quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Evangelho do dia - (Lucas 7,36-50)


 
7 36 Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. 37 Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; 38 e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume. 39 Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: "Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora". 40 Então Jesus lhe disse: "Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre", disse ele. 41 "Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. 42 Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais?" 43 Simão respondeu: "A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou". Jesus replicou-lhe: "Julgaste bem". 44 E voltando-se para a mulher, disse a Simão: "Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. 45 Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés.
46 Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. 47 Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama". 48 E disse a ela: "Perdoados te são os pecados". 49 Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: "Quem é este homem que até perdoa pecados?" 50 Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: "Tua fé te salvou; vai em paz".

 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Um gesto de amor

Aquela mulher não vivia concentrada em si mesma. Diante de Jesus não se sente assustada por seus pecados. Diante de Jesus a única coisa que faz é expressar seu amor. Havia ouvido falar de um homem que praticava o bem, que cuidava dos pobres e curava os doentes. Talvez havia conhecido muitos homens, porém a Jesus ela o ama sem pedir nada em troca. E cria-se uma relação sem preço nem condições na qual Jesus perdoa os pecados e reconhece que o amor e a fé salvaram essa mulher. Não nos seria conveniente começar a amar assim, sem condições e sem medida?
 
 
       Embora vivendo numa sociedade cheia de preconceitos, Jesus não se deixava levar por eles. Sua ação norteava-se pelas exigências do Reino; sua liberdade não dependia da opinião alheia. Por isso, não deixava de fazer o bem, quando necessário, mesmo correndo o risco de ser mal interpretado.
 
       O fariseu, que convidara Jesus para uma refeição, tinha uma série de preconceitos. Olhava para as mulheres com desprezo. No caso das prostitutas, este desprezo transformava-se em verdadeiro asco e repúdio. Na sua opinião, os mestres deveriam guardar distância dessas mulheres e não se deixar tocar por elas. Também esse fariseu confundia ser profeta com ser capaz de conhecer as intenções dos outros.
 
       Embora fosse o convidado, Jesus censurou seu anfitrião. Este observou, com malícia, o gesto amoroso de uma pecadora da cidade que entrara em sua casa, pondo-se a banhar os pés do Mestre com suas lágrimas, a enxugá-los com seus cabelos e a cobri-los de perfume. Para Jesus isto era uma manifestação de amor, para o fariseu, não passava de um gesto sensual.
 
       Além disso, a ação da mulher substituíra a falta de delicadeza do fariseu, que não realizou os gestos de praxe, quando da chegada de um hóspede. Enfim, aquela mulher, apesar de pecadora, tinha mais nobreza do que o anfitrião mal-educado e preconceituoso.
 
 Pe. Jaldemir Vitório
 Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
Oração
Senhor Jesus, tira de mim toda malícia e todo preconceito que me levam a interpretar, de forma equivocada, o que é gesto de amor.

Santo do dia - São Januário

       A história do santo deste dia se entrelaça com a cidade italiana de Nápoles, onde o corpo e sangue de Januário estão guardados. Este santo viveu no fim do século III e se tornara Bispo de Benevento, cidade próxima a Nápoles.
 
      Como cristão estava constantemente se preparando para testemunhar (se preciso com o derramamento do próprio sangue) seu amor ao Senhor, já que naqueles tempos em que a Igreja estava sendo perseguida, não era difícil ser preso, condenado e martirizado pelos inimigos da Verdade. Na função de Bispo foi zeloso, bondoso e sábio, até ser juntamente com seus diáconos, preso e condenado a virar comida dos leões no anfiteatro da cidade de Pozzuoli (a primeira terra italiana que pisou o apóstolo Paulo a caminho de Roma).
 
       Igual ao profeta Daniel e muitos outros, as feras lamberam, mas não avançaram nestes homens protegidos por Jesus. Nesse caso, sob a ordem do terrível imperador Diocleciano (último grande perseguidor), a única solução era a espada manejada pela irracional maldade humana. Foram decapitados. Isto ocorreu no ano 305.
 
      Alguns cristãos, piedosamente, recolheram numa ampola o sangue do Bispo Januário para conservá-lo como preciosa relíquia e seu corpo acabou na Catedral de Nápoles. A partir disso, os napolitanos começaram a venerar o santo como protetor da peste e das erupções do vulcão Vesúvio.
 
