quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dom Vilson Dias de Oliveira, DC, Bispo Diocesano de Limeira - SP



Justo reconhecimento aclamado
 pelo povo: Beato João Paulo II 

Neste dia 1 de maio a Igreja toda volta o olhar para o Vaticano. A data marca a celebração de beatificação do saudoso Papa João Paulo II, que governou a Igreja por 27 anos (1978-2005).

Karol Józef Wojtyla nasceu em Wadowice, na Polônia, no dia 18 de abril de 1920. Ainda jovem estudante viveu num contexto político sofrido para seu povo, sobretudo pela presença do nazismo e, posteriormente, do comunismo. Gostava de arte, literatura e filosofia. Estudou em um seminário clandestino (por causa das inúmeras perseguições contra a Igreja e o clero) e ordenou-se sacerdote. Ainda jovem foi nomeado bispo e, posteriormente criado cardeal da Santa Igreja. Era um homem de grande força e influência por onde passava, sobretudo entre os jovens. Mas também uma figura que, com serenidade e firmeza ao mesmo tempo, questionava a realidade que o circundava.

Em 1978, com a morte do Papa João Paulo I, vítima de um ataque cardíaco apenas 33 dias após sua eleição, foi eleito papa o Cardeal Karol J. Wojtyla, que adotou o mesmo nome de seu antecessor no trono de Pedro.

Havia séculos que a Igreja não tinha um papa de outra nacionalidade que não italiana. O novo papa polonês, relativamente jovem (58 anos), poliglota e filósofo, surpreendeu o mundo com a força de suas palavras e a segurança em suas posturas. Jovial, próximo do povo, não demonstrou medo diante dos desafios que se lhe apresentavam, embora ele mesmo, em sua primeira aparição pública na janela da basílica vaticana, confessou diante da multidão reunida para conhecer o novo papa, que teve medo de assumir esta função, mas que se confiava em Deus e na intercessão da Virgem Maria. Isto, aliás, ele fez questão de expressar em seu lema: “Totus Tuus” (sou todo teu).

Uma das grandes marcas do Papa João Paulo II é o grande número de peregrinações. Muitos paises receberam sua visita mais de uma vez, como o Brasil, por exemplo, (3 vezes). Por esta razão ficou conhecido como “papa peregrino”, que andava pelos continentes atraindo multidões que ouviam suas palavras, sempre claras, sobretudo quando a questão era a promoção da paz e a defesa da vida diante de ameaças como as guerras, o abordo, a máfia, dentro outros.

Tinha o desafio de conduzir a Igreja para o século XXI, com a grande celebração jubilar do ano 2000. Mesmo já fragilizado no corpo, que trazia as marcas de um atentado sofrido no início da década de 80, ele cumpriu sua missão e, em meio a sofrimentos pessoais, nunca perdeu a firmeza em suas posturas e as chances de testemunhar sua fé. Aliás, esta é uma das tarefas que mais compete ao sucessor de Pedro: confirmar na fé seus irmãos!

Este grande papa, João Paulo II, morreu no dia 2 de abril de 2005, após serena agonia em seu quarto, no paládio apostólico. O mundo “parou” para despedir-se dele e para reconhecer seus méritos. Grande multidão se dirigiu para o Vaticano durante seus funerais, incluindo representantes de diferentes religiões, chefes de estado e outros.

A beatificação de João Paulo II, em pouquíssimo tempo após sua morte, vem atender à aclamação expressa espontaneamente pelo povo em seus funerais, presididos pelo então decano do colégio cardinalício, Cardeal Josef Ratzinger, hoje Papa Bento XVI: “Santo Súbito” (Santo já).

O próprio sucessor de João Paulo II, Papa Bento XVI, com a Cúria Romana, se fizeram sensíveis àquilo que a multidão expressava e pedia. Iniciou-se o processo, que consta inclusive de uma cura alcançada por uma religiosa após invocar a intercessão do servo de Deus.

