sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

São José Moscati


O nosso Papa João Paulo II apresentou para nossa devoção São José Moscati, que muito bem soube viver a fé, a caridade e a ciência. Nasceu na Itália em 1880 no seio de uma família cristã. Com apenas 17 anos obrigou-se particularmente ao voto de castidade perpétua.

Inclinado aos estudos, José Moscati cursou a faculdade de medicina na Universidade de Nápoles e chegou, com 23 anos, ao doutorado e nesta área pôde ocupar altos cargos, além de representar a Itália nos Congressos Médicos Internacionais. Com competência profissional, Moscati curou com particular eficiência e caridade milhares e milhares de doentes.

Em Nápoles, embora procurado por toda classe de doentes, dava, contudo, preferência aos mais pobres e indigentes. Sem dúvida, foi na prática da caridade para com os pobres que se manifestou toda sua grandeza, ao ponto de receber o título de "Médico e Pai dos pobres", isto num tempo em que a cultura se afastava da fé.

José Moscati viveu corajosamente até 1927 e testemunhou a Verdade, tanto assim que encontramos em seus escritos: "Ama a Verdade, mostra-te como és, sem fingimentos, sem receios, sem respeito humano. Se a Verdade te custa a perseguição, aceita-a; se te custa o tormento, suporta-o. E se, pela Verdade, tivesses que sacrificar-te a ti mesmo e a tua vida, sê forte no sacrifício".

São José Moscati, rogai por nós!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

EVANGELHO (Lucas 7,24-30)


7 24 Depois que se retiraram os mensageiros de João, ele começou a falar de João ao povo: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
25 Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas preciosas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis.
26 Mas, enfim, que fostes ver? Um profeta? Sim, digo-vos, e mais do que profeta.
27 Este é aquele de quem está escrito: ´Eis que envio o meu mensageiro ante a tua face; ele preparará o teu caminho diante de ti´.
28 Pois vos digo: entre os nascidos de mulher não há maior que João. Entretanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele".
29 Ouvindo-o todo o povo, e mesmo os publicanos, deram razão a Deus, fazendo-se batizar com o batismo de João.
30 Os fariseus, porém, e os doutores da lei, recusando o seu batismo, frustraram o desígnio de Deus a seu respeito.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO


“Evangelizar quem não é evangelizado..."

Quem de nós teria  coragem de ir a Brasília, onde estão os três poderes que nos governam, e onde também é público e notório ser um antro de corrupção? Pregar a Palavra de Deus aos políticos corruptos, aos governantes e legisladores desonestos e anunciar-lhes o Reino da Justiça Divina? Dei o exemplo de uma classe que tem em seu meio pessoas que vivem em um mar de lamas, mas perto de cada um de nós, sempre tem alguém que parece ignorar a Palavra de Deus e o seu Reino, seriam eles as famosas Ovelhas Perdidas da Casa de Israel, como disse o próprio Jesus.
João Batista rompeu com a Cultura e a religião da sua época e foi anunciar o Reino a um público nada recomendável: as mulheres da Vida e os Publicanos e Cobradores de impostos, pessoas desqualificadas, com quem hoje, muitos pregadores não iriam "perder tempo". Aliás, parece que o seu jeito autêntico e coerente de viver a Fé atraia todas as pessoas a ele, para ouvir sua pregação que anunciava algo diferente. O refrão religioso até então era "Cumprir a Lei de Moisés", João estimula seus ouvintes a uma mudança radical de vida, e quem precisa de conversão não são os que estão na comunidade, mas aqueles   que estão fora dela, alheios ao evangelho e ao Reino que Jesus inaugurou.
Este é o mérito de João Batista segundo o próprio Jesus, os Publicanos e Cobradores de Impostos deram-lhe toda atenção e muitos se converteram. João não fazia uma pregação light, adaptada aos usos e costumes das pessoas daquele tempo, mas fala o que tem que ser falado, anunciando um Reino Novo que está chegando e que se fundamenta na Verdade, retidão e justiça. Não facilita para as pessoas falando aquilo que as agrade, não faz média quando anuncia a Santa Palavra e nem com o Grande Herodes, o qual até o admirava, João não teve medo de denunciar o seu pecado de adultério (uma palavra que hoje está quase saindo do nosso vocabulário, e que se tornou pesada e muito dura, até para os cristãos).
Por isso João é comparado por Jesus a uma Voz que grita no deserto, com firmeza e sem rodeios, que não se dobra e nunca se curva diante de valores contrários á Palavra anunciada. A Igreja vive por esses tempos um momento decisivo em sua história, onde o Espírito Missionário impulsiona os Cristãos a irem anunciar, pregar e viver o testemunho da Fé em meio a ambientes aparentemente hostis ao Reino e ao evangelho onde há sempre o perigo dos cristãos serem "engolidos" pelo relativismo, rompendo com a ética e a moral cristã, vivendo um cristianismo não tão exigente e criando um Jesus Cristo que venha mesmo de encontro as suas conveniências. Nesse caso tornam-se caniços que se envergam e se dobram ao sabor do vento.

