quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Comentário do Evangelho - Que sabedoria é essa?


Ele não pôde fazer milagres em Nazaré, a não ser curar alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E ficou admirado com a falta de fé que havia ali. Jesus ensinava nos povoados que havia perto dali.
 
        A sabedoria manifestada pelos ensinamentos de Jesus deixava atônito o povo de sua cidade. Seu povo não podia entender como o filho de um carpinteiro, tão conhecido de todos, podia falar com tanta segurança a respeito de coisas elevadas. Outro argumento fundava-se na convivência deles com Jesus e seus parentes, tudo dentro da mais total normalidade, sem nada de extraordinário. Também não constava que Jesus tivesse sido instruído por algum rabino famoso da época. Resultado, recusaram-se a dar crédito às palavras de Jesus. Antes, as puseram sob suspeita.
 
        Efetivamente, o povo de Nazaré não podia valorizar a sabedoria de Jesus por julgá-la a partir de critérios humanos de aquisição de sabedoria. A fonte da sabedoria de Jesus, porém, estava radicada no Pai, cujas palavras proclamava. Não era uma sabedoria adquirida com os meios humanos, nem tinha como ponto de partida concepções humanas. As palavras de Jesus tinham o Pai como origem. Elas eram palavras que o Pai queria dirigir à humanidade. Por isso, era inútil comparar o ensinamento de Jesus com o dos mestres da lei. Havia entre eles uma enorme diferença.
 
        Jesus refez o caminho dos profetas rejeitados na sua própria terra, pelos de sua casa. O discípulo arrisca-se a rejeitar Jesus, se não reconhecer a origem divina de suas palavras.
 
 Pe. Jaldemir Vitório
 Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
Oração
Senhor Jesus, possa eu reconhecer a origem de sua palavras e acolhê-las como expressão da sabedoria divina.

Santo do dia: Santa Águeda – Virgem e mártir dos primeiros séculos


Mesmo diante das dores e das humilhações ela foi firme em escolher Jesus como seu único Esposo
 
       Santa Águeda nasceu no século III numa família muito conhecida, em Catânia, na Sicília. Muito cedo, ela discerniu um chamado a Deus consagrando a sua virgindade ao Senhor, seu amado e esposo. A grande santa italiana foi uma jovem de muita coragem vivendo o Santo Evangelho na radicalidade num tempo em que o imperador Décio levantou contra o Cristianismo uma forte perseguição. Aqueles que não renunciassem ao senhorio de Cristo e não O desprezassem eram punidos com muitos sofrimentos até a morte.
 
        Santa Águeda era consagrada ao Senhor, amava a Deus, mas foi pedida em casamento por um outro jovem. Claro, por coerência e por vocação, ela disse ‘não’. Esse jovem, que dizia amá-la, a denunciou às autoridades. Ela foi presa e injustamente condenada. Que terríveis sofrimentos e humilhações!
 
       Ela sempre se expressava com muita transparência e dizia que pertencia a uma família nobre, rica, conhecida, mas tinha honra de servir a Nosso Senhor, o seu Deus. De fato, para os santos, a maior honra e a maior glória é servir ao Senhor.
 
       Entregaram-na a uma mulher tomada pelo pecado, uma velha prostituta para pervertê-la, mas esta não conseguiu, pois o reinado de Cristo se dava no coração de Águeda antes de tudo. Então, novamente, como num gesto de falsa misericórdia, perguntaram-lhe: “Então, o que você escolheu, Águeda, para a salvação?”. “A minha salvação é Cristo”, ela respondeu.
 
       Os santos passaram por muitas dificuldades, mas, em tudo, demonstraram para nós que é possível glorificar a Deus na alegria, na tristeza, na saúde, na dor.
 
       Em 254 foi martirizada e se encontra na eternidade, com seu esposo, Jesus Cristo, a interceder por nós.
 
Santa Águeda, rogai por nós. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Carta MCC Brasil – Fevereiro 2014 (174ª.)



“O anjo então lhes disse:
     “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria,
que será também a de todo o povo:
hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador,
que é o Cristo Senhor!” (Lc 2, 10-11)
 
“Que não seja difamado o que é bom para vós.
Pois o Reino de Deus não é comida e bebida,
mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 16-17).