Concluída estas etapas, neste dia 1º de maio de 2011, às 10h00 (horário de Roma), o Papa João Paulo II será proclamado beato, podendo ser venerado pelo povo. A data coincide com o 2º domingo do Tempo da Páscoa, o assim chamado “Domingo da Divina Misericórdia”. Também será rezado o Terço da Divina Misericórdia com o canto “Jezu ufam Tobie”, que significa: “Jesus confio em vós”.  Esta devoção foi introduzida por Santa Faustina Kowalska, sua conterrânea, e era muito apreciada por João Paulo II.

Com a beatificação, será instituída uma Memória Litúrgica do Beato João Paulo II, para a Diocese de Roma e dioceses da Polônia, seu país de origem.

Que o testemunho dado por João Paulo II nos ajude a, como ele, sermos fervorosos e incansáveis servos de Deus, pela oração, pelas palavras e pelas atitudes diante da realidade que nos cerca, mesmo que em meio a dificuldades e sofrimentos. Movidos exemplo de força e santidade deste homem contemporâneo, que nossas comunidades se animem a serem cada vez mais fiéis ao Cristo, Senhor e Mestre, e cumprir no dia-a-dia a missão da Igreja: evangelizar. Cristo é a nossa paz! Forte e fraterno abraço a todos! [CNBB]

São Ricardo Reynolds


Data consagrada a todos os mártires. da Inglaterra. Um deles: São Ricardo Reynolds foi um desses mártires no tempo do cisma de Ricardo VIII e nesse dia aconteciam os primeiros martírios. Ricardo nasceu em 1488/89. Foi aceito como noviço na ordem de santa Brígida em 1512, passou alguns anos da universidade e fez seus votos perpétuos em 1513. Obtendo bacharelado em teologia pela Universidade de Cambridge foi contratado como pregador na universidade. Os mosteiros de santa Brígida eram formados por duas comunidades; uma para homens e outra para as mulheres, porém a abadessa era a superiora de ambas. São Ricardo era o único monge inglês que conhecia bem o latim, o hebraico, o grego e escreveu 94 obras. Em 1535 foi preso na torre de Londres porque haver se recusado a prestar juramento de supremacia ao rei, ato considerado como grande traição. Quando lhe perguntaram porque se negava, respondeu que preferia ficar com o resto da Igreja com sua tradução do que com a opinião do parlamento de um só reino. Pediu alguns dias para se preparar para morte e lhe foi concedido. No dia 4 de maio com mais 4 missionários foram enforcados em Tybum. Ricardo assistiu a morte dos outros e, em seguida, foi enforcado. [paulinas.org.br]

Evangelho: João (Jo 3, 16-21)


Deus enviou seu filho ao mundo para
que o mundo seja salvo por ele

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. 19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus. Palavra da Salvação!

Comentário o Evangelho


A missão do Filho


O processo de formação para o discipulado requer a compreensão da identidade de Jesus e da sua missão. A fé consiste na adesão ao Mestre assim como se nos apresenta. Quanto mais adequada for esta compreensão, tanto mais profundo será o compromisso da fé. Eis por que Jesus pôs-se a instruir Nicodemos a este respeito.

O Filho é a expressão perfeita do amor do Pai pela humanidade, que o ofereceu como prova de amor. A origem divina de Jesus dá credibilidade às suas palavras, pois seu testemunho reporta-se diretamente a Deus. Ele não é um simples intermediário entre o Pai e a humanidade. É a encarnação do amor de Deus.

A missão terrena de Jesus consistiu em colocar-se inteiramente a serviço da salvação da humanidade, propiciando-lhe a vida eterna. Ele a resgata do poder do pecado e da morte, abrindo-lhe perspectivas novas de comunhão com Deus. Por seu ministério destruiu-se o muro de separação erguido entre o Criador e a criatura, refazendo-se a amizade inicial. Não compete a Jesus ser o juiz da humanidade, condenando-a por seus pecados. Cabe-lhe, sim, ser seu salvador. Mesmo que a humanidade prefira as trevas em detrimento da luz, a missão do Filho de Deus permanece inalterada. O gesto de recusar a luz já traz em si o germe da condenação, porém não tolhe ao ser humano a possibilidade de converter-se para a luz. Jesus é infinitamente paciente e espera que o ser humano se decida em favor dele.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997]

