sábado, 5 de outubro de 2013

Comentário do Evangelho - Os discípulos entram em campo

     Quando militei no jornalismo da minha cidade, acompanhava o campeonato varzeano e gostava de estar no vestiário das equipes, antes e depois de uma partida importante. Havia um técnico que tinha um discurso assim, quando a equipe vencia um jogo importante "Ganhamos só uma partida, ainda não somos campeões de nada!".
 
      Claro que ele vibrava muito com o desempenho da sua equipe, a frase não queria acabar com a festa, mas apenas lembrar que havia  outras partidas a serem vencidas á frente.
 
      Jesus colocou os seus discípulos em "campo" isso é, enviou-os em missão e deu-lhes poder sobre o mal, não podemos aqui pensar em um Poder sobrenatural de realizar prodígios, senão uma pessoa comum que vive a sua Fé nos dias de hoje, jamais iria entender o discipulado como missão, ou acharia que se trata de pessoas especiais, ungidas, fora do comum.
 
      Geralmente, a maioria dos técnicos de times de várzea, já foram jogadores das equipes da cidade, conhecem bem as estratégias e artimanhas do adversário, conhece o campo e sabe onde seus pupilos irão pisar e é comum que em jogos importantes e decisivos, transmitam essa bagagem e experiência aos jogadores, que tem disposição, energia, mas ás vezes falta-lhes experiência para o confronto.
 
      Assim, é Jesus Cristo na relação com os discípulos, ele é homem, conhece o Bem que habita plenamente nele enquanto Deus, mas conhece também as Forças do Mal, sabe qual a estratégia do inimigo do Reino, sabe que a missão dos discípulos não será um mar de rosas e os envia, não sem antes instruí-los e municiá-los com dons, carismas e todo conhecimento. A missão foi bem sucedida, a se julgar pela euforia dos discípulos, eles ganharam o jogo, e agora Jesus, como aquele técnico prudente, quer prepará-los para novos combates contra o mal. "Não vos alegreis porque os espíritos se sujeitaram a vocês, mas sim porque estão fortalecidos para o resto do combate que terá um final de glória para o Reino de Deus.”
 
      Os discípulos são super homens, são pessoas comuns, que seguem a Jesus e Nele acreditam, na sociedade daquele tempo, de nada valiam, não eram poderosos, nem ricos ou importantes, mas perceberam que o Reino Messiânico está em Jesus e não nas Instituições Humanas. Por isso Jesus louva o Pai extravasando toda sua alegria, os poderosos não sabem, mas ali naquele grupo de homens humildes algo grandioso está surgindo e se tornando realidade, marcando o início de um reino que prevalecerá sobre todos os reinos e impérios do mundo, em todos os tempos.
 
      Hoje os discípulos somos nós, e, portanto, a cada dia devemos também nos recolher em Jesus Cristo louvando e agradecendo, porque em sua Graça vivemos mais um dia comprometidos com o Bem, e usando a liberdade que a sua Salvação nos conferiu, em nossas ações e palavras, botamos o Mal prá correr, reafirmando assim a nossa esperança na plenitude do Reino que já está entre nós...
 
 Diácono José da Cruz 
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
  
ORAÇÃO
Pai, por ter meu nome inscrito no céu e por estar unido a ti, única fonte de vida e de libertação, ajuda-me a lutar contra o mal que mantém a humanidade cativa do egoísmo
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Santo do dia - Santa Maria Faustina Kowalska


A misericórdia divina revelou-se manifestamente na vida desta bem-aventurada, que nasceu no dia 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, na Polônia Central. Faustina foi a terceira de dez filhos de um casal pobre. Por isso, após dois anos de estudos, teve de aplicar-se ao trabalho para ajudar a família.
 
      Com dezoito anos, a jovem Faustina disse à sua mãe que desejava ser religiosa, mas os pais disseram-lhe que nem pensasse nisso. A partir disso, deixou-se arrastar para diversões mundanas até que, numa tarde de 1924, teve uma visão de Jesus Cristo flagelado que lhe dizia: "Até quando te aguentarei? Até quando me serás infiel?"
 
      Faustina partiu então para Varsóvia e ingressou no Convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia no dia 1 de agosto de 1925. No convento tomou o nome de Maria Faustina, ao qual ela acrescentou "do Santíssimo Sacramento", tendo em vista seu grande amor a Jesus presente no Sacrário. Trabalhou em diversas casas da congregação. Amante do sacrifício, sempre obediente às suas superioras, trabalhou na cozinha, no quintal, na portaria. Sempre alegre, serena, humilde, submissa à vontade de Deus.
 