Muito amados irmãos e irmãs de alegre peregrinação no seguimento dos caminhos de Jesus:

     Deixo as duas citações bíblicas acima para que sirvam de pano de fundo ou de fundamental motivação para nossas reflexões deste mês. No segundo parágrafo da nossa Carta de janeiro pp., ao tratar do início de mais um ano, lembrávamos a urgência de “entrar não apenas num novo ano, mas num novo tempo de Igreja, numa caminhada de revisão profunda e de renovação da própria Igreja Católica e da nossa renovada adesão a Jesus e do pleno seguimento de suas pegadas neste tempo novo”. A afirmação nasceu da convocação para esta atitude feita pelo nosso Papa Francisco com a publicação de sua primeira Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium (EG).
 
      A seguir iniciamos os comentários de algumas de suas afirmações que pretendemos continuar em nossas Cartas futuras nas quais, visando a uma maior clareza e melhor didática, continuaremos a sequência numérica. Observe-se, ainda, que mesmo sem referências explícitas, desejamos oferecer nossas reflexões aos participantes do Movimento de Cursilhos do Brasil, esperando que possam ser úteis para aplicação e, quem sabe, para uma renovação do próprio Movimento à luz das orientações pastorais do Papa Francisco. De outra forma, permanecerão tais orientações no nível da teoria e de belas e instigantes palavras e não descerão à vida cotidiana dos cristãos católicos.
 
5.  O grande risco do mundo atual escravizado pelo consumo é cair numa tristeza individualista. Logo no início da EG Francisco, depois de convidar-nos “para uma nova etapa evangelizadora marcada pela alegria que renasce sem cessar do encontro com Jesus Cristo” (n.1), chama a nossa atenção para o oposto da alegria que é a tristeza; uma tristeza individualista gerada pelo consumismo, pela busca de prazeres superficiais e que provoca um vazio no coração e na vida até daquele que diz crer em Deus: “Esse risco, certo e permanente, correm também os que creem” (n.2). O mais grave, porém, acontece quando, “a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já  não entram os pobres, não se ouve a voz de Deus, não se goza da doce alegria do seu amor nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Note-se que essa “tristeza individualista” é capaz, além de tudo, digamos, contagiosa o seu redor: sua família, suas relações sociais, seu ambiente de trabalho, etc..

Pergunta para reflexão pessoal e/ou em comunidade: Você, meu caro leitor, minha querida leitora, ao examinar o seu coração, nunca se deu conta deste vazio que gera aquela tristeza cujas causas, muitas vezes, você não consegue explicar?  Seria você um daqueles aos quais se refere o Papa ao afirmar que “muitos caem nele (no risco), transformam-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida”? Ou, pior, pelo excesso de ruído que o cerca (TV, rádio, divertimentos, etc.), você não consegue ouvir a voz de Deus que fala no silêncio e no recolhimento (cf. 1Rs 19, 11 ss)?  Se assim for, convença-se de que Esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado” (EG 2).

6. Superar a tristeza para viver a alegria do encontro com Jesus. Ainda que na Carta de Janeiro pp. tenhamos tocado no tema da alegria, parece-me oportuno voltar a ele para inserirmo-nos no contexto. Depois de se ter referido a uma “tristeza individualista” derivada do egoísmo, do consumismo e da insatisfação do viver, a EG volta a fazer menção à alegria que nasce do encontro com Jesus. Aliás, é bem essa a característica do Papa Francisco que, como um dos redatores do Documento de Aparecida, não se cansa de manifestar alegria (cf.DAp 28-29). Os no. 3 -8 da EG dedicam-se a refletir sobre a alegria do encontro com Jesus. Afirma o Papa: “da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído” (n.3); cita o profeta Isaias: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como poderoso salvador! Ele exulta de alegria por tua causa, pelo seu amor te renovará. Ele dança e grita de alegria por tua causa” (Is 3,17); faz uma indagação instigante: “Por que não havemos de entrar, também nós, nessa torrente de alegria?”.

     Entretanto, não posso deixar de chamar a atenção dos meus queridos leitores para um momento que julgo especial nesse ponto. O Papa não se refere a uma alegria, digamos, sempre de sorriso nos lábios, ou sempre exuberante e comunicativa. É a “alegria da fé” e da “certeza de sermos infinitamente amados” que nos ajuda a não parecer termos escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa”:  “Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados. Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: “A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o que é a felicidade (…). Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. (...) Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor» (Lm 3,17.21-23.26).
 