terça-feira, 3 de maio de 2011

Pe. José Gilberto Beraldo


CARTA MCC MAIO 2011 (141ª.)
Muito amados irmãos e irmãs no Senhor gloriosamente Ressuscitado e a Ele semelhantes na morte e, também, na Ressurreição:
Assim como buscamos vivenciar fervorosamente os quarenta dias da santa Quaresma bem como a Santa Semana da Paixão, agora o Senhor Jesus, ressuscitado dos mortos, nos propicia as alegrias dos cinqüenta dias da Páscoa celebrada no último dia 24 de abril! Refletindo sobre em que fonte beber para partilhar nossas habituais reflexões mensais, lembrando este tempo de luz e de vida, penso tê-la encontrado atual, viva, oportuna e revigorante na VERBUM DOMINI (“A Palavra do Senhor”)[1] do Papa Bento XVI.
1.                  Viver a Ressurreição é viver o mistério da Cruz. Alimentado pelas “propostas[2]” dos Padres Sinodais, o Papa vai discernindo para o Povo de Deus o significado e os caminhos da Palavra no hoje da caminhada da história e da própria Igreja. Logo no início da Primeira Parte, encontramos O DEUS QUE FALA. É precisamente ali que está bem explicitada a identidade de Jesus com a Palavra do Pai: a Palavra do Pai é o seu próprio Filho.

No fascinante parágrafo 12, “Cristologia da Palavra”, nos deparamos com uma viva referência pascal à Palavra. Ao mostrar a vida do Verbo, Palavra do Pai, o Papa começa com a Encarnação: “O Senhor compendiou sua Palavra, abreviou-a (Is 10,23; Rm9, 28)... O próprio Filho é a Palavra, é o Logos: a Palavra eterna fez-se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez-Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré”. Prosseguindo pela vida de Jesus, o texto chega à missão de Jesus que se cumpre no Mistério Pascal: “Por fim, a missão de Jesus cumpre-se no Mistério Pascal: aqui vemo-nos colocados diante da «Palavra da cruz» (cf. 1 Cor 1, 18).  

A morte da Palavra na Cruz é mostrada como um silêncio dAquele que é a PALAVRA: “O Verbo emudece, torna-se silêncio de morte, porque Se «disse» até calar, nada retendo do que nos devia comunicar. Sugestivamente os Padres da Igreja, ao contemplarem este mistério, colocam nos lábios da Mãe de Deus esta expressão: «Está sem palavra a Palavra do Pai, que fez toda a criatura que fala; sem vida estão os olhos apagados d’Aquele a cuja palavra e aceno se move tudo o que tem vida». Aqui verdadeiramente comunica-se-nos o amor «maior», aquele que dá a vida pelos próprios amigos (cf. Jo 15, 13). Neste grande mistério, Jesus manifesta-se como a Palavra da Nova e Eterna Aliança: a liberdade de Deus e a liberdade do homem encontraram-se definitivamente na carne crucificada, num pacto indissolúvel, válido para sempre”!

Finalmente, depois dessas lembranças que chegam a emocionar, a VD chega ao mistério da Ressurreição!

1.                  Viver a ressurreição é viver na luz. Desde a noite do Sábado Santo – Vigília da Páscoa – a luz de Cristo brilha aos nossos olhos e ilumina a vida do cristão. Nessa noite, ao entrar na igreja com o Círio pascal já aceso, o diácono canta solenemente, por três vezes: “Eis a luz de Cristo”. Jesus já se havia identificado aos seus discípulos como a luz do mundo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

