto “Bichinho” do poder e do prestígio que se torna ainda mais evidente nos Ministérios dos Leigos.

      Na Comunidade a gente vê de tudo, leigo querendo mandar mais que padre e diácono juntos, Diácono querendo mandar mais que padre, e padre querendo mandar mais que Bispo. Os Teólogos antigos matavam e faziam belos túmulos para os profetas que Deus enviava, nas comunidades não se mata as pessoas, mas sim os carismas e talentos que muitas vezes ela quer oferecer á comunidade, mas que logo são sufocados pelo Clericalismo Laical.

      Precisamos olhar esse evangelho com humildade, para aprofundarmos a reflexão e ao final admitirmos que em nossas comunidades também há os Doutores das Pastorais e dos Movimentos, que não entram no Espírito Cristão, e são obstáculos a que outros entrem. Todos um dia irão responder diante de Deus, por estas ações que em nada contribuem com o Reino de Deus, ao contrário, faz dele uma caricatura...
 
Diácono José da Cruz
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
 
ORAÇÃO
Pai, que a compreensão de teu sábio plano de salvação para a humanidade me leve a estar atento às palavras de Jesus, o qual me indica o caminho para chegar a ti.