Pergunta para reflexão pessoal e/ou em comunidade: Essa pergunta nasce do nro.8 da EG que encerra a sua primeira parte e faz a ponte para a segunda parte que vai tratar da “doce e reconfortante alegria de evangelizar”:  “Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da autoreferencialidade. Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da ação evangelizadora”. E vem a pergunta: “Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?
            Além dessa, fundamental no contexto da EG, deixo-lhes mais algumas que, penso, valeria a pena responder e aprofundar: que tipo de alegria ilumina a sua vida? Uma alegria do ter e do poder? Uma alegria de ter “conquistado” e realizado todos os seus anseios e desejos materiais? E outra  ainda: você já fez a experiência do amor, da confiança e da alegria que brotam do encontro com  Jesus e da alegria de “fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras”? (DAp 29).

     Na próxima Carta, assim permitindo-o Deus, vamos refletir sobre “A doce e reconfortante alegria de evangelizar” que traz referências muito concretas não só a cada cristão católico, mas, também, às comunidades e movimentos eclesiais. De maneira especial, poderemos aplicá-las ao nosso Movimento de Cursilhos.
 
     Aos queridos leitores e   leitoras, deixo aqui meu abraço fraterno não sem, antes, confiá-los todos aos cuidados da “Estrela da nova Evangelização”, Maria
              
                                                     Pe. José Gilberto BERALDO
    Equipe Sacerdotal do Grupo Executivo Nacional
MCC Brasil


 

Evangelho do dia - (Marcos 5,21-43)

 
Naquele tempo, 5 21 tendo Jesus navegado outra vez para a margem oposta, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ele se achava à beira do mar, quando 22 um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, se apresentou e, à sua vista, lançou-se-lhe aos pés, 23 rogando-lhe com insistência: "Minha filhinha está nas últimas. Vem, impõe-lhe as mãos para que se salve e viva".  24 Jesus foi com ele e grande multidão o seguia, comprimindo-o.
25 Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue. 26 Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais. 27 Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. 28 Dizia ela consigo: "Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada". 29 Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada. 30 Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: "Quem tocou minhas vestes?" 31 Responderam-lhe os seus discípulos: "Vês que a multidão te comprime e perguntas: ´Quem me tocou?´" 32 E ele olhava ao redor para ver quem o fizera. 33 Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se-lhe aos pés e contou-lhe toda a verdade. 34 Mas ele lhe disse: "Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal".
35 Enquanto ainda falava, chegou alguém da casa do chefe da sinagoga, anunciando: "Tua filha morreu. Para que ainda incomodas o Mestre?" 36 Ouvindo Jesus a notícia que era transmitida, dirigiu-se ao chefe da sinagoga: "Não temas; crê somente". 37 E não permitiu que ninguém o acompanhasse, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. 38 Ao chegar à casa do chefe da sinagoga, viu o alvoroço e os que estavam chorando e fazendo grandes lamentações. 39 Ele entrou e disse-lhes: "Por que todo esse barulho e esses choros? A menina não morreu. Ela está dormindo". 40 Mas riam-se dele. Contudo, tendo mandado sair todos, tomou o pai e a mãe da menina e os que levava consigo, e entrou onde a menina estava deitada. 41 Segurou a mão da menina e disse-lhe: "Talita cumi", que quer dizer: "Menina, ordeno-te, levanta-te!"42 E imediatamente a menina se levantou e se pôs a caminhar (pois contava doze anos). Eles ficaram assombrados. 43 Ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse, e mandou que lhe dessem de comer.
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - A Fé não é algo aparente...


   Jairo era chefe da sinagoga. Devia interpretar a lei, conduzir a oração na sinagoga, ler as Escrituras. Era alguém influente em sua comunidade.

    Quando Jesus chegou e a multidão o acolheu, ainda na praia, Jairo, foi também a ele, em busca de socorro para sua filha que estava à morte. A menina, de 12 anos, sofria de algo muito grave. Jesus acompanhava Jairo quando uma mulher que, há doze anos, sofria de uma hemorragia, o tocou e ficou curada. A atenção ao chefe da sinagoga não distraiu Jesus da atenção para com os milhões de pobres e excluídos, representados naquela mulher anônima.
    Na casa do chefe da sinagoga, contra toda esperança de vida, Jesus tomou a menina pela mão, ordenou que se levantasse e ela se levantou, e pediu que dessem de comer à menina - sinal de que estava viva!  Duas mulheres, numa cultura em que a mulher não era considerada. Nos dois casos Jesus devolveu a vida e a alegria. E à mulher que sentia medo ao ser flagrada por tocar-lhe a capa, Jesus disse: "Você sarou porque teve fé". O mesmo disse a Jairo: "Não tenha medo, tenha fé!"