 O valor de João

A exaltação de João Batista, feita por Jesus, revela a sua importância no projeto de Deus com a encarnação de seu Filho. João era realmente um grande profeta, dando um autêntico testemunho que atraiu a si o povo. Na encarnação, Jesus assume, não só sua humanidade individualizada, mas a humanidade toda, com todos os seus valores, em tudo que é bom, justo e verdadeiro. O próprio Jesus colhe e incorpora estes valores no seu convívio com as pessoas. João Batista é notável pelo seu sentido de justiça e pela ousadia com que se libertou dos vínculos opressores do judaísmo, com sede no Templo de Jerusalém e nas sinagogas. João não é um caniço agitado pelo vento, nem um homem vestido com roupas finas; é um homem livre e dedicado à causa da justiça que promove a vida. Jesus reconhece o valor de João e assume o seu anúncio revelando que é pelo caminho da fraternidade, da justiça e do amor que se faz a comunhão de vida eterna com Deus.
Oração
Pai, que o testemunho fulgurante de João Batista sirva de inspiração para minha adesão ao teu Reino. Que jamais me faltem a firmeza e o despojamento do Precursor.

 A EXALTAÇÃO DE JOÃO

A tarefa de precursor desempenhada por João e a provisoriedade de sua missão poderiam levar os discípulos de Jesus a olhá-lo com desprezo, desmerecendo seu trabalho. Jesus corrigiu esta distorção, exaltando a pessoa de João, a partir de sua inserção no projeto salvífico de Deus. A chegada do Messias Jesus não deveria ser motivo para relegar o Batista ao esquecimento. Tanto um quanto outro estavam a serviço do mesmo projeto divino.
A figura ascética de João, vivendo no deserto e exercendo aí sua tarefa, superava à dos antigos profetas. Ele era a realização do que os profetas haviam anunciado. Era o mensageiro enviado por Deus para preparar os caminhos de seu Messias, convocando o povo à conversão e praticando um batismo de penitência. Sua disponibilidade para colaborar com Deus, no seu desígnio de levar a salvação à toda humanidade fazia dele o maior dentre os nascidos de mulher. Faltou-lhe apenas ter sido discípulo do Reino anunciado e instaurado pelo Messias que ele tinha proclamado. Quem acolheu a pregação de João e se converteu de seus pecados, deu razão a Deus, reconhecendo, no Batista, o sinal da presença divina na História. Quem se mostrou insensível aos seus apelos, recusando-se a converter-se, frustrou os planos de Deus e ficou privado da salvação. Assim, a posição tomada diante de João foi uma posição tomada em relação a Deus.
Oração
Senhor Jesus, que o apelo de João à conversão e à penitência encontre eco no meu coração, colocando-me no caminho que me leva a ti.

Santa Cristiana

A vida de Santa Cristiana é um grande testemunho de que nada é coincidência, mas tudo é providência. Os Georgianos consideram-na o instrumento providencial da sua conversão.

Ela era uma escrava que vivia na Grécia nos princípios do século IV. Teria sido levada cativa para essa terra por guerreiros vitoriosos ou teria lá procurado voluntariamente asilo, fugindo da perseguição que se desencadeara na sua pátria? Ninguém sabia qual era sua verdadeira origem; só a conheciam pelo nome de Cristiana ou Nina (cristã). Era humilde e caridosa e fazia-se estimar.

Quando alguma criança caía doente nessas regiões, a mãe levava-a de porta em porta, a fim de consultar as vizinhas sobre os melhores remédios a aplicar. Um dia, foi ter com ela uma pobre mulher, levando nos braços um menino moribundo. Ao vê-lo, a santa, cuja memória a Igreja celebra hoje, disse: "Eu não posso fazer nada, mas Deus Todo-Poderoso pode restituir-lhe a saúde, se for essa a Sua vontade". Deitou o moribundo no seu próprio catre, cobriu-o com o seu cilício, orou a Deus em nome de Cristo e, a seguir, restituiu à mãe o filho curado.

A fama desse milagre chegou aos ouvidos da rainha da Geórgia, que estava prestes a morrer de uma doença desconhecida. Pediu ela que lhe chamassem Nina, mas esta, cuja inocência já tinha corrido muitos perigos, respondeu: "O meu lugar não é em palácio". Foi então a rainha ter com a escrava e recuperou a saúde. Tanto ela como o rei Mirian quiseram recompensá-la com ricos presentes, mas Cristiana os recusou dizendo: "A única coisa que me faria feliz seria ver-vos abraçar a religião cristã". Mirian levou muito tempo a tomar essa decisão, mas um dia, correndo grave perigo numa caçada às feras, prometeu que, se escapasse ileso, se tornaria cristão. Sabe-se efetivamente que, cerca do ano de 325, ele pediu a Constantino que lhe enviasse missionários. O Imperador enviou-lhe o Bispo Pedro e o Sacerdote Jacob, que batizaram "todos os habitantes da sua capital", lançando assim os fundamentos do Cristianismo nesse país.

Santa Cristiana, rogai por nós!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Evangelho (Lucas 7,19-23)


Naquele tempo, 7 19 João chamou dois dos seus discípulos e enviou-os a Jesus, perguntando: "És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?"
20 Chegando estes homens a ele, disseram: "João Batista enviou-nos a ti, perguntando: ´És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?´"
21 Ora, naquele momento Jesus havia curado muitas pessoas de enfermidades, de doenças e de espíritos malignos, e dado a vista a muitos cegos.
22 Respondeu-lhes ele: "Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho;
23 e bem-aventurado é aquele para quem eu não for ocasião de queda!"
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO


"A Dúvida de João Batista..."