      Santa Faustina teve muitas experiências místicas onde Jesus, através de suas aparições, foi recordando à humilde religiosa o grande mistério da Misericórdia Divina. Um dos seus confessores, Padre Sopocko, exigiu de Santa Faustina que ela escrevesse as suas vivências em um diário espiritual. Desta forma, não por vontade própria, mas por exigência de seu confessor, ela deixou a descrição das suas vivências místicas, que ocupa algumas centenas de páginas.
 
      Santa Faustina sofreu muito por causa da tuberculose que a atacou. Os dez últimos anos de sua vida foram particularmente atrozes. No dia 5 de outubro de 1938 sussurrou à irmã enfermeira: "Hoje o Senhor me receberá". E assim aconteceu.
 
      Beatificada a 18 de abril de 1993 pelo Papa João Paulo II, Santa Faustina, a "Apóstola da Divina Misericórdia", foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice no dia 30 de abril de 2000.
 
Santa Faustina, rogai por nós! 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

São Francisco de Assis, homem de Deus


 

     Que Francisco, o homem da paz universal, nos ajude a reconstruir nossa própria vida para que, assim, colaboremos para reconstruir a Igreja e o mundo!
 
“Francisco de Assis, homem de Deus, deixou sua casa e sua herança e se fez pobre e desvalido. O Senhor, porém, o acolheu com amor”.
 
     A Igreja celebra no dia de hoje, com muito júbilo, um dos maiores santos de todos os tempos: São Francisco de Assis. Querido, amado, venerado, exemplo de virtude evangélica, de desprendimento, de amor e paixão pelo Reino de Deus.
 
     O nosso atual Papa se chama Francisco em uma referência direta a esse santo, que veio para reconstruir a Igreja do Senhor. E assim como fez São Francisco e está fazendo nosso Papa Francisco, cada um de nós é chamado a reconstruir a Igreja do Senhor.
 
     Nós olhamos para esse grande santo italiano e nos perguntamos: Como é que o “Pobrezinho de Assis” deu a sua contribuição para a reconstrução da Igreja? Ao olhar para o exemplo dele, nós também queremos aprender a dar nossa contribuição.
 
     Primeiro, Francisco procurou reconstruir sua própria vida; ele que vivia uma vida fútil, uma vida em busca de prazeres, em busca das coisas e dos bens deste mundo; não tinha o olhar voltado para as coisas do Céu.
 
     Filho de um pai rico, grande comerciante, ele vivia no mundo do luxo, da riqueza e das competições; quando foi alcançado pelo amor misericordioso do Senhor, abriu seu coração para que Deus o pudesse reconstruir interiormente. Começou revendo seus valores, até que, um dia, disse a si mesmo: “Aquilo que, para mim, antes era amargo se tornou doce e o que era doce se tornou amargo!”

     O que era doce para São Francisco? Era doce a vida frívola, uma vida mundana, buscava os prazeres, a competição, aquilo que para ele em um dia era tão doce, passou a perder o sentido e por isso ele se despojou dos bens, do mundo, dos prazeres para começar uma vida verdadeiramente evangélica; uma vez que o Evangelho o alcançou.
 
     E o que era amargo para esse santo? Os pobres, os leprosos, a Igreja, os bens espirituais, os quais se tornaram a grande riqueza de seu coração.
 
    Olhando para o “Pobrezinho de Assis”, queremos aprender com ele a rever nossa vida. Nós, muitas vezes, invertemos a ordem das coisas, e saboreamos demais as coisas materiais , os prazeres e bens deste mundo, e não damos valor para as coisas eternas.
 
     Que Francisco, o homem da paz universal, nos ajude a reconstruir nossa própria vida para que, assim, colaboremos para reconstruir a Igreja e o mundo!
 
Pe Roger Araújo
 

Evangelho do dia - (Lucas 10,13-16)

 
Naquele tempo, disse Jesus: 10 13 "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza. 14 Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós. 15 E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos. 16 Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou".
 
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Tenho medo do Cristo que passa...