      Dentre tantos milagres alcançados pela sua intercessão, talvez o maior se deve ao seu sangue,"aquele guardado na ampola". Acontece que o sangue é exposto na Catedral, no dia da festa de São Januário e o extraordinário é que há séculos, o sangue, durante uma cerimônia, do estado sólido passa para o estado líquido, mudando de cor, de volume e até seu peso duplica. A multidão edificada se manifesta com gritos, enquanto a ciência, que já provou ser sangue humano, silencia quanto a uma explicação para este fato, esclarecido somente pela fé.
 
São Januário, rogai por nós! 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Evangelho do dia - (Lucas 7,31-35)


 
7 31 Disse Jesus: "a quem compararei os homens desta geração? Com quem se assemelham? 32 São semelhantes a meninos que, sentados na praça, falam uns com os outros, dizendo: 'Tocamos a flauta e não dançastes; entoamos lamentações e não chorastes'. 33 Pois veio João Batista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: 'Ele está possuído do demônio'. 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: 'Eis um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e libertinos'. 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos".
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - O tempo de Deus

Quando queremos, sempre encontramos desculpas para tudo. A mente humana mostra toda a sua habilidade no momento de encontrar razões para justificar o que é em todas as suas faces injustificáveis. Guerras, agressões, insultos, ódios, desamores, negligências... tudo encontra sua oportuna justificação. E, quando não encontramos nenhuma razão para tapar a verdade, fazemos como se não entendêssemos, olhamos para outro lado e convocamos a memória seletiva que nos faculta apagar o que não nos interessa recordar. Mas Jesus continua ali, não podemos apagá-lo.


        Jesus usa uma comparação interessante. Compara as pessoas de má vontade a crianças caprichosas que nunca estão satisfeitas e querem todas as demais pessoas à sua volta, “dançando” e “chorando” conforme elas comandam. Ninguém as agrada. Diz Jesus que a João que jejuava estas pessoas o chamam de possesso. A Ele, que é amigo dos pecadores, e veio para salvá-los, chamam-no de comilão e beberrão.
     
      Difícil contentar a quem apenas quer condenar, criticar, distorcer. Sobretudo a quem não admite alguém superior ou igual a si. Para esses, é difícil aceitar Jesus. É difícil aceitar o precursor. É o que Jesus quer dizer, quase em tom de lamento e indignação.
 
 
Pai, purifica-me de toda forma de orgulho que me leva a desprezar meu semelhante e a julgar-me superior a ele. Como Jesus, desejo estar próximo de quem se afastou de ti.
 

Santo do dia - São José de Copertino

       O santo de hoje nasceu num estábulo, a exemplo de Jesus, em Cupertino, no reino de Nápoles, a 17 de junho de 1603. Filho de pais pobres, tornou-se um pobre que enriqueceu a Igreja com sua santidade de vida. José quando menino era a tal ponto limitado na inteligência que pouco aprendia e apresentava dificuldades nos trabalhos manuais, porém, de maneira extraordinária progrediu no campo da oração e da caridade.
 
      São José foi despedido de dois conventos franciscanos por não conseguir corresponder aos ofícios e serviços comuns. Ele, porém, não desistia de recomendar sua causa a Santíssima Virgem, pela qual tinha sido anteriormente curado de uma grave e misteriosa enfermidade.
 
      O poder da oração levou São José de Cupertino para o convento franciscano e ao sacerdócio, precisando para isso que a Graça suprisse as falhas da natureza. Desde então, manifestavam-se nele, fenômenos místicos acompanhados de curas milagrosas, que o tornou conhecido e procurado em toda a região. Dentre os acontecimentos espirituais o que muito se destacou foi o êxtase, que consiste naquele estado de elevação da alma ao plano sobrenatural, onde a pessoa fica momentaneamente desapegada dos sentidos e entregue totalmente numa contemplação daquilo que é Divino. São José era tão sensível a esta realidade espiritual, que isto acontecia durante a Santa Missa, quando rezava com os Salmos e em outros momentos escolhidos por Deus; somente num dos conventos onde viveu 17 anos, seus irmãos presenciaram cerca de 70 êxtases do santo.
 
      A fama das curas milagrosas se alastrava como uma epidemia, exaltando a imaginação popular, e obrigando o Frei José, a ser transferido de convento para convento. Mas, os fenômenos se repetiam e o povo lhe tirava todo o sossego. Como na vida da maioria dos santos não faltaram línguas caluniosas que, interpretando mal esta popularidade atribuiu-lhe poderes demoníacos aos seus milagres e êxtases, ao ponto de denunciarem o santo Frei ao Tribunal da Inquisição de Nápoles. O processo terminou reconhecendo a inocência do religioso, impondo-lhe, porém, a reclusão obrigatória e a transferência para conventos afastados.
 