De primeiro eu achava que Fé e Dúvida eram duas coisas incompatíveis, no nosso grupo de jovens entre as músicas preferidas, cantávamos sempre a Oração de São Francisco de Assis onde um dos versos dizia "Onde houver dúvida que eu leve a Fé". Passei a minha infância e adolescência sempre ouvindo isso, mas dentro de mim o que menos faltava eram as benditas dúvidas e por isso julgava-me fraco na Fé.
Quando comecei a prestar mais atenção na Palavra de Deus descobri que ter dúvida é algo positivo e que, inclusive, nos faz crescer na Fé. A maioria dos vocacionados da Bíblia, em um primeiro momento tiveram sim, dúvidas sobre a missão. No Novo Testamento uma das primeiras a ter a ousadia de questionar Deus foi Maria de Nazaré "Como isso vai acontecer se não conheço homem algum?" E no evangelho de hoje, o grande João Batista Precursor de Jesus, que recebeu dele um grande elogio sente a dúvida bater em seu coração “És tu que hás de vir ou devemos esperar outro?”
A dúvida faz parte do ser humano e quando transformada em reflexão, permite-nos crescer e muito tanto na vida de Fé como na realização como pessoa. Quem não tem dúvida é porque não tem um ideal de vida, nem almeja uma meta, é próprio de quem caminha sem rumo e não encontrou um sentido para a vida.
Na sala de aula, o aluno que nunca faz perguntas, ou é porque entendeu tudo, ou ao contrário, não entendeu nada e nem tem interesse em apreender. Na pós modernidade vemos tantos modelos de Jesus Cristo que muitas vezes a dúvida bate em nosso coração, como aconteceu com João Batista. Tem Jesus de tudo quanto é tipo, prá gente escolher, a maioria deles inventado pelo Consumismo. Um Jesus light que me faça sentir bem em determinada igreja... Um Jesus piegas que fica mais no céu do que na terra, ao nosso lado, um Jesus que não é tão exigente e nem cobra para que a gente "Vista prá valer a camisa do seu Evangelho", um Jesus de Esquerda ou de Direita, segundo as ideologias políticas, um Jesus da elite ou um Jesus só dos pobrezinhos. A Sociedade tem a ousadia de fazer Caricaturas de Jesus, é o Homem do Segundo milênio querendo reinventar um Deus á SUA imagem e semelhança... Justamente o contrario de quem realmente ele é, o Evangelho não nos aliena e nem nos aprisiona, mas nos liberta.
Jesus de Nazaré, que aparece no evangelho é aquele que ajuda o homem a se encontrar como Filho de Deus, é aquele que faz o ser humano enxergar o mundo, as pessoas e os acontecimentos da história, com outros olhos (Os Cegos enxergam) Jesus é aquele que irradia esperança e faz as pessoas sonharem e se projetarem para frente, caminhando pelas estradas da vida, livres de suas paralisias (Os Paralíticos andam) , Jesus é aquele que tira do homem todo pecado e sentimento de culpa, é aquele que restitui ao ser humano a liberdade de agir e de tomar decisões a partir do seu livre arbítrio (Os Leprosos são purificados) Jesus é aquele que faz ecoar a sua Palavra Vivificadora nas entranhas do homem, fazendo-o ouvir a Verdade para acreditar nela (os surdos ouvem) enfim, Jesus é aquele que arranca o homem da inércia do pecado ressuscitando-o á única e verdadeira luz e concluindo os sinais, Jesus é ainda aquele que tem uma noticia feliz aos pobres.
Se não descobrirmos o Cristo através desses sinais que são realizados na vida de todas as pessoas, vamos passar a vida toda correndo atrás de um  Mito, que nunca conseguiremos alcançar, não porque ele se distancia de nós, mas porque nós o colocamos muito longe, pois muitas vezes, temos medo de realmente nos encontrar com ele.

 Expectativa do Messias glorioso

Estando João na prisão, ouviu falar das obras de Jesus. João havia anunciado um juízo severo, com o machado já posto à raiz das árvores; as que não derem frutos serão cortadas e queimadas pelo messias. Contudo Jesus não estava julgando e castigando ninguém, porém chamado todos à conversão. Daí a pergunta dos enviados por João: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?". Esta interrogação não era só dos discípulos de João, mas, também, dos próprios discípulos de Jesus, e das comunidades que se formaram, depois, ainda sob a expectativa do messias glorioso. Jesus, então, relata sua missão, expressa em suas obras: são obras libertadoras que promovem a vida e ilumina e liberta os pobres submissos à ideologia excludente e opressora dos poderosos. São os sinais da chegada do Reino, com o sinal maior: os pobres são evangelizados. Esta evangelização se exprime na solidariedade e promoção dos empobrecidos, derrubando as barreiras da exclusão levantadas pelos ambiciosos da riqueza.
Oração
Pai, enviaste teu Filho ao mundo, na condição de Messias dos pobres. Que eu saiba reconhecê-lo no gesto simples de solidariedade com os pobres e sofredores.

 TESTEMUNHO DA LUZ

A pessoa e a missão de Jesus é que definiram a identidade de João Batista. Este fora enviado por Deus para ser testemunho da luz. Mediante sua pregação, muitas pessoas teriam a chance de chegar à fé e serem iluminadas pela luz, que é Jesus. A atividade de João preparava a chegada de Jesus, predispondo as pessoas para recebê-lo.
O pressuposto de seu ministério era que a humanidade estava mergulhada nas trevas e, por isso, vagava errante pelo caminho do pecado e da injustiça. Se não lhes fosse oferecida uma luz, não teriam condições de superar esta situação. Entretanto, o Pai decidira resgatar o ser humano para a vida. E o fez, por meio de seu Filho Jesus, cujo ministério consistiria em ser luz para o ser humano, mostrando-lhe o caminho para o Pai.
João Batista compreendeu este projeto de Deus e se colocou a serviço dele. Sua condição de servidor do Messias estava arraigada em sua consciência. Não cedeu à tentação de pensar de si mesmo, além do que correspondia ao plano de Deus. Não lhe cabia nenhuma das identificações do Messias, em voga na teologia popular. Ele não era nem o Messias, nem Elias, nem algum dos profetas. Era, simplesmente, um servo de Deus e do seu Messias. Este título era suficiente para defini-lo. Tudo o mais não passava de especulação.
Oração
Senhor Jesus, como João Batista, desejo colocar-me totalmente a teu serviço, dando ao mundo o testemunho de tua luz.