 
     Neste mês da Bíblia, na minha comunidade, para acolher a Santa Palavra, antes das leitura cantamos esse hino que é muito significativo "É como a chuva que lava, é como o fogo que arrasa, tua Palavra é assim, não passa por mim sem deixar um sinal/  tenho medo de me esconder, de fingir que não escutei, tenho medo do Cristo que passa, oferece uma graça e eu digo que não, tenho medo de virar as costas, fingir que a coisa não é comigo, enfim, ser indiferente as manifestações de Deus em nossa vida...
 
     Seria este o contexto da reflexão, as cidades de Coroazim, e Betsaida, conheceram Jesus, viram seus prodígios mas o rejeitaram. A responsabilidade de quem ouviu o anúncio e conheceu a Jesus Cristo, o seu Reino e seu evangelho, é enorme de grande.
 
     As cidades de Tiro e Sidônia, habitada por pagãos, ainda não haviam tido essa experiência com Jesus, não o conheciam, nada sabiam das escrituras ou sobre o tal Messias. É difícil afirmar quem conhece a Jesus e quem ainda não o conhece, a verdade é que, na Força do Espírito Santo,  Deus chega a todos os homens e consegue penetrar-lhes no mais profundo do coração e da alma.
 
     Neste evangelho poderíamos refletir sobre o nosso papel de Cristãos no mundo enquanto Igreja de Cristo.  Temos os Sacramentos, a Palavra Viva de Deus em nossas liturgias, e o mais importante, temos a Santa Eucaristia, presença real do Senhor, que nos fortalece.
 
     Tudo isso é pura Graça de Deus, dom imerecido de nossa parte, com todos esses dons, cada um de nós deverá ter feito uma profunda experiência com Jesus Cristo, e a partir disso dar o testemunho a todas as pessoas com quem convivemos ou que de algum modo fazem parte de nossa vida.
 
     Se essas pessoas ainda não conhecem Jesus, a responsabilidade é toda nossa, que não o testemunhamos, principalmente fora da comunidade, na Família, no trabalho, na escola, enfim, onde estivermos. A esse respeito lembro-me de Iris Gomes, uma negra que deu o seu testemunho a mais de 80 Bispos em um encontro no Rio de Janeiro, ela queria ser religiosa de Vida Consagrada, mas o seu Diretor Espiritual orientou que o seu lugar não era no convento, mas sim no mundo do trabalho.
 
     Iris trabalha há mais de 20 anos nos bastidores das novelas da Rede Globo, e diante deste evangelho, fiquei pensando, que se ela insistisse na ideia de ser Religiosa, ficar fechada em um convento, quantos artistas teriam deixado de conhecer a Jesus...
 
     Lá onde parece que só há hostilidade contra o evangelho de Jesus, é o melhor lugar para se viver autenticamente o cristianismo. Esse evangelho nos convence disso, e o mundo aguarda ansioso, pelos Discípulos Missionários do Senhor, você, eu e nós todos, que somos batizados e termos algo importante a dizer em todos esses ambientes, aparentemente hostis ao evangelho. Vamos nessa?
 
Diácono José da Cruz
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim
 
 
ORAÇÃO
Pai, move-me à conversão e à penitência diante do testemunho de Jesus, de modo que eu não incorra em castigo por minha incapacidade de reconhecer o apelo da salvação.


Santo do dia - São Francisco de Assis

 Francisco nasceu em Assis, na Úmbria (Itália) em 1182. Jovem orgulhoso, vaidoso e rico, que se tornou o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos.
 
       Com 24 anos, renunciou a toda riqueza para desposar a "Senhora Pobreza". Aconteceu que Francisco foi para a guerra como cavaleiro, mas doente ouviu e obedeceu a voz do Patrão que lhe dizia: "Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?". Ele respondeu que ao amo. "Porque, então, transformas o amo em criado?", replicou a voz. No início de sua conversão, foi como peregrino a Roma, vivendo como eremita e na solidão, quando recebeu a ordem do Santo Cristo na igrejinha de São Damião: "Vai restaurar minha igreja, que está em ruínas".
 
      Partindo em missão de paz e bem, seguiu com perfeita alegria o Cristo pobre, casto e obediente. No campo de Assis havia uma ermida de Nossa Senhora chamada Porciúncula. Este foi o lugar predileto de Francisco e dos seus companheiros, pois na Primavera do ano de 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns valentes que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes.
 