Nossa experiência diária de contato e imersão nesta nossa cultura cada dia mais longe da verdadeira luz, pois é regida por critérios sempre mais distanciados dos do Reino anunciado e testemunhado por Jesus e, por isso mesmo, tão obscuros quanto raramente o foram. Mais do que em qualquer outro tempo, portanto, o tempo pascal nos serve para lembrar que viver a Ressurreição de Jesus, é viver na luz. Ou melhor, com Ele, ser luz também: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Por isso, continuando o parágrafo anterior, lembra-nos o Papa na VD: “No mistério refulgente da ressurreição, este silêncio da Palavra manifesta-se com o seu significado autêntico e definitivo. Cristo, Palavra de Deus encarnada, crucificada e ressuscitada, é Senhor de todas as coisas; é o Vencedor, o Pantocrator, e assim todas as coisas ficam recapituladas n’Ele para sempre (cf. Ef 1, 10). Por isso, Cristo é «a luz do mundo» (Jo 8, 12), aquela luz que «resplandece nas trevas» (Jo 1, 5), mas as trevas não a acolheram (cf. Jo 1, 5).
Aparece aqui uma referência muito feliz a um Salmo dos mais significativos para nossa vida cristã: “Aqui se compreende plenamente o significado do Salmo 119 quando a designa «farol para os meus passos, e luz para os meus caminhos»; esta luz decisiva na nossa estrada é precisamente a Palavra que ressuscita. Desde início, os cristãos tiveram consciência de que, em Cristo, a Palavra de Deus está presente como Pessoa. A Palavra de Deus é a luz verdadeira, de que o homem tem necessidade. Sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz do mundo. Agora, vivendo com Ele e para Ele, podemos viver na luz”.

2.                  Viver a Ressurreição é viver a “força criadora da Palavra de Deus” que proporciona “esperança e alegria”. Após vivermos os dias da Quaresma – só quem os viveu intensamente sabe o que isso pode ter significado na sua caminhada seguindo as pegadas do “Servo Sofredor” do profeta Isaias! – podemos sentir esta “força criadora da Palavra de Deus”. Criadora no sentido de, repletos da luz do Ressuscitado, colaborarmos para a criação de um “novo céu e uma nova terra” superando, assim, a corrupção e degradação que nos rodeiam. Depois de mostrar que no “Mistério Pascal realizam-se as palavras da Escritura”, a VD termina esse inspirado parágrafo ensinando-nos que  “Deste modo São Paulo, transmitindo fielmente o ensinamento dos Apóstolos (cf. 1 Cor 15, 3), sublinha que a vitória de Cristo sobre a morte se verifica através da força criadora da Palavra de Deus. Esta força divina proporciona esperança e alegria: tal é, em definitivo, o conteúdo libertador da revelação pascal. Na Páscoa, Deus revela-Se a Si mesmo juntamente com a força do Amor trinitário que aniquila as forças destruidoras do mal e da morte”.

Um santo, alegre e iluminado tempo pascal, na companhia de Maria, a primeira ressuscitada com a Palavra, é o que, em nome do Grupo Executivo Nacional do MCC do Brasil, lhes deseja o irmão e amigo,


                                                             
Pe. José Gilberto Beraldo
                                                                   Grupo Sacerdotal do GEN

Dom Benedicto de Ulhoa Vieira, Arcebispo Emérito de Uberaba - MG


Maio: Mês de Maria

As referências dos Evangelhos e do Atos dos Apóstolos a Maria, Mãe de Jesus, apesar de poucas, deixam ver muito desta privilegiada criatura, escolhida para tão alta missão. São Paulo, na Carta aos Gálatas (4,4), dá a entender claramente que, no pensamento divino de nos enviar o seu Filho, quando os tempos estivessem maduros, uma Mulher era predestinada a no-Lo dar. Para que se compreenda a presença de Maria nesta predestinação divina, a Igreja, na festa de 8 de dezembro, aplica à Mãe de Deus, aquilo que o livro dos Provérbios (8, 22) diz da sabedoria eterna: “os abismos não existiam e eu já tinha sido concebida. Nem fontes das águas haviam brotado nem as montanhas se tinham solidificado e eu já fora gerada. Quando se firmavam os céus e se traçava a abóboda por sobre os abismos, lá eu estava junto dele e era seu encanto todos os dias”. Era pois a predestinada nos planos divinos.Maio: Mês de Maria.

Para se perceber melhor o perfil materno de Nossa Senhora, três passagens bíblicas podem esclarecer. A primeira é a das Bodas de Caná, que realça a intercessora. Quando percebeu – o olhar feminino que tudo vê e tudo observa – estar faltando vinho, sussurra no ouvido do Filho sua preocupação e obtém, quase sem pedir, apenas sugerindo, o milagre da transformação da água em generoso vinho. Ela é de fato a mãe que se interessa pelos filhos de Deus que são seus filhos.