São João da Cruz


O santo deste dia é conhecido como "doutor místico": São João da Cruz. Nasceu em Fontiveros, na Espanha, em 1542. Seus pais, Gonçalo e Catarina, eram pobres tecelões. Gonçalo morreu cedo e a viúva teve de passar por dificuldades enormes para sustentar os três filhos: Francisco, João e Luís, sendo que este último morreu quando ainda era criança. Como João de Yepes (era este o seu nome de batismo) mostrou-se inclinado para os estudos, a mãe o enviou para o Colégio da Doutrina. Em 1551, os padres jesuítas fundaram um colégio em Medina (centro comercial de Castela). Nele, esse grande santo estudou Ciências Humanas.

Com 21 anos, sentiu o chamado à vida religiosa e entrou na Ordem Carmelita, na qual pede o hábito. Nos tempos livres, gostava de visitar os doentes nos hospitais, servindo de enfermeiro. Ocasião em que passou a ser chamado de João de Santa Maria. Devido ao talento e à virtude, rapidamente foi destinado para o colégio de Santo André, pertencente à Ordem, em Salamanca, ao lado da famosa Universidade. Ali, estudou Artes e Teologia. Foi nesse colégio nomeado de "prefeito dos estudantes", o que indica o seu aproveitamento e a estima que os demais tinham por ele. Em 1567 foi ordenado sacerdote.

Desejando uma disciplina mais rígida, São João da Cruz quase saiu da Ordem para ir ingressar na Ordem dos Cartuxos, mas, felizmente, encontrou-se com a reformadora dos Carmelos, Santa Teresa D'Ávila, a qual havia recebido autorização para a reforma dos conventos masculinos. João, empenhado na reforma, conheceu o sofrimento, as perseguições e tantas outras resistências. Chegou a ficar nove meses preso num convento em Toledo, até que conseguiu fugir. Dessa forma, o santo espanhol transformou, em Deus, todos as cruzes num meio de santificação para si e para os irmãos. Três coisas pediu e acabou recebendo de Deus: primeiro: força para trabalhar e sofrer muito; segundo: não sair deste mundo como superior de uma comunidade; e terceiro: morrer desprezado e escarnecido pelos homens.

Pregador, místico, escritor e poeta, esse grande santo da Igreja faleceu após uma penosíssima enfermidade, em 1591, com 49 anos de idade. Foi canonizado no ano de 1726 e, em 1926, o Papa Pio XI o declarou Doutor da Igreja. Escreveu obras bem conhecidas como: Subida do Monte Carmelo; Noite escura da alma (estas duas fazem parte de um todo, que ficou inacabado); Cântico espiritual e Chama viva de amor. No decurso delas, o itinerário que a alma percorre é claro e certeiro. Negação e purificação das suas desordens sob todos os aspectos.

São João da Cruz é o Doutor Místico por antonomásia, da Igreja, o representante principal da sua mística no mundo, a figura mais ilustre da cultura espanhola e uma das principais da cultura universal. Foi adotado como Patrono da Rádio, pois, quando pregava, a sua voz chegava muito longe.

São João da Cruz, rogai por nós!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Evangelho (Mateus 21,28-32)


Naquele tempo, disse Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: 21 28 "Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: - ´Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha´.
29 Respondeu ele: - ´Não quero´. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi.
30 Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: - ´Sim, pai!´ Mas não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai?" "O primeiro", responderam-lhe. E Jesus disse-lhes: "Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!
32 João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele".
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO


"Um SIM da boca prá fora..."
Por trás do SIM que dizemos a Deus ao professar a nossa Fé, há uma série de SIM que vai se repetindo em nossa vida e aí, são esses que muitas vezes não conseguimos sustentar. Pais e Padrinhos dizem sim no dia do batismo de seus filhos e afilhados, mas depois, além de não sustentá-lo vão dizendo não ás coisas de Deus. Da mesma forma os Sacramentos da iniciação cristã além do Batismo, a Crisma e a Eucaristia, onde o amém também é sim.
Os adolescentes que se crismam são bem capazes de já no próximo domingo dizerem um redondo NÃO á Deus e á comunidade. Nos dois Sacramentos do serviço e que se equivalem em dignidade: Ordem e Matrimonio, onde aquele SIM dito as vezes até com emoção no dia do casamento ou da ordenação, com o passar do tempo vai calando dentro do coração e o SIM acaba virando NÃO. Como entender tanta inconstância e falta de perseverança, em todos esses sacramentos e na vida da comunidade?
O nosso povo tem uma explicação bem simples para isso, quando diz que algo foi falado só da boca para fora... E isso é mesmo a mais pura verdade! Falta na hora sagrada do SIM uma decisão firme e uma vontade ferrenha, que depois em todos os dias irá se renovar diante das situações que nos apresentam, e das decisões que teremos que tomar.
O SIM dito como mero sentimento, no clima da euforia e entusiasmo, é como um fogo de palha que dura bem pouco e logo acaba desmoronando. Portanto, essa parábola apresenta uma dura crítica contra o Povo do antigo Testamento, que era o povo escolhido de uma Nação Santa, e que aparentemente disse Sim a Deus, entretanto na hora de confirmar esse SIM e aceitar Jesus Cristo o enviado do Pai, acabaram dizendo NÃO. E aqueles que estavam excluídos da salvação pelo sistema religioso dominante, e que aparentemente tinham dito um NÃO a Deus, agora dizem um SIM a Jesus Cristo e com isso antecipam a entrada no reino em relação aos primeiros.
A parábola nos questiona profundamente, exortando-nos que o nosso SIM Sacramental, tem que se transformar no SIM da nossa Vida, se pararmos apenas no rito sacramental, estaremos NEGANDO tudo o que celebramos e de Deus recebemos. Reparem bem que o evangelho é uma opção radical, não existe o TALVEZ... É SIM ou NÃO...