       A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias: Roma, Chipre, Egito, Síria… Peregrinando até aos Lugares Santos. Quando voltou à Itália, em 1220, encontrou a Fraternidade dividida. Parte dos Frades não compreendia a simplicidade do Evangelho. Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida.
 
       Na última etapa de sua vida, recebeu no Monte Alverne os estigmas de Cristo, em 1224. Já enfraquecido por tanta penitência e cego por chorar pelo amor que não é amado, São Francisco de Assis, na igreja de São Damião, encontra-se rodeado pelos seus filhos espirituais e assim, recita ao mundo o cântico das criaturas.
 
       O seráfico pai, São Francisco de Assis, retira-se então para a Porciúncula, onde morre deitado nas humildes cinzas a 3 de outubro de 1226. Passados dois anos incompletos, a 16 de julho de 1228, o Pobrezinho de Assis era canonizado por Gregório IX.
 
São Francisco de Assis, rogai por nós!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Evangelho do dia - (Lucas 10,1-12)

10 1 Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir. 2 Disse-lhes: "Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. 3 Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos. 4 Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho. 5 Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: 'Paz a esta casa!' 6 Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós. 7 Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa. 8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir. 9 Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: 'O Reino de Deus está próximo'. 10 Mas se entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saindo pelas suas praças, dizei: 11 'Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei, contudo, que o Reino de Deus está próximo'. 12 Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento menos rigoroso para Sodoma".

 - Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Comentário do Evangelho - Como cordeiros entre lobos

Jesus pedia a seus discípulos que se pusessem a caminho de um povoado a outro. Chegar, desejar a paz, entrar na casa que os acolhesse, curar os enfermos e pregar que o reino de Deus está próximo, de povoado em povoado. Se em algum lugar não eram recebidos, a ordem era seguir para outro. Naqueles primeiros tempos, a Igreja era em proporções menores e podia colocar-se facilmente em movimento. Atualmente, a Igreja é uma grande estrutura. Custa-nos mover-nos rapidamente de um povoado para outro, de um problema para outro.
Porém, onde for necessário temos de ir.

      A metáfora da condição dos discípulos é uma forma de descrever o futuro da missão. Ser cordeiros entre lobos não dá margem para dúvidas: a missão está destinada a ser uma batalha desigual, onde toda prudência é pouca. Nada de ilusões!
 
      Humanamente falando, as orientações dadas por Jesus deixavam os discípulos numa situação de fragilidade. A pobreza material levava-os a depender da caridade alheia. Como se sabe, nem todo mundo está disposto a ajudar. Quem depende de esmolas, está sujeito a toda sorte de ironia, gozações e humilhações, sem contar o risco de sofrer agressões físicas.
 
      A recomendação de não escolher casa ou cidade onde entrar - os discípulos deveriam ir a toda cidade e lugar por onde Jesus passaria - obrigava-os a visitar até mesmo povoados hostis, especialmente os situados na região da Samaria. Se a hospitalidade em uma cidade lhes fosse recusada, eles não teriam o direito de fazer uso da força ou da violência. Bastava-lhes sacudir o pó das sandálias, e seguir adiante.
 
      Falando na perspectiva do Reino, a ação missionária oferecida aos setenta e dois discípulos exigia deles serem testemunhas do mundo novo proclamado por Jesus. Aí os bens materiais deveriam ser relativizados, não tendo primazia no coração humano. A solidariedade seria um imperativo, e a violência, banida. Por conseguinte, a reação dos apóstolos diante de situações adversas já seria uma ação evangelizadora.
 
Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica
 
 
ORAÇÃO
Pai, que a perspectiva de dificuldades a serem encontradas no apostolado não me faça recuar da missão de preparar o mundo para acolher teu Filho Jesus.

Santo do dia - Protomártires do Brasil

 Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu. Estes martírios aconteceram no ano de 1645, sendo que o Pe. André de Soveral e Domingos de Carvalho foram mártires em Cunhaú e o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu; dentre outros.
 
       No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da Capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por 70 pessoas sob os cuidados do Pe. André de Soveral. No dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.
 
       Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Durante a Santa Missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.
 
       A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.
 
       Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus.
 
       Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.
 
       Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro. Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário.
 
       Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.
 
       Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".
 
       A 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa João Paulo II beatificou os 30 protomártires brasileiros, sendo 2 sacerdotes e 28 leigos beatificados.
 