Outra passagem do Evangelho esclarecedora da personalidade de Maria é a que nos mostra seu silêncio e sua humildade. O anjo a encontra na quietude de sua casa, rezando, para dizer-lhe que fora escolhida por Deus para dar ao mundo o Emanuel, o Salvador. Ela se assusta com a mensagem celeste, porque, na sua humildade, nunca poderia ter pensado em ser escolhida do Altíssimo. Acolhe assim, por vontade divina, a palavra do mensageiro, silenciosamente, sem dizer, nem sequer ao noivo José, o que nela se realizava. Deus tem o direito de escolher e por isto Ela diz apenas o generoso “sim” que a tornou Mãe de Deus.

O terceiro traço de Maria-Mãe é sua corajosa atitude diante do sofrimento. Ao apresentar o seu Jesus no templo, ouve a assustadora profecia do velho Simeão: “uma espada de dor transpassará a tua alma”. Pouco mais tarde, estreitando ao peito o Menino Jesus, deve fugir para o Egito com o esposo, para que a crueldade de Herodes não atingisse a Criança que – pensava ele, Herodes – lhe poderia roubar o trono. Quando seu filho tem doze anos, desencontra-se dele e, ao achá-lo após três dias, queixa-se amorosamente: “por que fizeste isto? Eu e teu pai te procurávamos, aflitos”. Sua coragem se confirma na paixão e crucifixão de Jesus. De pé, ali no Calvário, sofre e associa-se ao sacrifício do redentor. É a mulher forte, a mãe corajosa e firme, a quem a dor não derruba. De fato, a espada de Simeão lhe atravessara a alma e o coração. É a Senhora das Dores.

Maio, mês a Ela dedicado pela piedade cristã, é um convite para voltarmos nosso olhar a esta Mãe querida para pedir-Lhe, abra as mãos maternas em Bênção de carinho sobre nossos passos nesta difícil escalada da Jerusalém celeste.

São Filipe e São Tiago

Filipe de Betsaida, na Galiléia, foi um dos primeiros discípulos chamados por Cristo (Jo 1,43). Seu nome ocupa sempre o quinto lugar nas listas dos apóstolos e é mencionado mais de uma vez no Evangelho de São João.

Filipe era da mesma cidade de Pedro e André, e talvez fosse também pescador. Bem no início de sua vida pública, Jesus, ao se encontrar na Galiléia com Filipe, dirige-lhe imediatamente o chamado: "Segue-me!" (Jo 1,43). Este encontro cativou-o de tal forma que ao encontrar-se com o amigo Natanael (chamado depois Bartolomeu) com certa euforia lhe comunica a notícia: "Achamos aquele a quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré". E o convida: "Vem e vê" (Jo 1,45-46).

A segunda referência a Filipe deu-se por ocasião da multiplicação dos pães e peixes. Jesus, ao constatar a situação de fome do povo que o seguia, dirigiu-se diretamente a Filipe: "Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?" Filipe respondeu: "Duzentos denários de pão não lhes bastam para que cada um receba um pedaço" (Jo 6,5-7).

Noutra ocasião se aproximaram dos apóstolos alguns gregos desejosos de ver mais de perto Jesus e recorreram diretamente a Filipe, dizendo: "Nós queremos ver Jesus". Filipe então junto com André referiram o pedido a Cristo que atendeu benevolamente (Jo 12,21-23).

A última intervenção de Filipe registrada pelos Evangelhos deu-se durante a última Ceia: quando os apóstolos escutavam em silêncio as palavras de despedida do Mestre, Filipe atreveu-se a pedir um esclarecimento: "Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta". Jesus respondeu: "Filipe, há tanto tempo que convivo convosco e ainda não me conheceis? Quem me viu, viu o Pai. Não crês que eu estou no Pai e o Pai está em mim?" (Jo 14,8).

Estes poucos elementos fornecidos pelo Evangelho nos permitem esboçar o perfil espiritual do apóstolo Filipe, homem simples e aberto, primário e sincero, que gozou da intimidade espontânea com Jesus.