 A parábola dos dois filhos

Logo depois de sua chegada a Jerusalém, quando expulsou os comerciantes do Templo, Jesus é questionado pelos chefes religiosos deste Templo. Depois de confundi-los sobre a questão da autenticidade do batismo de João, Jesus dirige-lhes esta parábola simples. O primeiro filho se indispôs a cumprir a vontade do Pai, mas depois mudou e a fez. O segundo filho se dispôs a cumpri-la, mas não a fez. Interrogados por Jesus, os chefes religiosos concordam que foi o primeiro filho que fez a vontade do pai. Jesus os faz ver que não foi isto que eles próprios fizeram. João veio anunciando a vontade do Pai na conversão e na prática da justiça, mas estes chefes e autoridades não acreditaram nele. Satisfaziam-se com a justificativa de serem observantes da Lei e de se proclamarem filhos de Abraão, mas na prática não cumpriam a vontade de Deus. A conversão à justiça, já proposta por João, nos prepara para o advento de Jesus, que nos introduz no reino de partilha, no amor fraterno e eterno.
Oração
Pai, quero ser para ti um filho que escuta a tua Palavra e se esforça para cumpri-la com sinceridade. Que a minha resposta a teu apelo não seja pura formalidade.

 QUEM FAZ A VONTADE DO PAI

Jesus denunciou, corajosamente, a atitude de certas lideranças religiosas de seu tempo. O ponto polêmico girava sempre em torno da maneira como estes líderes se relacionavam com ele. Apesar de serem tidos como piedosos e tementes a Deus, eram incapazes de perceber a presença do Pai na vida e na ação de Jesus, e de reconhecê-lo como seu enviado. Tal obstinação era insuportável para o Mestre.
Entretanto, Jesus se dava conta de estar sendo acolhido com carinho pelas pessoas, vítimas da discriminação social e religiosa. Os pecadores, as pessoas de má vida, os desprezados cobradores de impostos eram sensíveis à sua pregação e se deixavam tocar por ela. Entre eles, o ministério de Jesus produzia bons frutos e atingia seu objetivos.
O contraste entre as duas atitudes era gritante. Havia os que pretendiam estar próximos de Deus, mas se fechavam para Jesus e insistiam em não dar valor às suas palavras. E havia os que pareciam viver à margem de Deus, porém tinham suficiente clarividência para intuir que, em Jesus, a salvação se fazia presente na história humana. Assim, os primeiros estavam longe de agradar a Deus, embora aparentemente dessem mostras do contrário. Os segundos - as meretrizes e os pecadores - agiam de forma agradável a Deus, por terem chegado à fé em Jesus, reconhecendo-o como salvador. Por isso, teriam precedência no Reino.
Oração
Senhor Jesus, dá-me clarividência para reconhecer-te como presença da salvação de Deus, na história humana, e assim, fazer a vontade do Pai.

Santa Luzia


O nome de Santa Luzia deriva do latim e significa: Portadora da luz. Ela é invocada pelos fiéis como a protetora dos olhos, que são a "janela da alma", canal de luz.

Ela nasceu em Siracusa (Itália) no fim do śeculo III. Conta-se que pertencia a uma família italiana e rica, que lhe deu ótima formação cristã, a ponto de ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe, chamada Eutícia, a queria casada com um jovem de distinta família, porém, pagão.

Ao pedir um tempo para o discernimento e tendo a mãe gravemente enferma, Santa Luzia inspiradamente propôs à mãe que fossem em romaria ao túmulo da mártir Santa Águeda, em Catânia, e que a cura da grave doença seria a confirmação do "não" para o casamento. Milagrosamente, foi o que ocorreu logo com a chegada das romeiras e, assim, Santa Luzia voltou para Siracusa com a certeza da vontade de Deus quanto à virgindade e quanto aos sofrimentos pelos quais passaria, assim como Santa Águeda.

Santa Luzia vendeu tudo, deu aos pobres, e logo foi acusada pelo jovem que a queria como esposa. Não querendo oferecer sacrifício aos falsos deuses nem quebrar o seu santo voto, ela teve que enfrentar as autoridades perseguidoras. Quis o prefeito da cidade, Pascásio, levar à desonra a virgem cristã, mas não houve força humana que a pudesse arrastar. Firme como um monte de granito, várias juntas de bois não foram capazes de a levar (Santa Luzia é muitas vezes representada com os sobreditos bois). As chamas do fogo também se mostravam impotentes diante dela, até que por fim a espada acabou com vida tão preciosa. A decapitação de Santa Luzia se deu no ano de 303.