      Depois de sofrer muito e de diversas maneiras, predisse o lugar e o tempo de sua morte, que aconteceu em 18 de setembro de 1663, contando com sessenta anos de humilde testemunho e docilidade aos Carismas do Espírito Santo. Foi beatificado por Bento XIV em 1753 e canonizado por Clemente XIII em 1767.
 
São José de Cupertino, rogai por nós! 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

ORAÇÃO A SÃO PAULO APÓSTOLO



 
Ó São Paulo tu disseste: Fiz-me
tudo para todos,
para levar a todos
os povos a Boa Nova da Salvação,
desperta em mim esse ardente desejo
missionário!
Dá-me a coragem de Lançar-me
para frente,
com renovado ardor
e entrega total a Jesus Cristo, que é
o Caminho, a Verdade e a Vida.
Intercede por mim, ó grande
Apóstolo Paulo, para que seguindo
teu exemplo, eu possa dizer:
Já não sou mais eu que vivo,

pois é Cristo que vive em mim!
Faz de mim um(a) grande
apóstolo(a) e irradiador(a) do Mestre
Divino através de minha vida,
usando com amor e fé todos
os meios de comunicação.
Confio em ti, ó Santo Apóstolo Paulo.
 
Amém.

Evangelho do dia - (Lucas 7,11-17)

7 11 No dia seguinte dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo. 12 Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade. 13 Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: "Não chores!" 14 E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: "Moço, eu te ordeno, levanta-te". 15 Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe. 16 Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: "Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo". 17 A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Tocado pela dor

Jesus condoeu-se ao ver aquela mulher. Não lhe restava nada na vida. Estava viúva e seu único filho estava ali morto a caminho do cemitério. No fundo, ela também estava morta. E não só sob o ponto de vista afetivo – visto que não lhe restava família. Estava morta sob o ponto de vista social porque naquela sociedade uma mulher, sem um homem (pai, esposo ou filho) que defendesse seus direitos, não valia nada. Mas Jesus se coloca ao lado da vida. Então onde reinava a morte Jesus fez com que se apresentasse a vida e a esperança.
    
 
    O sofrimento da pobre viúva tocou fundo o coração de Jesus, a ponto de fazê-lo interromper seu caminho rumo à cidadezinha de Naim, situada nos arredores de Nazaré.
 
        O texto evangélico refere-se a dois cortejos: o cortejo alegre do Messias e o cortejo fúnebre do filho de uma viúva da cidade. Com o Mestre, iam os discípulos e uma grande multidão. É fácil de imaginar o clima que reinava entre eles. Sentiam-se empolgados pela presença de Jesus, por suas palavras e seus gestos poderosos. As pessoas contemplavam-no, esperançosas. Vendo-se abandonadas por todos, finalmente parecia que uma esperança despontava em seu horizonte. Era como se uma luz começasse a brilhar!
 
         Na direção contrária seguia o enterro de um jovem, acompanhado por sua mãe e por "muita gente da cidade". A situação da mãe era lastimável. A morte do filho único deixava-a desesperada. Quem haveria de socorrê-la em suas necessidades? Quem haveria de defendê-la contra os prepotentes? Para ela, era como se sua única luz tivesse extinguido!
 
        O encontro com Jesus reverteu essa situação. O Mestre ressuscitou o jovem e o restitui à sua mãe, ao passo que o cortejo fúnebre entrou no clima de empolgação dos que seguiam o Mestre. Chegaram até a pensar que ele fosse o profeta Elias de volta para o meio do povo para trazer-lhe salvação. De fato, ele era o Messias cheio de compaixão pelos sofrimentos da humanidade.
 
Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
Oração
Pai, torna-me sensível ao sofrimento e à dor de cada pessoa que encontro no meu caminho. Que a minha compaixão se demonstre com gestos concretos.

Santo do dia - São Roberto Belarmino


      Celebramos o grande santo jesuíta, Belarmino, que nasceu em Montepulciano, no centro da Itália, em 1542. Querido pelos pais e de muitas qualidades, era irmão de cinco religiosos, dentre os doze, que enriqueciam a família dos dedicados pais.
 
      Quando os padres da Companhia de Jesus abriram um colégio em Montepulciano, Roberto foi um dos primeiros alunos na matrícula e no desempenho. O contato com os padres fez com que o jovem mudasse sua primeira idéia de ser médico, para inclinar-se em favor da vida religiosa jesuíta.
 