Nada sabemos dele depois da Ressurreição; a tradição acha que ele tenha pregado o Evangelho na Ásia Menor, onde teria morrido mártir. 

São Tiago Menor, filho de Alfeu, é comumente identificado como primo-irmão de Jesus (Mc 6,3). Os Evangelhos só falam dele nas listas dos apóstolos. Esta carência de informações está, porém, amplamente compensada pelas valiosas referências à figura e à ação de Tiago contida nos Atos dos Apóstolos e na Carta de São Paulo aos Gálatas. Por elas sabemos que Tiago era com São Pedro a principal figura da Igreja de Jerusalém. São Paulo chega a citar seu nome em primeiro lugar, dizendo: "Tiago, Pedro e João, considerados colunas da Igreja" (Gl 2,9).

No Concílio de Jerusalém, onde se discutiu o problema da circuncisão e da lei mosaica a serem impostas ou não aos convertidos do paganismo, Tiago deu sua opinião, aceita por todos (At 15). Ele era oficialmente considerado bispo de Jerusalém onde foi apedrejado por volta do ano 62.

A São Tiago somos devedores de suaves, práticos e convincentes ensinamentos. Eis uma advertência sempre atual: "Se alguém pensa ser religioso, mas não refreia sua língua e engana seu coração, então é vã sua religião. A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em suas aflições e conservar-se puro da corrupção deste mundo” (Tg 1, 26-27)

Evangelho: João (Jo 14. 6-14)


Há tanto tempo estou convosco e não me conheces


Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes".

8Disse Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!" 9Jesus respondeu: "Há quanto tempo estou convosco e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai?' 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras.12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores que estas. Pois eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome, eu realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei". Palavra da Salvação!

Comentário o Evangelho


Mostra-nos o Pai!

 O diálogo com os discípulos torna-se mormente delicado quando Filipe, falando em nome dos demais, pede a Jesus: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta!" Pedido ousado, se considerarmos que a piedade bíblica excluía qualquer possibilidade de alguém ver Deus e permanecer vivo. Por isso, todos os relatos de manifestação de Deus - teofania - revelam que a pessoa que contempla a glória divina fica tomado de pavor, diante da possibilidade de morrer. Como, então, os discípulos de Jesus ousavam querer ver o Pai?

O Mestre procura levá-los a pensar a questão de maneira correta, numa perspectiva nova. Os discípulos esperavam uma teofania, no melhor estilo das teofanias do Antigo Testamento. Jesus, porém, intervém com algo muito mais simples. Coloca-se a si próprio como mediação da visão do Pai: "Quem me viu, viu o Pai! Você não acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim?"

A visão do Pai era a coisa mais desejada pelos discípulos. Bastaria dar um salto de qualidade para descobrir, na pessoa de Jesus, o rosto do Pai. E, para isso, era mister nutrir por Jesus fé idêntica à dedicada ao Pai. Sem uma fé verdadeira eles estariam privados da visão do Pai, ou continuariam a querer vê-lo, mas de maneira totalmente incorreta. A única forma de ver Deus Pai consiste em contemplá-lo na pessoa de Jesus.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Santo Atanásio


Atanásio nasceu em Alexandria, no Egito, em 296. No ano de 325, deu-se o I Concílio Ecumênico, em Niceia, para definir a doutrina autêntica contra a heresia tão capciosa dos arianos, a qual fazia de Jesus uma criatura inferior a Deus Pai.
Atanásio participou do Concílio na qualidade de assessor do seu bispo, embora fosse somente diácono na época. O Arianismo foi condenado e deu-se a definição solene do Credo, o qual nós rezamos até hoje. A atuação de Atanásio foi primorosa tanto pela lucidez de sua doutrina quanto pela argumentação bíblica apresentada. Os erros dos arianos foram por ele refutados com tanto brilho, clareza e evidência, que causou admiração a todos. Atanásio foi o sucessor do bispo de Alexandria, embora tivesse apenas 31 anos, e dirigiu a Igreja de Alexandria por 46 anos, período de muito sofrimento e perseguição. Os arianos não lhe deram descanso e, com o apoio do imperador, espalharam muitas calúnias contra Atanásio, que por cinco vezes teve de fugir de sua sede episcopal. Refugiava-se no deserto onde conheceu e conviveu com o grande Santo Antão.
Durante cinco anos ficou lá escondido, saindo somente à noite para dirigir sua igreja e consolar seus fiéis. Atanásio foi firme e inquebrantável com seus numerosos escritos. Manteve viva a fé no Verbo Encarnado. Faleceu reconhecido por toda a Igreja, com 77 anos. E como reconhecimento de seu trabalho, fidelidade e fundamentais obras escritas para a Santa Igreja foi declarado Doutor da Igreja.
Santo Atanásio, rogai por nós!