Conta-se que antes de sua morte teriam arrancado os seus olhos, fato ou não, Santa Luzia é reconhecida pela vida que levou Jesus - Luz do Mundo - até as últimas consequências, pois assim testemunhou diante dos acusadores: "Adoro a um só Deus verdadeiro, e a Ele prometi amor e fidelidade".

Santa Luzia, rogai por nós!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Evangelho (Lucas 1,39-47)


1 39 Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
40 Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
41 Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42 E exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
43 Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
44 Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
45 Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
46 E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
47 meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador".
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO


 "Um Encontro que mudou a história..."
Certa ocasião em que meus pais celebravam Bodas, nós filhos começamos a especular como e onde eles se encontraram péla primeira vez e ficamos sabendo que foi durante um baile onde dançaram uma valsa e daí tudo começou... Fico temeroso só em saber que se aquele encontro não tivesse acontecido, eu não estaria aqui, não só eu como um monte de gente da nossa Família. Esse encontro de Maria e Isabel é um prenúncio feliz de que a história vai mudar...
Interessante porque não foi um encontro de gente importante, Isabel era uma anciã, até então estéril, Maria tinha lá os seus 13 ou 14 anos, era uma menina pobre de uma Vilinha desprezível chamada Nazaré, mas ambas traziam dentro de si a semente de algo que alimentava suas esperanças, e que era a Esperança de todo povo de Israel. Deus entra na vida dessas duas mulheres e com a colaboração delas, começa a escrever uma nova história sem o aval dos poderosos, dos entendidos, dos doutores e Escribas. Quando Deus quer, e encontra um coração e uma vida disponível, ninguém conseguirá impedir a sua ação...
Jesus ainda estava no ventre de Maria, mas já é chamado de Senhor, por Isabel, e toda essa alegria de uma esperança que vai começar a se realizar, contagia Isabel que também traz algo dentro de si, João Batista, que pula de alegria com a presença de Jesus.
A Fé e a fidelidade nas promessas de Deus mudam totalmente a vida das pessoas que passam a mover pelo Espírito Santo, e são capazes de desfazer qualquer plano, para que a Vontade de Deus se realize. Assim foi com Maria, que inclusive já estava noiva, ela não desistiu de José, mas no Espírito Santo a relação deles ganhou um novo sentido, Isabel também se deixou modelar pelo Espírito de Deus, pois era idosa e ainda por cima estéril, mas o Deus da Vida faz a Vida brotar até de um ventre estéril.
O encontro de Maria e Isabel lá na montanha inaugura um tempo novo para toda humanidade, agora, os pequenos são a bola da vez, pequenos que a exemplo de Maria e Isabel, abrem a vida e o coração dando espaço para que Deus caminhe neles, fazendo uma nova história, cujo enredo os prepotentes e poderosos deste mundo, nunca conseguirão entender.
Que a nossa presença cristã no mundo de hoje, consiga despertar no coração das pessoas, essa grande esperança de uma profunda renovação, e para isso, é imprescindível que levemos em nossas entranhas a luz e a força do  Espírito Santo pois SEM ELE, nada de novo acontece e nem irá acontecer. Mas nele e com ele podemos cantar com Maria "A minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria, em Deus meu Salvador..."

 Maria e Isabel. Jesus e João

 
Ao descreverem o relacionando entre João Batista e Jesus, os evangelistas o fazem em uma perspectiva teológica, atestando a subordinação de João a Jesus. De fato, muitos discípulos de João Batista, após sua morte, ficaram à parte do movimento de Jesus, fixados na figura de João. O realce da submissão de João a Jesus visa atrair estes discípulos para o movimento de Jesus. No episódio da Visitação a supremacia de Jesus sobre João é evidenciada desde os ventres maternos. Duas mulheres: Maria, esposa de um operário de Nazaré, na Galiléia, e Isabel, esposa de um sacerdote no Templo de Jerusalém. Dois meninos: o que será o Salvador, originário da região gentílica periférica, e o seu Precursor, originário da região urbana privilegiada do judaísmo central. Ao ouvir a saudação de Maria, Isabel e o filho ficam cheios do Espírito Santo. Isabel, então, transborda em um hino de exaltação, proclamando Maria bem-aventurada por ter crido, e Maria entoa um hino de louvor ao Deus libertador dos pobres e oprimidos.
Oração
Espírito de fé e esperança, enriquece meu coração com as mesmas virtudes de Maria, de modo que eu possa alcançar, como ela, a bem-aventurança.

 A GLORIFICAÇÃO DE MARIA

A festa da assunção de Nossa Senhora leva-nos a repensar todo o seu peregrinar neste nosso mundo, pois se trata de celebrar o desfecho de sua caminhada. O fim da existência terrena de Maria consistiu na plenificação de todos os seus anseios de mulher de fé e disponível para servir. A expressão "repleta de graça", dita pelo anjo, encontrou sua expressão consumada na exaltação dela junto de Deus.
A estreita conexão entre a existência terrena de Maria e a sua sorte eterna foi percebida desde cedo pela comunidade cristã, apesar de a Bíblia não contar os detalhes de sua vida e de sua morte. A comunidade deu-se conta de que Deus assumiu e transformou toda a sua história, suas ações e seu corpo.
O relato evangélico é um pequeno retrato de Maria. Sua condição de mãe do Messias, o "Senhor" esperado pelo povo, proveio da profunda comunhão com Deus e da disponibilidade total em fazer-se sua servidora. Expressou sua fé no canto de louvor – o Magnificat –, no qual proclamou as maravilhas do Deus e as grandezas de seus feitos em favor dos fracos e pequeninos.
A comunhão com Deus desdobrava-se, na vida de Maria, na sua disponibilidade a servir o próximo. A ajuda prestada à prima Isabel é uma pequena amostra do que era a Mãe de Deus no seu dia-a-dia. Assunta ao céu, Maria experimentou, em plenitude, a comunhão vivida na Terra.
Oração
Pai, conduze-me pelos caminhos de Maria, tua fiel servidora, cuja vida se consumou, sendo exaltada por ti. Que, como Maria, eu saiba me preparar para a comunhão plena contigo.