 
       A devoção popular é algo até bonito de se ver e que precisa sempre ser respeitada pela Igreja, mas a vida de Fé não pode se resumir a uma devoção, é preciso fazer uma experiência mais profunda pois um ato de Fé não é apenas aquilo que aparenta ser.
 
        Analisemos com cuidado esses dois casos do evangelho de hoje, Jairo é o chefe da sinagoga, um cargo importante na comunidade judaica onde Jesus não era muito bem visto, justamente por inspirar a todos uma nova forma de se relacionar com Deus. Mas Jairo o conhece e sabe quem ele é, embora a estrutura da sua religião o negue, passa por um momento difícil em sua vida, a filhinha muito jovem está nas últimas. Ele se prostra aos pés de Jesus e seu argumento é firme não dando margem para dúvidas, da fé que ele professava em Jesus, Jairo não pediu para Jesus estudar a possibilidade de ir á sua casa visitar a menina, mas falou como quem crê "Vem impõe-lhe as mãos, para que ela se salve e viva". A Fé não é uma possibilidade mais uma realização concreta.
 
        Ele crê na Vida nova que provém de Jesus, ele sabe no fundo do seu coração, que somente Jesus pode dar essa vida e não tem vergonha de professar publicamente a sua Fé. Aqui parece que Marcos o evangelista, olhou para o outro lado e viu a mulher portadora de uma hemorragia da qual já tinha sido praticamente desenganada pelos médicos. Essa mulher, uma anônima no meio da multidão, nada diz mais apenas pensa em tocar na barra da túnica de Jesus, que já será suficiente para ser curada. Mas Jesus percebe o ocorrido e confirma diante de todos o que acabou de acontecer com ela "Vai em paz e sê curada do seu mal".
 
        Voltemos a Jairo, onde está ele? Será que desanimou ao ver que Jesus dera atenção à mulher enferma? Claro que não! Mas no meio do caminho alguns parentes que estavam na sua casa, vieram com a notícia final "Não adianta incomodar a Jesus, a menina morreu". Na vida de Fé também é assim, há pessoas que desistem fácil, qualquer coisa torna-se pretexto para desistir de tudo e abandonar a Fé em Jesus Cristo. Mas Jairo sabia que a Vida Nova que Jesus dava para as pessoas não tinha limites, nem a morte pode impedi-la de acontecer.
 
        Muitas vezes queremos usar a nossa Fé para resolver coisas terrenas.  Uma Fé que coloca Jesus a nosso serviço.  Era assim que as pessoas da casa de Jairo viam Jesus, a parte que lhe cabia era curar doentes, mas em se tratando de morte, não havia mais o que fazer, a não ser cuidar do enterro. Tem muita gente, inclusive cristãos de comunidade, que pensa e age assim, não conseguem vislumbrar nada de novo em Jesus Cristo.
 
        Na casa do chefe da sinagoga Jesus chegou e segurando a mão da menina que havia morrido, ordenou-lhe "Levanta-te!" e ela se levantou e começou a caminhar. O ressuscitado não é um cadáver ambulante que se movimenta mais ele caminha porque á frente ainda há algo a ser alcançado. Temos em nós esta Vida Nova que Deus nos concedeu em nosso Batismo, tocados pelo Senhor é preciso caminhar até que possamos vislumbrar a plenitude dessa Vida. A mulher enferma e Jairo, chefe da sinagoga, acreditaram nisso...
 
Diácono José da Cruz
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
 
ORAÇÃO
Pai, torna-me solidário com todas as vítimas da exclusão social, especialmente, as mulheres, a exemplo de Jesus que as libertou da opressão em que se encontravam
.

Santo do dia - São João de Brito – Um grande evangelizador da Índia

Este mártir da nossa Igreja foi até as últimas consequências defendendo a fé que professava e ensinava em suas pregações.
 
          São João de BritoNasceu em Lisboa, Portugal, no ano de 1647. Seu pai, Salvador Pereira de Brito; sua mãe, D. Brites Pereira. No ano de 1640, seu pai foi enviado pelo rei Dom João IV para ser governador no Brasil, lugar onde faleceu. São João de Brito, com sua mãe e seus irmãos, ficaram na corte. Desde cedo, São João dava testemunho da busca de viver em Deus.
 
          Com sua saúde fragilizada, certa vez os médicos chegaram a perder as esperanças, mas sua mãe, voltando-se para o céu em oração e intercessão, fez também uma promessa a São Francisco Xavier e o pequeno João recobrou a saúde milagrosamente.
 