      Depois de conseguir a permissão do pai, que ao contrário da mãe, apresentava uma certa resistência frente a opção do amável filho, Belarmino com 18 anos, iniciou e concluiu de maneira brilhante sua formação religiosa e seus estudos de filosofia e teologia, tanto que antes de ser ordenado sacerdote foi enviado como professor e pregador em Lovaina, na Bélgica, onde ficou dez anos.
 
      Teve importante papel na aplicação do Concílio de Trento, já que ajudou na formação apologética dos teólogos e pregadores responsáveis na defesa da fé. Neste sentido Roberto, muito contribuiu ao escrever sua obra de nome "Controvérsia" e o livro chamado "Catecismo". Em sua obra "Controvérsias", Belarmino explana os seus três grandes amores. Trata da Palavra de Deus, de Cristo cabeça da Igreja e do Sumo Pontífice.
 
      Era também diretor espiritual do Colégio Romano, tendo sob sua responsabilidade a formação ascética dos alunos que muito o respeitavam e admiravam. O Papa Clemente VIII o elevou a cardeal com esta motivação:"Nós o escolhemos porque não há na Igreja de Deus outro que possa equiparar-se ele em ciência e sabedoria".
 
      Quando ficou muito doente em setembro de 1621, os confrades foram testemunhas do último diálogo dele com Deus: "Ó meu Deus, dai à minha alma, asas de pomba, para que possa voar para junto de vós". Morreu no dia 17 do mesmo mês, e pelos seus escritos recebeu o título de Doutor da Igreja.
 
São Roberto Belarmino, rogai por nós! 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Evangelho do dia - (Lucas 7,1-10)

 
7 1 Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum.
2 Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte. 3 Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar. 4 Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: "Ele bem merece que lhe faças este favor, 5 pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga". 6 Jesus então foi com eles. E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: "Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa; 7 por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado. 8 Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: "Vai ali!" E ele vai; e a outro: "Vem cá!" E ele vem; e ao meu servo: "Faze isto!" E ele o faz.
9 Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: "Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé". 10 Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.

 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - O efeito da palavra

Vinte séculos depois, o que nos deixa admirados a respeito do centurião não é que ele fosse um grande benfeitor da sinagoga judaica daquele lugar. Com o tempo a sinagoga desapareceu, e a recordação do povo provavelmente havia desaparecido muito antes. Hoje continuamos recordando aquele centurião pela fé que demonstrou. As palavras que disse a Jesus por meio de alguns amigos continuam sendo as palavras que pronunciamos na missa antes de nos aproximarmos para receber a comunhão. Usamo-las com a esperança de que nossa fé se pareça com a dele
 
 
       O diálogo entre Jesus e os emissários do oficial romano mostra como a Palavra produz frutos no coração humano. O desfecho da conversa - "Nem em Israel encontrei tanta fé!" - sublinha o foco do interesse de Jesus ao ser abordado por um grupo de judeus, que lhe solicitaram um favor para um pagão. É verdade! A Palavra deu mostras de eficácia até no coração dos pagãos.
 
       A atitude do oficial romano é modelar. Estava à beira da morte um servo pelo qual tinha grande estima. Reconhecendo ser Jesus a única pessoa que poderia curar o doente, dirigiu-lhe um pedido, por meio de alguns anciãos dos judeus. Estes achavam que o pedido do oficial merecia de ser atendido, já que sempre dera mostras de bondade em relação ao povo judeu, a quem tratava com deferência.
 
       Quando Jesus estava pronto para atender o pedido, eis que o oficial o surpreendeu com uma declaração carregada de fé. Ele acreditava que Jesus tinha suficiente poder para realizar o milagre, sem precisar dar-se ao trabalho de ir até sua casa. Bastaria uma só palavra, e o servo ficaria curado. Tinha consciência de ser pobre e limitado, por isso julgava-se indigno de receber em sua casa alguém com tanta força e autoridade divinas.
 
      A força incomparável da palavra do Mestre seria capaz de eliminar as doenças, independentemente de sua presença física. Para o oficial pagão, uma ordem militar, embora cumprida disciplinarmente, era coisa mínima, comparada a tamanho poder de Jesus.
 
 Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
Oração
Espírito que dá eficácia à Palavra, abre meu coração para acolher a mensagem de Jesus, e deixar que ela transforme a minha vida.

Santos do dia - Santos Cornélio e Cipriano

       Unidos pela fé e sangue, encontramos como exemplo de amizade e santidade estas testemunhas de Cristo, que foram martirizados no mesmo dia, porém, com diferença de cinco anos.
 