Evangelho (João 3,1-8)


 1 Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2 Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: "Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele".
3 Jesus replicou-lhe: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus".
4 Nicodemos perguntou-lhe: "Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?"
5 Respondeu Jesus: "Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
6 O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
7 Não te maravilhes de que eu te tenha dito: ´Necessário vos é nascer de novo´.
8 O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito".
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

Comentário ao Evangelho


A CARNE E O ESPÍRITO

Quando o Evangelho fala em carne e espírito, refere-se a duas dimensões do ser humano, radicalmente opostas. Cada pessoa traz, em si, as marcas destas realidades. A questão fundamental consiste em saber qual das duas incide mais profundamente sobre sua existência. Ou seja, por qual delas a pessoa se deixa conduzir.
Viver segundo a carne significa deixar-se guiar pelos sentimentos inferiores, que tornam o indivíduo egoísta, ensimesmado, buscando apenas os seus interesses, insensível ao sofrimento do outro, incapaz de um gesto de solidariedade. Antes, a pessoa não tem escrúpulos de transformar o outro em objeto para a satisfação de seus instintos e de sua maldade. Vive no pecado!
A vida segundo o espírito, ao contrário, pauta-se pelo amor, que estabelece entre as pessoas vínculos de comunhão e de fraternidade. É o caminho da humanização, na medida em que a pessoa age, inspirando-se no modo de agir próprio de Deus. Nascer do Espírito não depende só da vontade humana. É obra de Deus no coração de quem se abre para ele.
A ressurreição de Jesus possibilitou, à humanidade, esse nascimento pelo Espírito. Só quem nasce do Espírito pode tomar parte no Reino de Deus, inaugurado por Jesus. É mister nascermos de novo para nos beneficiarmos dos frutos da ressurreição.

domingo, 1 de maio de 2011

Setor de Palma















O Setor de Palma do MCC acolhe com muita alegria seus novos cursilhistas em seu quarto dia, na reunião do dia 04/04/2011 que ocorreu na sede da Pastoral da Criança de Palma. Dessa vez Palma comemora com louvor um duplo "garfinho de ouro" trazidos pelos cursilhistas Glauber e Hudson no 149° Cursilho Masculino da Diocese de Leopoldina.
A ESCOLA VIVENCIAL do MCC de Palma realiza suas reuniões nas casas de nossos irmãos em Cristo, onde levamos a palavra de Deus e divulgamos nosso movimento. Saudações  D E C O L O R E S !






Evangelho: João (Jo 20, 19-31)


Oito dias depois, Jesus entrou

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco". 20Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio".

22E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos". 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: "Vimos o Senhor!" Mas Tomé disse-lhes: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei".

26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". 27Depois disse a Tomé: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não seja incrédulo, mas fiel". 28Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus!" 29Jesus lhe disse: "Acreditastes, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!" 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. Palavra da Salvação!