          São João passou um ano com uma batina, pois isso fazia parte do cumprimento da promessa; mais do que isso, Deus foi trabalhando a vocação em seu coração até que, com 15 anos apenas, ele entrou para a Companhia de Jesus.
 
          Em 1673, foi ordenado sacerdote e enviado para evangelizar na Índia. Viveu em Goa, depois no Sul da Índia, onde aprofundou-se nos estudos e todo aquele lugar, toda aquela região conheceu o ardor deste apóstolo.
 
          Homem que comunicava o Evangelho com a vida, ele buscava viver a inculturação para que muitos se rendessem ao amor de Deus num diálogo constante com as culturas, o que não quer dizer que sempre encontrou acolhimento.
 
          Junto aos povos de Maravá, ele evangelizou e muitos foram batizados; mas, ao retornar desta missão, ele e outros catequistas acabaram sendo presos por soldados pagãos e anticristãos e fizeram de tudo para que este sacerdote santo renunciasse a fé, mas ele renunciou a própria vida e estava aberto para o martírio se fosse preciso. O rei chegou a condená-lo, mas um príncipe quis ouvir a doutrina que ele espalhava e muitos mudavam de vida, abandonavam os deuses e a conclusão daquele príncipe pagão era de que aquela doutrina era justa e santa. São João foi libertado junto com os outros.
 
          Não demorou muito, por obediência, voltou para Portugal, mas o seu coração queria, de novo, retornar para a Índia e até mesmo ser mártir. Foi o que aconteceu.
 
          Passado um tempo, após dar seu testemunho em vários colégios dos jesuítas, ser sinal para Portugal do quanto o amor a Cristo e à Igreja não pode ter medidas. Retornando à Índia, novamente evangelizando em Maravá, foi preso. Desta vez, até um príncipe pagão chegou a se converter. Mas o rei se revoltou, mandou prender aquele padre. No ano de 1693, ele foi degolado. Sofreu muito antes disso, mas tudo ofereceu por amor a Cristo e pela salvação das almas.
 
          São João de Brito, modelo para todos nós de que o amor a Cristo, à Igreja e a salvação das almas não pode ter medidas.
 
São João de Brito, rogai por nós! 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Evangelho do dia - (Marcos 5,21-43)

 
5 1 Passaram à outra margem do lago, ao território dos gerasenos.  2 Assim que saíram da barca, um homem possesso do espírito imundo saiu do cemitério 3 onde tinha seu refúgio e veio-lhe ao encontro. Não podiam atá-lo nem com cadeia, mesmo nos sepulcros, 4 pois tinha sido ligado muitas vezes com grilhões e cadeias, mas os despedaçara e ninguém o podia subjugar. 5 Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6 Vendo Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, gritando em alta voz: 7 “Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus, que não me atormentes”. 8 É que Jesus lhe dizia: “Espírito imundo, sai deste homem!” 9 Perguntou-lhe Jesus: “Qual é o teu nome?” Respondeu-lhe: “Legião é o meu nome, porque somos muitos”. 10 E pediam-lhe com instância que não os lançasse fora daquela região. 11 Ora, uma grande manada de porcos andava pastando ali junto do monte. 12 E os espíritos suplicavam-lhe: “Manda-nos para os porcos, para entrarmos neles”. 13 Jesus lhos permitiu. Então os espíritos imundos, tendo saído, entraram nos porcos; e a manada, de uns dois mil, precipitou-se no mar, afogando-se. 14 Fugiram os pastores e narraram o fato na cidade e pelos arredores. Então saíram a ver o que tinha acontecido. 15 Aproximaram-se de Jesus e viram o possesso assentado, coberto com seu manto e calmo, ele que tinha sido possuído pela Legião. E o pânico apoderou-se deles. 16 As testemunhas do fato contaram-lhes como havia acontecido isso ao endemoninhado, e o caso dos porcos. 17 Começaram então a rogar-lhe que se retirasse da sua região. 18 Quando ele subia para a barca, veio o que tinha sido possesso e pediu-lhe permissão de acompanhá-lo. 19 Jesus não o admitiu, mas disse-lhe: “Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, e como se compadeceu de ti”. 20 Foi-se ele e começou a publicar, na Decápole, tudo o que Jesus lhe havia feito. E todos se admiravam.
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - A libertação do mal

Terrível a descrição que faz o evangelho da situação daquele homem. Tudo nele evoca a morte: cemitério, sepulcros, correntes, gritos, espíritos imundos, golpes, feridas... No final, vemo-lo sereno e em paz: senta-se junto a Jesus, como um caminhante exausto que por fim encontrou uma sombra que o protegesse. E o resto de sua vida – como a nossa se nos reconhecermos nele –, vai consistir já em anunciar a grande misericórdia que o Senhor teve com ele. 
 