Protomártires do Brasil, rogai por nós! 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Evangelho do dia - Mateus 18, 1-5.10

    

Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem acolher em meu nome uma criança como esta, estará acolhendo a mim mesmo. Cuidado! Não desprezeis um só destes pequenos! Eu vos digo que os seus anjos, no céu, contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.
 
- Palavra da salvação!
- Glória a vós, Senhor!

Comentário do evangelho - Quem é o maior?


      Os que decidem seguir Jesus encontram alguns problemas. O primeiro é a competição. Está na pergunta feita a Jesus: "Quem é o mais importante no Reino do Céu?" E a resposta é dada por Jesus através de um exemplo: chama uma criança e a coloca na frente de todos. Naquele tempo, a criança não era considerada. Era símbolo dos pobres, fracos e humildes, pessoas sem pretensões. Jesus diz que se não mudarem de vida e não ficarem como as crianças, simples, sem pretensões, nunca entrarão no Reino do céu.
 
     Hoje se fala e se oferecem cursos, treinamentos, para a pessoa crescer em auto-estima, se tornar importante, mais bonita, mais jovem, fazer sucesso, ser a melhor em tudo. Vivemos numa sociedade em que vemos a cada instante pessoas querendo ter mais, aparecer mais, ser o melhor e maior, e até, ignoram as necessidades dos demais.
 
     Como disseram os bispos em Aparecida, vivemos numa sociedade em que prevalece a "lógica da vida como espetáculo": " As novas gerações são as mais afetadas por esta cultura do consumo em suas aspirações pessoais profundas. Crescem na lógica do individualismo pragmático e narcisista, que desperta nelas mundos imaginários especiais de liberdade e igualdade. Afirmam o presente porque o passado perdeu relevância diante de tantas exclusões sociais, políticas e econômicas. Para eles o futuro é incerto. Assim mesmo, participam da lógica da vida como espetáculo, considerando o corpo como ponto de referência de sua realidade presente. Têm um novo vício pelas sensações e crescem em uma grande maioria sem referência aos valores e instâncias religiosas." (DAp 51).
     A proposta de valores, de humildade e de pequenez de Jesus contradiz tudo isto. Ele fala de um Reino de iguais. Nosso coração deve estar aberto para o irmão. Como disse Jesus, é preciso mudar de vida. Se quisermos entrar no Reino do Céu.
 
 
Pai, poupa-me de cair na tentação de querer fazer-me grande aos olhos do mundo, pois a verdadeira grandeza consiste em fazer-me amigo e servidor do meu próximo
 
 

Santos Anjos da Guarda


Neste dia em que fazemos memória do nosso protetor, a Igreja termina assim o hino e oração da manhã: “Salvai por vosso filho a nós, no amor; ungidos sejamos pelos anjos; por Deus trino, protegidos!”
 
     A palavra anjo significa, “enviado, mensageiro divino”, muitas vezes encontramos as manifestações dos anjos como missionários de Deus, e por isso, com clareza lemos no salmo 91: “Pois Ele encarregará seus anjos de guardar-te em todos os teus caminhos”.
 
     Quando nos deparamos com a Anunciação e outros Mistérios da vida de Jesus, conseguimos perceber que este salmo profetiza a presença dos anjos na vida do Senhor. Ora, Cristo é o primogênito de todas as criaturas, nosso irmão e modelo. Se portanto sua humanidade, apesar de unida com a Divindade, era continuamente protegida por anjos, logo quanto mais devemos ser nós, seus membros tão frágeis. Tanto o Pai quer isto que revelou a Jesus: “Guardai-vos de desprezar algum desses pequeninos, pois eu vos digo, nos céus os seus anjos se mantêm sem cessar na presença do meu Pai que está nos céus.” (Mt 18,10)
     Nos Atos dos Apóstolos e nos escritos de São Bernardo, Santo Tomás de Aquino e outros Doutores da Igreja, encontramos testemunhos que nos motivam a confiarmos nos Santos Anjos protetores de cada um, pois atesta a Sagrada Escritura: “Não são todos (os anjos) eles espíritos cumpridores de funções e enviados a serviço, em proveito daqueles que devem receber a salvação como herança?” (Hb 1,14)
     Na Inglaterra desde o ano 800 acontecia uma festa dedicada aos Anjos da Guarda e a partir do ano 1111 surgiu uma linda oração (apresentada a seguir). Da Inglaterra esta festa se estendeu de maneira universal depois do ano 1608 por iniciativa do Sumo Pontífice da época. Aprendamos e rezemos esta quase milenar prece: Anjo do Senhor – que por ordem da piedosa providência Divina, sois meu guardião – guardai-me neste dia (tarde ou noite); iluminai meu entendimento; dirigi meus afetos; governai meus sentimentos para que eu jamais ofenda ao Deus e Senhor. Amém.”
 