São Cornélio
       Cornélio tinha sido eleito Papa em 251, após um grande período de ausência do pastor por causa da terrível perseguição de Décio. Sua eleição foi contestada por Novaciano, que acusava o Papa de ser muito indulgente para com os que haviam renegado a fé (lapsos) e separaram-se da Igreja.
      Por causa dos êxitos obtidos com sua pregação, foi processado e exilado para o lugar hoje chamado Civitavecchici, onde Cornélio morreu. Foi sepultado nas catacumbas de Calisto.
 
São Cipriano
      Uma das grandes figuras do século III, Cipriano, de família rica de Cartago, capital romana na África do Norte. Quando pagão era um ótimo advogado e mestre de retórica, até que provocado pela constância e serenidade dos mártires cristãos, converteu-se entre 35 e 40 anos de idade.
 
      Por causa de sua radical conversão muitos ficaram espantados já que era bem popular. Com pouco tempo foi ordenado sacerdote e depois sagrado Bispo num período difícil da Igreja africana.
 
      Duas perseguições contra os cristãos ocorreram: a de Décio e Valeriano. Estas perseguições marcaram o começo e o fim de seu episcopado, além de uma terrível peste que assolou o norte da África, semeando mortes. Problemas doutrinários, por outro lado, agitavam a Igreja daquela região.
 
      Diante da perseguição do imperador Décio em 249, Cipriano escolheu esconder-se para continuar prestando serviços à Igreja. No ano 258, o santo Bispo foi denunciado, preso e processado. Existem as atas do seu processo de martírio que relatam suas últimas palavras do saber da sua sentença à morte: "Graças a Deus!"
 
Santos Cornélio e Cipriano, rogai por nós!

domingo, 15 de setembro de 2013

Evangelho do dia - (Lc 15,1-32)


15 1 Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. 2 Os fariseus e os escribas murmuravam: "Este homem recebe e come com pessoas de má vida!" 3 Então lhes propôs a seguinte parábola: 4 "Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? 5 E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, 6 e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: 'Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido'. 7 Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. 8 Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la? 9 E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido. 10 Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa".
11 Disse também: "Um homem tinha dois filhos. 12 O mais moço disse a seu pai: 'Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca'. O pai então repartiu entre eles os haveres. 13 Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. 14 Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. 15 Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. 16 Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17 Entrou então em si e refletiu: 'Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância e eu, aqui, estou a morrer de fome!' 18 Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: 'Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; 19 já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados'. 20 Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21 O filho lhe disse, então: 'Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho'. 22 Mas o pai falou aos servos: 'Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. 23 Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. 24 Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado'. E começaram a festa. 25 O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26 Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. 27 Ele lhe explicou: 'Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo'. 28 Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele. 29 Ele, então, respondeu ao pai: 'Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos. 30 E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!' 31 Explicou-lhe o pai: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32 Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado'".
 

- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Ensinando a perdoar

 
     Um dos maiores desafios para quem vive em comunidade é o perdão. Por outro lado, a sobrevivência de qualquer comunidade humana dependerá da capacidade que seus membros têm de perdoar. Sem isto, não há comunidade que possa subsistir por muito tempo.
 
      Em se tratando da comunidade cristã, o perdão torna-se um imperativo. Os discípulos de Jesus foram exortados a considerar as raízes teológicas do perdão. No ato de perdoar o próximo e de se reconciliar com ele, Deus se faz presente. Por conseguinte, o perdão supera os limites humanos.
 
      Quando alguém perdoa o próximo, age em conformidade com Deus que concede prodigamente o seu perdão ao ser humano. Para tanto, fecha os olhos para a maldade humana, quando a pessoa se reconhece pecadora e se volta para ele.
 
      A capacidade divina de perdoar é ilimitada. Deus conhece perfeitamente de que é feito o ser humano, e sabe muito bem que sua fidelidade pode não ser definitiva. Quem é perdoado hoje pode voltar a pecar amanhã. No entanto, sempre que se converte e volta arrependido, encontrará um Pai bondoso e misericordiosos para acolhê-lo.
 
      Os discípulos de Jesus são chamados a imitar o modo de agir de Deus. Também eles devem perdoar com prodigalidade, tendo um coração cheio de misericórdia para acolher quem carece de perdão.
 
 Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
Oração
Pai, é meu desejo imitar teu modo de agir, no tocante ao perdão. Faze-me ser pródigo e misericordioso em relação ao próximo que precisa do meu perdão.