 
      Jesus também manifestou seu poder além das fronteiras de Israel, fazendo os pagãos se beneficiarem da presença do Reino. O gesto de Jesus indicava aos discípulos os caminhos que teriam pela frente, no seu afã missionário. O evangelho deveria ser levado até os pagãos.
 
      O encontro com um homem possuído pelo espírito imundo não assustou Jesus. Impressiona seu alto grau de insociabilidade. Sua condição era apavorante! Porém, mesmo em terras estrangeiras, o espírito imundo reconheceu ser Jesus o Filho do Deus Altíssimo, que veio para atormentá-lo. E Jesus, como sempre, veio em socorro daquela pobre criatura, compadecido dela, para libertá-la de sua terrível escravidão.
 
      O pedido da legião de espíritos para entrarem na manada de porcos indica que seu lugar de moradia não é o ser humano, mas, sim, o mundo da impureza, simbolizado pelos animais impuros.
      Os porcos, porém, se lançam no mar, símbolo das forças incontroladas do mal, significando que, pela ação de Jesus, o poder do mal foi aniquilado. Liberto do poder do mal, o homem retomou a convivência social, para espanto de muitos.
 
      A reação do povo do lugar foi de rejeição a Jesus. Sua presença poderia arruinar a economia local. Eles o expulsaram para defender seus interesses. Porém, o homem liberto se encarregou de proclamar as grandes coisas que Jesus fez por ele.
 
Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
Oração
Senhor Jesus, expulsa, com a força da tua palavra, o espírito do mal que insiste em manter a humanidade cativa do seu poder.

Santo do dia - São Brás

 O santo de hoje nasceu na cidade de Sebaste, Armênia, no final do século III. São Brás, primeiramente, foi médico, mas entrou numa crise, não profissional, pois era bom médico e prestava um ótimo serviço à sociedade. Mas nenhuma profissão, por melhor que seja, consegue ocupar aquele lugar que é somente de Deus. Então, providencialmente, porque ele ia se abrindo e buscando a Deus, foi evangelizado.
 
       Não se sabe se já era batizado ou pediu a graça do Santo Batismo, mas a sua vida sofreu uma guinada. Esta mudança não foi somente no âmbito da religião, sua busca por Nosso Senhor Jesus Cristo estava ligada ao seu profissional e muitas pessoas começaram a ser evangelizadas através da busca de santidade daquele médico.
 
        Numa outra etapa de sua vida, ele discerniu que precisava se retirar. Para ele, o retiro era permanecer no Monte Argeu, na penitência, na oração, na intercessão para que muitos encontrassem a verdadeira felicidade como ele a encontrou em Cristo e na Igreja. Mas, na verdade, o Senhor o estava preparando, porque, ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para ser pastor. Ele, que vivia naquela constante renúncia, aceitou ser ordenado padre e depois bispo; não por gosto dele, mas por obediência.
 
        Sucessor dos apóstolos e fiel à Igreja, era um homem corajoso, de oração e pastor das almas, pois cuidava dos fiéis na sua totalidade. Evangelizava com o seu testemunho.
 
        São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo. O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar ao imperador, por saber da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu, lugar que esse grande santo fez sua casa episcopal. Dali, ele governava a Igreja, embora não ficasse apenas naquele local.
 
        São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado.
 
        Conta a história que, ao se dirigir para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.
 
        Peçamos a intercessão do santo de hoje para que a nossa mente, a nossa garganta, o nosso coração, nossa vocação e a nossa profissão possam comunicar esse Deus, que é amor.
 
São Brás, rogai por nós!

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Evangelho do dia - (Lucas 2,22-40 ou 22-32)




2 22 Concluídos os dias da sua purificação da mãe e do filho, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, 23 conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor; 24 e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos. 25 Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. 26 Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. 27 Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, 28 tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 29 “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. 30 Porque os meus olhos viram a vossa salvação 31 que preparastes diante de todos os povos, 32 como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel”. 33 Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. 34 Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,  35 a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma”. 36 Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. 37 Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. 38 Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação. 39 Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. 40 O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele. 
                 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Meus olhos viram a salvação

 
         A data de hoje lembra o cumprimento, por Maria e José, de um preceito hebraico. Quarenta dias após dar à luz, a mãe deveria passar por um ritual de "purificação" e apresentar o filho ao Senhor, no templo. Desde o século quatro essa festa era chamada de "Purificação de Maria".
       Com a reforma litúrgica de 1960, passou-se a valorizar o sentido da "apresentação", oferta de Jesus ao Pai, para que seu destino se cumprisse, marcando em consequência a aceitação por parte de Maria do que o Pai preparara para o fruto de sua gestação. A data passou a ser lembrada então como a da "Apresentação do Senhor".
 