Comentando o Evangelho


Cremos na fé dos que testemunharam


O evangelho constitui o fim do Evangelho de João: Jo 20,19-31 (o capítulo 21 de João é um epílogo que excede a estrutura literária do evangelho propriamente). O Evangelho de João é composto de dois painéis, introduzidos pelo prólogo (1,1-18). O primeiro painel, 1,19-12,50, narra os “sinais” de Jesus. Esses sinais manifestam que Jesus é o enviado de Deus e que Deus está com ele e, ao mesmo tempo, revelam simbolicamente o dom que Jesus mesmo é. No segundo painel, os capítulos 13-20, Jesus, na hora de sua despedida, abre o seu mistério de união com o Pai e inclui nele os seus discípulos, antes de assumir, livremente, a morte por amor e ser ressuscitado por Deus. Sua ressurreição é o sinal de que ele vive e sobe à glória do Pai (20,17)! No trecho que ouvimos hoje, manifesta-se o dom do Espírito de Deus a partir da glorificação/exaltação de Jesus (cf. 7,37-39). Na sua despedida, Jesus prometeu aos seus o Espírito e a paz (14,15-17.26-27). Agora, o Ressuscitado, enaltecido e revestido com a glória do Pai, traz esses dons aos seus (20,21-22), que serão seus enviados como ele o foi do Pai (20,21). Para essa missão, recebem o poder de perdoar, poder que, segundo a Bíblia, é exclusivo de Deus e, portanto, só pode ser comunicado por quem comunga de sua autoridade. De fato, já no início do Evangelho de Marcos, Jesus se caracteriza como o “Filho do homem” (cf. Dn 7,13-14), que recebe de Deus esse poder (Mc 2,10). Segundo Jo 20,19-23, o Ressuscitado dá à comunidade dos fiéis o Espírito de Deus e a missão de tirar o pecado do mundo – também a missão que João Batista reconheceu em Jesus no início do evangelho (Jo 1,29). À maneira semítica e bíblica, a missão de perdoar é expressa na forma afirmativa (“a quem perdoardes os pecados, serão perdoados”) e negativa (“a quem os retiverdes [= não perdoardes], serão retidos”, Jo 20,23). Mas isso não significa que os seguidores e sucessores de Jesus poderão administrar o perdão arbitrariamente. Muito antes, trata-se do poder de administrar o perdão concedido por Deus: munida do Espírito de Deus, a comunidade reconhecerá quem recebe dele o perdão e quem não. E não deixa de ser significativo que Jesus exprima essa presença do Espírito exatamente pelo perdão e não pelo dom das línguas ou algo assim. Pois o que o ser humano procura, em profundidade, é exatamente esse “estar bem com Deus e com os irmãos” que o pecado impede, mas o perdão possibilita. Todo o culto judaico girava em torno da reconciliação com Deus e com a comunidade. A carta aos Hebreus explica que Jesus, enquanto sumo sacerdote definitivo, realiza essa reconciliação de uma vez para sempre. O que Jesus confia aos seus em Jo 20,22-23 é mais que mera “jurisdição”. É o dom da vida nova, na “paz”, no shalom, o dom do Messias por excelência. Unidos na comunhão da verdadeira videira que é Jesus (Jo 15,1-8), temos a vida em abundância (Jo 10,10).

A segunda parte do evangelho de hoje conta a história de Tomé. O texto põe em evidência Tomé entre os que viram o Ressuscitado (cf. At 10,41; 1Jo 1,1-3), mas visa às gerações seguintes, que, sem terem visto, deverão crer – com base no testemunho das testemunhas privilegiadas. “Felizes dos que não viram e, contudo, creram” (Jo 20,28) é bem-aventurança que se dirige a nós (cf. 1Pd 1,8, primeira leitura de hoje). E é para esse fim que os que viram nos transmitiram, por escrito, o testemunho evangélico, como diz o autor nas palavras finais (Jo 20,30-31).

Daí podermos dizer: “Cremos na fé dos que testemunharam”, a fé dos apóstolos, a fé apostólica. A Tomé é dado experimentar a realidade do Crucificado que ressuscitou, e o apóstolo proclama a sua fé, tornando-se verdadeiro fiel. Mas há outros a quem não será dado esse tipo de provas que Tomé requereu e recebeu; eles terão de acreditar também e são chamados felizes por crerem sem ter visto. Esses “outros” somos todos nós, cristãos das gerações pós-apostólicas. Mas, em vez de provas palpáveis, a nós é transmitido o testemunho escrito das testemunhas oculares, para que nós creiamos e, crendo, tenhamos a vida em seu nome (20,30-31). A fé dos apóstolos é nossa. [Pe. Johan Konings, sj, MISSAL COTIDIANO n.278, Paulus, 2011]