Nossa Senhora de Guadalupe


Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego para que fosse até o Bispo, pedindo que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.

O Bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Foi quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para o tio doente: "Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija e o perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que você vai levar ao Bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é meu embaixador e merece a minha confiança. Quando chegar diante dele, desdobre a sua "tilma" (manto) e mostre-lhe o que carrega, porém, só em sua presença. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omita..."

O Bispo viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego fora visitar o seu tio, que sadio narrou:"Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou a mim. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de 'Santa Maria de Guadalupe', embora não tenha explicado o porquê". Diante de tudo isso muitos se converteram e o Santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. Pois nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do Bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Disse o Papa Bento XIV, em 1754: "Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros... uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja... Deus não agiu assim com nenhuma outra nação".

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada "Padroeira de toda a América" pelo Papa Pio XII a 12 de outubro de 1945.

No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou à Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

Domimgo , 11 Dezembro

 EVANGELHO (Jo 1,6-8.19-28)
P.  6Surgiu um homem enviado por Deus, seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” 20João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. 21Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”. 22Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta àqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” 23João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’”, conforme disse o profeta Isaías.  24Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e 25perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” 26João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. 28Isso aconteceu em Betânia além do Jordão, onde João estava batizando.
– Palavra da Salvação.
T. Glória a vós, Senhor.

Domingo , 11 dezembro

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO


 "A FORÇA DO TESTEMUNHO!"

Quando alguém em nosso meio se destaca, na arte, na cultura, na política ou no esporte, fazendo algo diferente e estando muito acima da média, logo se torna famoso e importante, e diante disso, somos aguçados pela curiosidade em conhecê-lo, saber quem é essa pessoa, como ela vive no seu dia a dia, onde mora e o que faz quando está longe do público.Mais ainda, o que ela pensa sobre certas coisas, qual a sua opinião diante de temas polêmicos. É isso que faz certos programas de TV, ou pela Internet, que mostra aos fãs como vivem seus ídolos. Alguns são bem autênticos e até cultivam valores positivos, que através de revistas, jornais ou programas de auditório, passam aos jovens ajudando-os a viver melhor. Mas há também aqueles que infelizmente, sendo uma referência negativa e em nada contribuem no exemplo que dão aos nossos jovens.
Quando João Batista apareceu no deserto, ele não veio do nada e nem caiu do céu, mas é alguém que fez uma opção de vida, porque se sentia enviado por Deus para uma missão especial: anunciar a todos que o Reino já tinha chegado e era preciso se tomar diante dele uma decisão.Sua pregação tão enérgica, o modo austero que vivia no deserto logo chamou a atenção, naquele tempo havia muitos pregadores do messianismo, anunciando o fim do mundo, não diferente de hoje, mas o Batista se destacava de todos porque não se colocava como modelo de uma nova religião ou seita, mas anunciava alguém que representava a verdadeira renovação espiritual que o homem precisava, ele não queria seguidores para si, mas preparava as pessoas para seguirem o verdadeiro Mestre e Profeta de Israel que era Jesus Cristo.
O seu testemunho firme e inequívoco logo preocupou os judeus, que mandaram os representantes da religião oficial para interrogá-lo, pois tinham medo que ele fosse o messias prometido. Mas o Batista logo desfez essa mentalidade distorcida á seu respeito, ao afirmar “Eu não sou o Messias!”. Pronto! Estava desfeito o equívoco, João não era o Messias, nem Elias e nem o profeta, causando mais expectativa nos seus Interlocutores, que querem saber quem o autorizou a pregar, pois precisam levar uma resposta aos poderosos e líderes religiosos. No fundo a questão que preocupa as lideranças religiosas é só uma: quem é esse Deus que enviou João Batista, sem que ele tivesse uma linhagem profética ou fosse a reencarnação de um profeta famoso, a religião da manipulação não admitia outra linha de pensamento.
Em uma sociedade marcada por tantas correntes religiosas e eclesiologias diferentes, por ideologias enlatadas e rotuladas, é proibido pensar e viver diferente, por isso, naquele tempo, o povo, cansado da religião dos holocaustos, dos ritos purificatórios , jejuns e preceito sabático, acorre para João, atraídos pela novidade que ele anuncia, novidade que já está no meio deles e que em breve iria se manifestar.
Quem fica parado é poste, quem fica na mesmice cria bicho como uma água parada, viver a religião significa antes de tudo renovar-se constantemente, uma renovação que só pode acontecer quando abrimos a porta da nossa vida para acolhermos o novo que é Jesus Cristo - Filho de Deus, enviado do Pai, e que sempre inverte a ordem estabelecida, para desespero dos que não querem mudanças, nem na ordem social econômica e muito menos na religiosa. Nenhuma comunidade cristã deve ser tão fechada, a ponto de não aceitar que Deus tenha seus “enviados” como João, que anuncia algo novo.
O batismo dado por João, feito com água, é apenas o primeiro passo de quem ouviu e aceitou esse anúncio, e cheio de alegria se prepara para receber quem já está no meio do povo, e que irá marcar para sempre o homem com o verdadeiro batismo, tornando-o filhos e filhas queridas de Deus.
Podemos nos perguntar diante de Deus, neste terceiro domingo do advento, se o nosso modo de viver e pensar são um testemunho firme como o de João ou, embora cristãos, não passamos de “Maria vai com as outras”, curvando-nos diante de tantos valores que o mundo coloca diante de nós como absolutos, e que por isso mesmo, acabam roubando em nossa vida, o lugar que só pertence a Deus. Enfim, que testemunho é o nosso?