       Fiéis às tradições religiosas do povo, Maria e José cumpriram o rito de apresentação do filho primogênito. Este gesto simples revestiu-se de simbolismo. Quem tinha sido levado ao templo, mais que filho de Maria e José, era o Filho de Deus.
 
       A liturgia de apresentação evidenciou os dois grandes eixos da existência de Jesus: sua humanidade e sua divindade. Fora apresentado o homem Jesus, com todas as suas características socioculturais e familiares, em sua fragilidade de recém-nascido, na pobreza de seus pais, inferiorizado, em termos religiosos, por ser galileu. No menino Jesus, expressou-se a humanidade, de forma irrestrita. Ele não fora poupado em nada, ao aceitar encarnar-se na história humana.
 
       Entretanto, ao consagrá-lo a Deus e fazendo-o, daí em diante, pertencer-lhe totalmente, a liturgia evidenciava a divindade de Jesus. Aquele menino indefeso pertencia inteiramente a Deus, em quem sua existência estava enraizada. Era o Filho de Deus. Por isso, no templo, estava em sua própria casa. Suas palavras e ações seriam a manifestação do amor de Deus. Por meio dele, seria possível chegar até Deus.
 
      Uma vez que podia ser contemplada em sua pessoa, sua divindade fazia-se palpável na história humana. Assim se explica por que Simeão viu a salvação de Deus.
 
 Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
Oração
Senhor Jesus, como Simeão, eu vejo em ti a salvação atuando em minha vida e na vida da humanidade, sedenta de Deus.

Santo do dia - São Cornélio – O primeiro bispo de Cesareia

 São Cornélio foi um dos primeiros bispos da nossa Igreja e um dos principais responsáveis pela evangelização de estrangeiros
 
       Encontramos, nos Atos dos Apóstolos, este exemplo de entrega. No capítulo 10, nós assim ouvimos da Palavra de Deus: “Havia em Cesareia um homem por nome Cornélio. Centurião da corte que se chamava Itálica, era religioso; ele e todos de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente” (At 10,1-2).
 
        Diante dessa espiritualidade que Cornélio possuía, Deus o visitou por meio de um anjo, que lhe indicou São Pedro. Este, que também teve uma visão, foi à casa de Cornélio. Foi aí que aconteceu a abertura da Igreja para a evangelização dos pagãos, dos estrangeiros. No outro dia, Pedro chegou em Cesareia. Cornélio o estava esperando, tendo convidado seus parentes e amigos mais íntimos.
 
       Não somente ele queria encontrar-se com o Senhor, como também queria o mesmo para todos os seus parentes e amigos. Cornélio ouviu da boca do primeiro Papa da Igreja: “Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro” (At 10,28). Assim, São Pedro começou a evangelizar e, de repente, no versículo 44: “Estando Pedro, ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos que ouviam a (santa) Palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. Então Pedro tomou a palavra: ‘Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias” (At 10,44-48).
 
       São Cornélio tornou-se o primeiro bispo em Cesareia. Homem religioso e de oração, Deus pôde contar com ele para a maravilhosa obra que chega até nós nos dias de hoje. Pela docilidade de muitos, como São Cornélio, o Santo Evangelho se faz presente em nosso meio.
 
        Peçamos a intercessão de São Cornélio para que busquemos cada vez mais o Senhor.
 
São Cornélio, rogai por nós!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Evangelho do dia - (Marcos 4,35-41)

 
4
35 À tarde daquele dia, disse Jesus aos seus discípulos: “Passemos para o outro lado”. 36 Deixando o povo, levaram-no consigo na barca, assim como ele estava. Outras embarcações o escoltavam. 37 Nisto surgiu uma grande tormenta e lançava as ondas dentro da barca, de modo que ela já se enchia de água. 38 Jesus achava-se na popa, dormindo sobre um travesseiro. Eles acordaram-no e disseram-lhe: “Mestre, não te importa que pereçamos?” 39 E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: “Silêncio! Cala-te!” E cessou o vento e seguiu-se grande bonança. 40 Ele disse-lhes: “Como sois medrosos! Ainda não tendes fé?” 41 Eles ficaram penetrados de grande temor e cochichavam entre si: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - A necessidade da fé