Santos Anjos da Guarda, rogai por nós!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Evangelho do dia - Lucas 9, 51 - 56

    

Quando ia se completando o tempo para ser elevado ao céu, Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém. Enviou então mensageiros à sua frente, que se puseram a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para lhe preparar hospedagem. Mas os samaritanos não o queriam receber, porque mostrava estar indo para Jerusalém. Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que os destrua?” Ele, porém, voltou-se e os repreendeu. E partiram para outro povoado.
 
- Palavra da salvação!
- Glória a vós, Senhor!
 

Comentário do evangelho - Os samaritanos não receberam Jesus

Entre os judeus da época de Jesus, a Lei lhes permitia revidar cada ofensa que era recebida. Dentro dessa concepção, dois dos apóstolos, Tiago e João, queriam permissão para mandar descer fogo do céu sobre uma povoação que não queria receber Jesus. Ora, ele os vinha catequizando há tempos sobre a mudança de mentalidade: Em vez de ódio, amor; em lugar de vingança, perdão. E ia mais além: condenava palavras ofensivas, exigia que não se julgassem as pessoas... E nós? Perdoamos a quem nos ofende, amamos nossos inimigos? Evitamos julgar as pessoas?
 
 
     O texto diz que "estava chegando o tempo de Jesus ir para o céu". Seguia para Jerusalém. Esta viagem começa com certa solenidade, mandando alguém à frente para preparar, com certeza, alojamento, espaço para encontro com as pessoas. No entanto, ao passar por um povoado da Samaria, Jesus não foi acolhido, não quiseram recebê-lo.
     Esta rejeição estava fundamentada em antigas mágoas dos samaritanos contra os judeus. Isto despertou revolta em Tiago e João que queriam logo acabar com aquela gente. Jesus os repreendeu e seguiu para outro povoado. O Mestre ensina que é preciso dar tempo para a conversão. Saber esperar o momento da abertura, do perdão, da reconciliação, do encontro.
 
Portal Paulinas
 
Pai, livra-me de ser levado por impulso e pelas paixões ao me deparar com quem se recusa a acolher a mensagem do Reino. Que a minha mansidão possa conquistá-lo para ti.

Santo do dia - Santa Terezinha do Menino Jesus

 

"Não quero ser santa pela metade, escolho tudo."
 
       A santa de hoje nasceu em Alençon (França) em 1873 e morreu no ano de 1897. Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, como também sabia que o seu coração – e o de todos nós – foi feito para amar. Nascida de família modesta e temente a Deus, seus pais (Luís e Zélia) tiveram oito filhos antes da caçula Teresa: quatro morreram com pouca idade, restando em vida as quatro irmãs da santa (Maria, Paulina, Leônia e Celina). Teresinha entrou com 15 anos no Mosteiro das Carmelitas em Lisieux, com a autorização do Papa Leão XIII. Sua vida se passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus.
 
       Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, oferecia a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face esteve como criança para o Pai, livre, igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus e, tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou um lindo e possível caminho de santidade: infância espiritual.
 
       O mais profundo desejo do coração de Teresinha era ter sido missionária “desde a criação do mundo até a consumação dos séculos”. Sua vida nos deixou como proposta, selada na autobiografia “História de uma alma” e, como intercessora dos missionários sacerdotes e pecadores que não conheciam a Jesus, continua ainda hoje, vivendo o Céu, fazendo o bem aos da terra.
 
       Morreu de tuberculose, com apenas 24 anos, no dia 30 de outubro de 1897 dizendo suas últimas palavras: “Oh!…amo-O. Deus meu,…amo-Vos!”
 
       Após sua morte, aconteceu a publicação de seus escritos. A chuva de rosas, de milagres e de graças de todo o gênero. A beatificação em 1923, a canonização em 1925 e declarada “Patrona Universal das Missões Católicas” em 1927, atos do Papa Pio XI. E a 19 de outubro de 1997, o Papa João Paulo II proclamou Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face doutora da Igreja.
 
Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!