 João cumpre sua missão de "endireitar o caminho para o Senhor"

 
João Batista desempenha um papel fundamental no plano salvífico de Deus. Ele rejeita qualquer título messiânico, Cristo, Elias, ou "o profeta". João inaugura o batismo, que está na origem do sacramento de iniciação de nossa vida cristã. É o batismo da conversão à prática da justiça pela qual os pecados são removidos. Seu anúncio, a partir do deserto, entra em choque frontal com o Templo de Jerusalém. Era neste que, segundo a Lei, se purificavam os pecados mediante os rituais preceituados, com ofertas e sacrifícios de animais. Com o seu batismo e seu anúncio João cumpre sua missão de "endireitar o caminho para o Senhor". Ele deixa a expectativa quanto à chegada de alguém que está entre nós e nós não o conhecemos, o qual superará o próprio João.
O evangelista João, neste seu texto, identifica o local onde João Batista batizava. Era em Betânia, em território da Peréia (diferente de Betânia próxima a Jerusalém, onde moravam Marta, Maria e Lázaro). A expressão "do outro lado do Jordão" indica o caráter gentílico desta região. O batismo de João tinha características originais e sua proclamação foi tão marcante que lhe mereceu o epíteto de "o Batista". Atraídas por sua mensagem, acorriam a João multidões vindas tanto do mundo gentílico como da Judéia e da própria capital, Jerusalém. Isto abalava a estabilidade, o prestígio e os interesses das elites religiosas de Jerusalém, pois seus fieis estavam em massa indo atrás de João Batista, abandonando os rendosos rituais do Templo.
Assim a cúpula central do poder teocrático envia inquisidores, sacerdotes e levitas, para auscultarem João. Mais tarde também esta mesma cúpula enviará outros inquisidores à Galiléia para espreitarem Jesus (Mc 7,1). Respondendo às perguntas dos que o questionavam, João rejeita qualquer messianismo. Identifica-se como cumpridor da profecia de Isaías em preparar o caminho do Senhor.
O seu batismo com água terá sua plenitude com aquele que vem depois dele. "Mas entre vós está alguém que vós não conheceis...". João o identificará como o que batiza com o Espírito Santo. Deus, ao enviar seu Filho concebido de Maria, eleva a humanidade à condição divina. Nascido de Maria, Jesus de Nazaré, junto de sua família, antes de iniciar seu ministério, permanece cerca de trinta anos entre homens e mulheres de seu tempo, os quais não reconheceram sua condição divina. Dando continuidade e pleno sentido ao anúncio de João, Jesus, no início de seu ministério se apresentará como aquele que é portador do Espírito, e que anuncia a boa nova aos pobres e vem libertar os oprimidos, fazendo brotar a justiça (primeira leitura).
É o Espírito da paz, que nos traz alegria e nos move à oração e ao amor para com nossos irmãos, em contínua ação de graças (segunda leitura). O Advento é o tempo de apurarmos nossa fé em reconhecer o Filho de Deus em Jesus, presente entre nós e em nosso próximo, hoje e sempre, comunicando-nos sua vida divina e eterna pelo amor.
Oração
Senhor Jesus, como João Batista, desejo colocar-me totalmente a teu serviço, dando ao mundo o testemunho de tua luz.

 TESTEMUNHO DA LUZ

A pessoa e a missão de Jesus é que definiram a identidade de João Batista. Este fora enviado por Deus para ser testemunho da luz. Mediante sua pregação, muitas pessoas teriam a chance de chegar à fé e serem iluminadas pela luz, que é Jesus. A atividade de João preparava a chegada de Jesus, predispondo as pessoas para recebê-lo.
O pressuposto de seu ministério era que a humanidade estava mergulhada nas trevas e, por isso, vagava errante pelo caminho do pecado e da injustiça. Se não lhes fosse oferecida uma luz, não teriam condições de superar esta situação. Entretanto, o Pai decidira resgatar o ser humano para a vida. E o fez, por meio de seu Filho Jesus, cujo ministério consistiria em ser luz para o ser humano, mostrando-lhe o caminho para o Pai.
João Batista compreendeu este projeto de Deus e se colocou a serviço dele. Sua condição de servidor do Messias estava arraigada em sua consciência. Não cedeu à tentação de pensar de si mesmo, além do que correspondia ao plano de Deus. Não lhe cabia nenhuma das identificações do Messias, em voga na teologia popular. Ele não era nem o Messias, nem Elias, nem algum dos profetas. Era, simplesmente, um servo de Deus e do seu Messias. Este título era suficiente para defini-lo. Tudo o mais não passava de especulação.
Oração
Senhor Jesus, como João Batista, desejo colocar-me totalmente a teu serviço, dando ao mundo o testemunho de tua luz.