    
      Este foi o primeiro milagre de Jesus relacionado à natureza. Acalmar uma tempestade no mar significava dominar as forças do abismo. Os discípulos se assustaram: - Que homem é este que manda até no vento e nas ondas?
     Quando e onde aconteceu o milagre? O texto diz "de tardinha", no lago. Jesus e os discípulos subiram no barco. E começou a soprar um vento muito forte e as ondas arrebentavam com muita força no barco. Jesus dormia na parte detrás do barco. Os discípulos se apavoram. Então, o acordaram e disseram: Mestre! Nós vamos morrer! O senhor não se importa com isso? 
     Então, ele se levantou, falou com autoridade ao vento e disse ao lago: Silêncio! Fique quieto! O vento parou, e tudo ficou calmo. Aí, ele chamou a atenção dos discípulos: Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?
 
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     Pouco a pouco, os discípulos foram firmando sua fé em Jesus. Nele depositavam plena confiança. Seu Mestre era veraz no que falava e fazia; não era um impostor. Seu modo de falar do Reino de Deus revelava sua superioridade em relação a todos os demais mestres, pois pregava com autoridade. Seu jeito de falar de Deus revelava que ele estava tão próximo de Deus, como jamais alguém estivera.  Os discípulos consideravam-no o Messias esperado.
 
        Entretanto, os momentos de provação e dificuldade é que testam a solidez da fé. Nem sempre os discípulos foram capazes de superar as perseguições, sem negar sua fé no Senhor. Quando sobrevinham tempestades, fraquejavam.
 
        Então era preciso ter cautela para evitar precipitações. A presença de Jesus junto aos seus discípulos em dificuldade estava sempre garantida. Mesmo quando parecia não ter mais jeito, a não ser morrer, lá estava ele, numa forma de presença discreta, mas atenta e ativa, para socorrer a comunidade em apuros, e salvá-la.
 
        A salvação dependia disto: reconhecer a presença do Senhor e recorrer à sua ajuda. De fato, ele estava mais próximo do que os discípulos podiam imaginar. Donde a necessidade premente da fé.
O Senhor protege a comunidade das investidas do mal. Os discípulos, por estarem em suas mãos, não têm por que temer seus adversários.
 
Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
Oração
Espírito de confiança inabalável, dá-me firmeza necessária para confessar minha fé no Senhor Jesus, em meios às tempestades desse mundo.

Santo do dia - Santa Veridiana – Uma peregrina da Igreja

Santa Veridiana era conhecida pela sua compaixão para com os mais pobres, oferecendo-lhes tudo que podia. Além das práticas de penitência que oferecia através de peregrinações
 
     Santa Veridiana nasceu em Florença, em 1182, numa família nobre que respeitava as opções de Veridiana com relação a Deus. Ela trabalhou com um tio comerciante e o ajudou a administrar seus negócios, mas percebeu que sua vocação era muito mais do que administrar; era deixar que o próprio Deus cuidasse dela e de sua história.
 
     Jovem de oração, de penitência e contemplação, priorizou a vontade do Senhor, por isso chegou a um ponto em que deixou tudo para seguir a vontade de Deus, trabalhando e servindo-O por meio dos pobres e peregrinos.
 
    Na época em que administrava o comércio do tio, já ajudava os pobres. Mas, agora, ela se doava para os seus irmãos mais necessitados. Ficou gravemente ferida, quando, ao fazer uma peregrinação pelos túmulos de São Pedro e São Paulo, foi a pé e descalça pedindo esmolas. Santa Veridiana ofereceu todos esses seus sacrifícios pela conversão das pessoas.
 
     Uma mulher possuída pelo Espírito Santo, foi dócil à vontade de Deus e viveu o restante de sua vida acamada, enferma, oferecendo-se ao Senhor, aconselhando muitas pessoas e intercedendo por todos. Seus alimentos eram pão e água.
 
     Mulher penitente e feliz, viveu até os 60 anos de idade consumindo-se de amor a Deus para o bem dos irmãos.
 
     Santa Veridiana, neste tempo marcado pelo hedonismo e pela busca desenfreada por prazeres, nos aponta, denuncia que não é este o caminho da felicidade, mas apenas um: Nosso Senhor Jesus Cristo.
  
     Peça a intercessão dessa santa para que todos possam, na oração, na penitência, na doação ao irmão, encontrarmos a verdadeira felicidade.
 
Santa Veridiana, rogai por nós!